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Brasil criou esportivos com cara de Ferrari e Lamborghini usando motores de Fusca, Brasília, Gol e Golf; conheça 9 modelos fora de série

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 29/09/2026 às 19:58 Atualizado em 29/09/2026 às 20:01
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Conheça nove carros brasileiros fora de série que usaram motores Volkswagen de Fusca, Brasília, Gol, Passat e Golf em projetos artesanais.
Conheça nove carros brasileiros fora de série que usaram motores Volkswagen de Fusca, Brasília, Gol, Passat e Golf em projetos artesanais.
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Em um mercado fechado às importações e dominado por poucas montadoras, pequenas fabricantes brasileiras recorreram à mecânica Volkswagen para criar carros artesanais de fibra de vidro, de cupês de alto desempenho a jipes e microcarros.

Durante décadas, a base mecânica da Volkswagen serviu de ponto de partida para uma geração de fabricantes independentes no Brasil. Motores do Fusca, Brasília, Passat, Gol e Golf apareciam sob carrocerias de fibra de vidro que buscavam inspiração em esportivos europeus.

A combinação tinha uma lógica prática: os componentes Volkswagen eram conhecidos, disponíveis e mais simples de reparar. A partir deles, projetistas e pequenas empresas criaram veículos de produção limitada, muitos deles hoje procurados por colecionadores. A lista publicada pela CNN Brasil reúne nove desses fora de série nacionais, produzidos entre o fim dos anos 1960 e os anos 2000.

Lobini H1 usou motor do Golf GTI em posição central-traseira

imagem:Bianco S • Arquivo Bianco/CNN
imagem: Bianco S • Arquivo Bianco/CNN

O Lobini H1 foi um cupê artesanal produzido em Cotia, em São Paulo. Idealizado pelo empresário José Orlando Lobo e pelo engenheiro Fábio Birolini, da Chamonix, o modelo foi inspirado em roadsters compactos europeus, como o Lotus Elise.

O protótipo foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo de 2002. A produção começou em 2005 e terminou em 2012, com cerca de 70 unidades fabricadas.

O H1 recebeu o motor 1.8 turbo de 20 válvulas do Golf GTI, com 180 cv, instalado em posição central-traseira e ligado às rodas traseiras por um câmbio manual de cinco marchas. Com cerca de 1.030 kg, o fabricante informava aceleração de 0 a 100 km/h em menos de seis segundos e velocidade máxima próxima de 220 km/h.

O modelo tinha portas tipo tesoura com acionamento elétrico, ar-condicionado, direção hidráulica, sistema de som, vidros elétricos e bancos de couro. Em contrapartida, não oferecia ABS nem controle de tração. Em 2011, a edição White Edition chegou a custar R$ 170 mil.

Hofstetter Turbo levou mecânica do Gol GT a um cupê de visual futurista

Hofstetter Turbo - Foto: Carolina Lopo/Parque Dream Car
Hofstetter Turbo – Foto: Carolina Lopo/Parque Dream Car

O Hofstetter Turbo foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo de 1984, mas sua produção começou em 1986. Criado por Mário Richard Hofstetter, o cupê chamava atenção pela altura de pouco mais de um metro, pelos faróis escamoteáveis e pelas portas de abertura vertical.

A aparência remetia aos supercarros italianos, mas o conjunto mecânico inicial era o motor 1.8 turbo do Gol GT, com cerca de 140 cv. Mais tarde, o carro passou a adotar o 2.0 turbo do Santana, que trouxe mais torque, embora sem ganho expressivo de potência.

O motor ficava em posição central-traseira, montado entre os eixos sobre um chassi tubular. A velocidade máxima era estimada entre 200 e 220 km/h. Houve ainda uma versão aspirada com motor 1.8 a álcool de 99 cv.

O preço elevado limitou as vendas. As estimativas citadas pela CNN Brasil variam entre 18 unidades fabricadas de 1986 a 1991 e cerca de 20 exemplares no total.

Puma GT 1500 transformou a base Volkswagen em ícone nacional

imagem: redes sociais/ Facebook/  L'ART.
imagem: redes sociais/ Facebook/  L’ART.

A história do Puma começou em Matão, no interior paulista, em 1964. Um grupo liderado pelo fazendeiro e designer ítalo-brasileiro Rino Malzoni criou um cupê de fibra de vidro com mecânica DKW, inicialmente batizado de GT Malzoni.

Em 1966, o carro passou a se chamar Puma GT. Quando a Volkswagen comprou a Vemag, fabricante dos veículos DKW no Brasil, a Puma perdeu seu fornecedor de motores e chassis e migrou para a base Volkswagen.

O Puma GT 1500 usava o chassi do Karmann-Ghia encurtado em 25 centímetros e motor boxer 1.5 de quatro cilindros refrigerado a ar, com 60 cv. A carroceria de fibra de vidro mantinha o peso próximo de 700 kg e contribuía para o desempenho do cupê de dois lugares.

O desenho teve influência de esportivos como o Lamborghini Miura. Em 1970, o modelo recebeu o motor Volkswagen 1.6 de 70 cv, e a marca depois lançou as versões GTS e GTE. A popularidade do Puma ajudou a consolidar o segmento de esportivos artesanais no país.

Bianco S, Miura Sport e Adamo GT usaram a mecânica do Brasília e do Fusca

Apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo de 1976, o Bianco S foi criado por Toni Bianco, projetista italiano radicado no Brasil e conhecido por sua atuação em carros de competição. O modelo usava carroceria de fibra de vidro sobre o chassi do Volkswagen Brasília.

O motor era o boxer 1.6 a ar, com dupla carburação e 65 cv, instalado na traseira. O carro chegou a ser mostrado no Salão com o motor do Passat TS, mas a versão produzida em série recebeu a mecânica do Brasília. A marca Bianco, sediada em Diadema, em São Paulo, também fabricou o Tarpan e uma versão conversível.

Miura Sport
Miura Sport

O Miura Sport foi lançado em Porto Alegre em 14 de maio de 1977. A carroceria em formato de cunha, desenhada por Nilo Laschuk, tinha faróis escamoteáveis e referências ao Lamborghini Urraco. Por baixo dela, estavam o chassi e o motor 1.6 a ar do Brasília.

O Sport II mudou a proposta mecânica da Miura. O modelo adotou o motor 1.6 refrigerado a água do Passat TS, com 88 cv e tração dianteira. A velocidade máxima indicada pela fonte era de cerca de 180 km/h. A marca encerrou as atividades em 1992.

Já o Adamo GT foi produzido por uma pequena fábrica paulistana fundada por Milton Adamo. O primeiro protótipo apareceu em 1968 e o modelo de produção foi lançado em 1971, com motor Volkswagen 1.3 a ar.

O GT-2, apresentado em 1974, foi a versão mais conhecida. Tinha carroceria de fibra de vidro, mecânica Volkswagen e traseira inspirada na Ferrari Dino. Nos anos seguintes, a empresa lançou modelos como GTL, GTM, C2, CRX e AC2000. A produção total ficou em cerca de 1.700 unidades.

Dacon 828 era um microcarro inspirado no Porsche 928

A Dacon, fundada em São Paulo em 1964, começou como concessionária Volkswagen e depois se tornou representante da Porsche. Durante a proibição das importações, a empresa decidiu criar um veículo próprio.

O Dacon 828 era um microcarro de dois lugares com 2,5 metros de comprimento e 1,60 metro de largura. Seu desenho, assinado por Anísio Campos, fazia referência ao Porsche 928.

A carroceria de fibra de vidro foi montada sobre um chassi Volkswagen encurtado. O motor era o boxer 1.6 a ar, com 65 cv, localizado na traseira e acoplado ao câmbio manual de quatro marchas.

A CNN Brasil informa que o modelo alcançava cerca de 142 km/h. Uma versão a álcool tinha três cavalos adicionais. Apenas 47 unidades foram vendidas, e os primeiros 11 exemplares foram construídos na fábrica da Puma.

Ventura combinou fibra de vidro e versões com motor AP 1.8

O L’Automobile Ventura foi criado por uma empresa paulistana fundada em 1975 por Claudio Campuzzano e Guillermo Pardo. Antes dele, a companhia fabricava réplicas de carros históricos e vendia kits para montagem.

Apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo de 1978, o Ventura podia ser comprado pronto ou em kit. A carroceria de fibra de vidro tinha capô longo, traseira fastback, faróis do Dodge Polara e lanternas de Alfa Romeo.

A fonte ressalva que há divergências sobre a base mecânica exata do modelo. Ela é associada tanto à plataforma do Brasília com motor da Variant II quanto a componentes semelhantes aos do Volkswagen SP2.

Ao longo da produção, o carro recebeu versões com motor 1.6 refrigerado a água do Passat e, em 1984, o motor AP 1.8. Essa última configuração levava o Ventura a cerca de 185 km/h, segundo a CNN Brasil. Os números de produção são incertos, e parte dos carros foi exportada em kits para Estados Unidos, Alemanha e Argentina.

Gurgel Xavante X-10 levou a mecânica do Fusca para fora de estrada

O Gurgel Xavante nasceu do trabalho da fabricante criada em São Paulo, em 1969, pelo engenheiro João Augusto Conrado do Amaral Gurgel. O modelo foi lançado em 1973 como evolução da experiência da marca com buggies baseados na mecânica do Fusca.

O jipe tinha carroceria de fibra de vidro e motor Volkswagen 1.6 a ar, de 60 cv, instalado na traseira. A tração era 4×2, mas o Xavante trazia uma solução própria para melhorar a saída em terrenos de baixa aderência.

O sistema Selectraction usava dois freios de mão, um para cada roda traseira. Ao frear a roda que patinava, o motorista transferia força para a outra, em um funcionamento semelhante ao bloqueio manual de diferencial.

O Xavante adotava o chassi Plasteel, estrutura tubular revestida de fibra de vidro patenteada pela Gurgel. O modelo evoluiu para as gerações X-11 e X-12, produzidas até os anos 1980. A empresa fechou em 1993, após acumular dívidas.

Esses nove modelos mostram como a mecânica Volkswagen permitiu a fabricantes brasileiras criar carros de nicho em diferentes períodos. Alguns se destacaram pelo desempenho, outros pelo desenho ou pela raridade, mas todos partiram de uma base técnica acessível em um mercado com poucas opções de veículos fora de série.

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