Mineração brasileira amplia projetos até 2030, com investimentos em minerais críticos, logística e infraestrutura que reforçam o setor mineral e movimentam bilhões de dólares.
O setor mineral brasileiro deve entrar em um novo ciclo de investimentos nos próximos anos. O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) estima que US$ 76,9 bilhões sejam destinados a projetos entre 2026 e 2030, valor 12,5% superior à previsão do ciclo anterior, de US$ 68,4 bilhões.
Segundo matéria publicada pelo Rádio Itatiaia no dia 1 de outubro, dentro desse montante, US$ 21,3 bilhões estão previstos para minerais críticos e estratégicos, grupo que inclui substâncias como cobre, níquel, terras raras, grafita, lítio, nióbio e zinco. O valor representa aumento de 15,2% em relação à projeção anterior.
A dimensão da carteira coloca a mineração brasileira diante de uma combinação de expansão produtiva, desenvolvimento de infraestrutura e busca por maior participação em cadeias ligadas à transição energética e à reindustrialização.
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Mineração em 2026 começa com carteira recorde de projetos
A previsão de investimentos na mineração para 2026-2030 é a maior da série apresentada pelo IBRAM. Naquele período, a estimativa era de US$ 53,6 bilhões. Para 2025-2029, a previsão havia chegado a US$ 68,4 bilhões.
A evolução mostra uma ampliação gradual das cifras projetadas. Para o período 2024-2028, o IBRAM estimava US$ 64,5 bilhões; no ciclo seguinte, o valor subiu para US$ 68,4 bilhões. Agora, a carteira alcança US$ 76,9 bilhões.
O crescimento da carteira ocorre em um momento de maior atenção internacional aos minerais críticos, utilizados em diferentes cadeias industriais e tecnológicas. Para a mineração em 2026, esse movimento aumenta a importância de projetos que vão além da produção tradicional de minério de ferro.
Mineração brasileira mantém minério de ferro na liderança
Apesar da diversificação da carteira, o minério de ferro continua concentrando a maior parcela dos recursos previstos. Conforme os dados apresentados no levantamento que serve de base para esta projeção, a substância representa 25,8% do total, cerca de US$ 19,8 bilhões.
O peso do minério de ferro também aparece nos resultados recentes do setor mineral. Em 2025, a indústria mineral brasileira faturou R$ 298,8 bilhões, alta de 10,3% em relação ao ano anterior. O minério de ferro respondeu por R$ 157,2 bilhões, equivalente a 52,6% do faturamento total.
A concentração de recursos no minério de ferro não elimina, portanto, a expansão de outras frentes. A carteira projetada combina commodities tradicionais com substâncias consideradas estratégicas para novas cadeias industriais.
Investimentos na mineração também avançam em logística e ações socioambientais
Os investimentos na mineração não estão concentrados apenas na extração mineral. Parte importante da carteira está relacionada à infraestrutura e às ações socioambientais.
As ações socioambientais somam US$ 14,7 bilhões, correspondentes a 19,1% do total previsto. A logística aparece com US$ 11,3 bilhões, ou 14,7% da carteira.
A distribuição mostra que a expansão da mineração brasileira envolve também estruturas necessárias para transportar a produção, desenvolver operações e atender exigências ambientais e sociais.
A logística ganha importância porque a atividade mineral depende de grandes corredores de transporte para conectar áreas produtoras, unidades industriais, ferrovias, rodovias e terminais portuários. Os recursos destinados a essa frente representam uma parcela expressiva da carteira até 2030.
Minerais críticos concentram US$ 21,3 bilhões até 2030
Os minerais críticos são um dos principais pontos da nova carteira de investimentos. Segundo o IBRAM, os projetos relacionados a essas substâncias concentram US$ 21,3 bilhões entre 2026 e 2030, avanço de 15,2% sobre a previsão anterior.
A relação inclui cobre, níquel, terras raras, grafita, lítio, nióbio e zinco. São materiais associados a diferentes cadeias industriais, incluindo eletrificação, baterias, redes elétricas e tecnologias de maior intensidade mineral.
O crescimento dos minerais críticos também acompanha uma discussão mais ampla sobre o desenvolvimento de cadeias de valor dentro do país. Em junho de 2026, IBRAM e Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) apresentaram um roteiro voltado à regulamentação e estruturação dessas cadeias, com proposta de aumentar a transformação mineral e o valor agregado produzido no Brasil.
Cobre, níquel, terras raras e lítio ganham espaço
Entre os minerais críticos, o cobre aparece com previsão de US$ 8,6 bilhões em investimentos, equivalente a 11,2% da carteira. O níquel deve receber US$ 4,7 bilhões, enquanto as terras raras contam com previsão de US$ 2,4 bilhões.
O lítio aparece com US$ 1,2 bilhão. A bauxita também tem previsão de US$ 1,2 bilhão, enquanto o titânio soma US$ 900 milhões e o zinco, US$ 382 milhões.
Esses valores ajudam a dimensionar a mudança de composição dos investimentos na mineração. O minério de ferro permanece dominante, mas a carteira inclui recursos significativos para substâncias que ganharam relevância na indústria tecnológica e na transição energética.
Fertilizantes também aparecem entre as prioridades
A carteira prevista para a mineração em 2026 também possui impacto sobre cadeias ligadas ao agronegócio. Os fertilizantes concentram US$ 6,9 bilhões, correspondentes a 8,9% dos investimentos estimados.
O segmento tem importância para a produção agrícola brasileira, que depende de diferentes insumos minerais utilizados na fabricação de fertilizantes. A presença dessa categoria entre os maiores blocos da carteira amplia o alcance econômico dos projetos previstos para o setor mineral.
O ouro, por sua vez, aparece com uma previsão de US$ 2,5 bilhões, equivalentes a 3,2% do total.
Minas Gerais, Pará e Bahia concentram grandes investimentos
A distribuição geográfica também revela uma concentração relevante dos investimentos na mineração. Na carteira atualizada do IBRAM para 2026-2030, Minas Gerais aparece com US$ 19,675 bilhões, equivalente a 25,6% do total.
O Pará vem na sequência, com US$ 14,661 bilhões, ou 19,1%. A Bahia soma US$ 11,687 bilhões, correspondentes a 15,2%. Juntos, os três estados concentram uma parcela significativa da carteira projetada.
Outros estados também aparecem na relação, como Ceará, Amazonas, Goiás, Piauí, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Maranhão.
Essa distribuição reforça o peso regional da mineração brasileira e indica que a expansão dos projetos deverá alcançar diferentes áreas produtoras e corredores logísticos ao longo da próxima década.
O cenário econômico da mineração brasileira
Os números projetados para os próximos anos estão apoiados em uma atividade que já possui peso expressivo na economia nacional. No primeiro semestre de 2026, a indústria mineral registrou faturamento de R$ 150,7 bilhões, crescimento de 8,2% em relação ao mesmo período de 2025.
No mesmo período, a mineração respondeu por 48% do saldo da balança comercial brasileira. O setor também arrecadou R$ 52 bilhões em impostos, tributos e taxas, segundo o IBRAM.
No primeiro trimestre, a participação havia sido ainda maior: a indústria mineral respondeu por US$ 9,29 bilhões do saldo comercial brasileiro, equivalente a 66% do superávit registrado pelo país naquele período.
Esse desempenho ajuda a contextualizar o tamanho da carteira projetada para a mineração em 2026 e os anos seguintes.
Minerais críticos colocam o Brasil no centro de novas cadeias industriais
O aumento dos investimentos em minerais críticos ocorre em um cenário internacional de busca por novas fontes de matérias-primas necessárias à eletrificação e à indústria de alta tecnologia.
Para o Brasil, o desafio não se limita à extração. O debate apresentado pelo IBRAM e pelo CETEM inclui a necessidade de ampliar o processamento e a transformação mineral dentro do país, criando etapas industriais de maior valor agregado.
Em setembro de 2026, o próprio IBRAM voltou a discutir internacionalmente mecanismos para ampliar investimentos e desenvolver cadeias de suprimento de minerais críticos, incluindo contratos de longo prazo, financiamento e maior previsibilidade para novos projetos.
A questão passa, portanto, pela capacidade de transformar recursos minerais em produtos industriais e não apenas ampliar a produção de matérias-primas.
O que os US$ 76,9 bilhões representam para o setor mineral
A carteira de US$ 76,9 bilhões sinaliza uma fase de expansão dos investimentos na mineração brasileira entre 2026 e 2030. O minério de ferro permanece como principal destino individual dos recursos, mas cobre, níquel, terras raras, lítio e outros materiais ganham espaço.
Para a mineração brasileira, o cenário combina projetos de produção, logística, ações socioambientais e desenvolvimento de novas cadeias minerais. Os minerais críticos respondem por US$ 21,3 bilhões, enquanto a carteira total supera em 12,5% a projeção anterior.
A mineração em 2026, portanto, começa um período marcado por uma carteira de investimentos maior e mais diversificada. O desempenho efetivo desses projetos dependerá das condições econômicas, regulatórias e de mercado ao longo dos próximos anos.
Uma nova etapa para a mineração brasileira
A projeção de US$ 76,9 bilhões até 2030 coloca o setor mineral diante de uma das maiores carteiras de investimentos de sua série histórica. O destaque para os minerais críticos, com US$ 21,3 bilhões, mostra que a estratégia de expansão já incorpora substâncias ligadas a novas tecnologias e à transição energética.
Ao mesmo tempo, minério de ferro, logística, fertilizantes, ações socioambientais e ouro continuam representando parcelas relevantes dos recursos. Para a mineração brasileira, o período entre 2026 e 2030 deverá combinar a força das commodities tradicionais com a tentativa de ampliar a participação nacional em cadeias minerais emergentes.
