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Homem de 68 anos decide viver sozinho na Serra, com pesca de lambari e criação no quintal, mas o vídeo expõe a pergunta que muita gente evita sobre solidão no campo

Escrito por Geovane Souza
Publicado em 03/01/2026 às 23:44
Assista o vídeoHomem de 68 anos decide viver sozinho na Serra, com pesca de lambari e criação no quintal, mas o vídeo expõe a pergunta que muita gente evita sobre solidão no campo
Homem que vive sozinho na Serra dos Alves chama atenção em vídeo ao mostrar rotina de pesca de lambari e criação de animais no interior. (Foto: Canal JJ88 / YouTube)
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Encontro registrado pelo canal jj88 apresenta José Lino, 68, em um dia de pescaria e prosa na comunidade rural e reacende a conversa sobre apoio a idosos longe da cidade

Um vídeo com clima de conversa de estrada, gravado no interior e publicado pelo canal jj88, voltou a chamar atenção por retratar um personagem comum e ao mesmo tempo raro no Brasil de hoje. O próprio canal se apresenta como um espaço para mostrar a vida na roça e as histórias de pessoas que vivem longe das cidades, sob condução de Jaissom Moraes.

Desta vez o apresentador chega à Serra dos Alves e encontra José Lino, de 68 anos que mora sozinho. Em poucos minutos, a gravação vira um retrato vivo de rotina simples, hospitalidade, humor e trabalho, com pescaria, bichos no quintal e histórias de vizinhança.

O que prende o público não é um feito extraordinário, e sim a naturalidade. José Lino fala como quem não precisa convencer ninguém, só compartilhar o que faz, o que aprendeu e o que ainda acredita.

Ao mesmo tempo, o vídeo abre uma discussão que sempre aparece quando conteúdos assim viralizam. Até que ponto esse tipo de retrato valoriza a vida no interior e até que ponto ele romantiza a solidão e a falta de estrutura para quem envelhece longe de serviços e família.

Quem é José Lino na narrativa do vídeo e por que a história engaja

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

José Lino é apresentado como alguém que não “perde viagem” quando vai pescar. Ele afirma pegar peixes pequenos conhecidos como Lambari, para fritar, descreve a rapidez da pescaria e mostra familiaridade com o rio e com os pontos do poço.

A conversa também passa pela criação de animais. Ele cita cabritos, porcos e leitões, comenta valores de venda e brinca com a própria forma de organizar o espaço, improvisando o que tem à mão.

O carisma aparece nos detalhes. Tem a “placa” improvisada para avisar onde está quando sai, a piada sobre arrumar uma namorada “na internet” e a forma direta de falar sobre o que considera certo e errado.

Serra dos Alves em Santa Catarina e a força das comunidades rurais

A Serra dos Alves se conecta ao Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina, onde o nome aparece ligado a Agrolândia e Petrolândia. Um estudo da UFSC, ao contextualizar o município, registra que a família Alves Paes passou a residir na região em 1913, dando origem ao nome da comunidade chamada Serra dos Alves.

Esse tipo de informação ajuda a entender que não se trata apenas de um “lugar isolado”, mas de uma localidade com história e formação comunitária. Em áreas assim, vizinhança e parentesco costumam funcionar como rede de apoio, mesmo quando alguém mora sozinho.

A própria trajetória de municípios próximos mostra como o território foi se organizando ao longo do tempo. Na Biblioteca do IBGE, o histórico de Petrolândia menciona pesquisas de petróleo na localidade de Rio Galego, na divisa com Serra dos Alves, como parte da origem do nome do município.

No vídeo, isso aparece menos como geografia formal e mais como pertencimento. José Lino é retratado como alguém conhecido, visitado, lembrado e respeitado, lembrando que “sozinho” nem sempre significa “sem laços”.

Mesmo assim, a distância física de serviços é um ponto implícito. Quando a câmera mostra casa simples, estrada e rotina baseada no que se planta, cria e pesca, fica evidente o quanto o cotidiano depende do próprio corpo e da própria autonomia.

Pesca de lambari e a rotina de subsistência mostrada na gravação

O homem descreve uma pescaria rápida, com muitos peixes guardados e a promessa de fritura logo depois. A cena reforça um traço forte do imaginário do interior, a comida que vem do rio, do quintal e do que se consegue no dia.

José Lino também narra técnicas e histórias de pesca, falando de tamanho de peixe, de poço e de como o bicho “vem das lagoas” quando dá enchente. É um tipo de conhecimento local passado na prática, sem manual e sem romantização.

Envelhecimento no Brasil e o risco de romantizar a solidão no campo

O Brasil está envelhecendo em ritmo acelerado, e isso muda a leitura de vídeos como esse. Pelo Censo 2022, a população com 60 anos ou mais chegou a 32,1 milhões, e o grupo de 65 anos ou mais alcançou 22,1 milhões, crescimento expressivo em relação a 2010. (IBGE)

Quando um idoso diz que vive sozinho, o público tende a enxergar dois extremos. De um lado, autonomia e sabedoria, como se a solidão fosse sempre escolha e liberdade, e o vídeo se alimenta um pouco desse encanto.

Do outro lado, existe vulnerabilidade real, principalmente quando saúde, mobilidade e renda apertam. Um estudo do Ipea discute que isolamento social e solidão têm impactos na saúde e no bem estar de pessoas idosas e que a resposta pública envolve saúde e assistência social, nem sempre integradas.

A fala final de José Lino ajuda a puxar o tema para a realidade. Ao aconselhar jovens a não cair em drogas, ele mostra preocupação com o rumo da comunidade, com violência e com perda de futuro, assuntos que atravessam cidade e interior.

A polêmica que fica é simples e incômoda. Vídeos assim viram homenagem e entretenimento, mas também podem virar uma forma de consumo da vida alheia, sem que o público se pergunte se existe suporte de verdade por trás do encanto.

O que o vídeo revela sobre respeito, exposição e apoio comunitário

Há um lado positivo claro quando a câmera registra um morador com dignidade, voz e protagonismo. O vídeo faz José Lino existir para além das estatísticas, como alguém com história, humor e opinião.

Mas também há uma linha sensível entre registrar e explorar. Quando a narrativa enfatiza o “homem que mora sozinho” como curiosidade, a solidão corre o risco de virar um produto, e não um tema sério.

O melhor saldo costuma aparecer quando a audiência transforma curiosidade em ação. Procurar a história da comunidade, valorizar o rural sem fantasia e cobrar políticas que cheguem onde o asfalto não chega muda o final desse tipo de história.

No fim, a pergunta que o vídeo deixa não é só “como ele vive”. É se nós, como sociedade, achamos bonito ele dar conta sozinho, ou se deveríamos garantir que ninguém precise dar conta sozinho para ser admirado.

Se você assistisse a um vídeo assim, você sentiria que é uma homenagem ou uma exposição desnecessária da vida no interior? A solidão do campo é escolha, falta de opção ou um pouco dos dois? Deixe seu comentário e diga de que lado você fica nessa discussão.

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Reinaldo 66 anos
Reinaldo 66 anos
10/01/2026 16:57

Isso é viver bem e em paz!!!

Santa
Santa
08/01/2026 08:47

Fico do lado do senhor Lino ele é feliz do modo q escolheu viver então não tem solidão aí viver longe do barulho da cidade ar puro ouvir só o canto dos pássaros queria eu ter essa chance pq infelizmente tenho ,57 anos e não suporto o barulho dessas motos carros brigas mas não tenho como fugir deixa seu Lino ser feliz 🙏

Noé Costa
Noé Costa
08/01/2026 07:34

Modo de vida depende das condições que um indivíduo tem para progredir a evolução faz parte do ser humano e em qualquer ambiente é possível desde que se queira,o mais fácil é estacionar no tempo e deixar a vida sem contribuir ,viver só é acomodação

Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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