1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / Home office é bom, mas tem um problema: 67,7% dizem que a qualidade de vida melhorou, porém 83,6% relatam sintomas psicológicos como ansiedade e burnout
Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 1 comentário

Home office é bom, mas tem um problema: 67,7% dizem que a qualidade de vida melhorou, porém 83,6% relatam sintomas psicológicos como ansiedade e burnout

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 14/02/2026 às 19:53
Atualizado em 14/02/2026 às 20:28
Assista o vídeo
  • Reação
  • Reação
  • Reação
3 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Levantamento mostra avanço do trabalho remoto nas empresas, mas revela alta incidência de sintomas psicológicos e baixa oferta de apoio terapêutico corporativo, criando um contraste entre percepção de qualidade de vida e desafios estruturais de saúde mental no ambiente profissional.

O trabalho remoto consolidou-se como prática permanente em muitas empresas e, em 2025, passou a pesar de forma direta tanto na decisão de aceitar uma vaga quanto na permanência no emprego, aponta um levantamento da HUG com profissionais do setor de comunicação.

Segundo o estudo, 67,7% dos entrevistados disseram que o home office melhorou a qualidade de vida no ano, enquanto 23,1% relataram efeitos mistos e 9,2% avaliaram impactos majoritariamente negativos, num retrato que combina ganhos cotidianos com novas fontes de pressão.

Ainda que a percepção positiva predomine, os dados mostram um contraste relevante para a gestão de pessoas: 83,6% afirmaram ter sentido ao menos um sintoma psicológico no último ano, e o benefício corporativo de terapia alcançou apenas 11,9% dos respondentes.

Trabalho remoto entra na estratégia de Recursos Humanos

Ao migrar de solução emergencial para política estável, o trabalho remoto passou a integrar a estratégia de Recursos Humanos, porque influencia desde a atração de candidatos até o engajamento no dia a dia, com efeitos percebidos no custo de contratação e no tempo de preenchimento.

Gustavo Loureiro Gomes, fundador e CEO da HUG, descreve essa mudança como uma virada na lógica de contratação e afirma que o tema não se limita ao salário, já que a disputa por talentos passa também por flexibilidade, autonomia e equilíbrio.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Na avaliação do executivo, “a dor da contratação hoje passa cada vez mais pela qualidade de vida que a empresa consegue oferecer”, e o home office, segundo ele, deixou de ser temporário para virar diferencial competitivo na atração e retenção de profissionais.

Com isso, decisões sobre o modelo presencial, híbrido ou remoto tendem a ganhar peso no employer branding, porque o formato de trabalho se torna parte do que a empresa promete ao empregado, e esse compromisso entra no radar já na etapa de recrutamento.

Saúde mental no home office acende alerta nas empresas

Embora muitos respondentes associem o home office a benefícios práticos, como mais tempo e menos deslocamento, o levantamento aponta que a experiência não é uniforme e pode incluir efeitos indesejados, a exemplo de isolamento e jornadas extensas.

No recorte de saúde mental, a pesquisa indica que a ansiedade foi o sintoma mais citado, com 51,5%, seguida por dificuldade de concentração, com 47%, e sensação de exaustão ou burnout, mencionada por 39,6%, em um quadro de alta recorrência.

A leitura do estudo sugere um desafio operacional para as empresas: ao mesmo tempo em que o trabalho remoto é visto como fator de bem-estar por parte relevante dos profissionais, a rotina tende a exigir mecanismos claros de suporte para evitar sobrecarga.

Raquel Nunes, especialista em Recursos Humanos na HUG, atribui parte do problema à ausência de estruturas corporativas adaptadas ao novo formato e afirma que, sem suporte emocional, a flexibilidade pode produzir profissionais exaustos, isolados e menos produtivos.

Apoio terapêutico corporativo ainda é limitado

No acesso ao cuidado, o levantamento mostra que metade dos profissionais paga acompanhamento psicológico com recursos próprios, enquanto apenas 11,9% dizem contar com terapia oferecida pela empresa, num indicativo de que o apoio formal ainda é restrito.

Outros 26,1% afirmaram que já fizeram terapia, mas interromperam o processo, e 11,9% disseram nunca ter buscado apoio, números que ajudam a dimensionar o espaço entre a demanda percebida e o que é efetivamente disponibilizado.

A combinação entre alta prevalência de sintomas e baixa cobertura de benefícios terapêuticos reforça que o tema deixou de ser periférico, porque a saúde mental aparece como variável ligada a produtividade, retenção e, em última instância, à sustentabilidade do modelo.

Nesse contexto, o home office tende a se manter como um diferencial desejado por muitos profissionais, mas a pesquisa indica que, sem políticas consistentes de cuidado, a promessa de qualidade de vida pode conviver com um cotidiano de pressão emocional.

Se o trabalho remoto já virou parte do pacote de valor oferecido ao empregado, que medidas concretas as empresas estão dispostas a adotar para ampliar o suporte psicológico além do discurso e reduzir o descompasso mostrado pelo levantamento?

Inscreva-se
Notificar de
guest
1 Comentário
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Thales
Thales
16/02/2026 15:13

Indiscutivelmente home office é qualidade de vida. É comer a comida de qualidade de casa, é poder tirar um cochilo de 20 minutos pós almoço, é não se estressar com trânsito, a roupa nao separada, ter mais tempo para si e para a família (tempo que seria perdido em deslocamento), é energia e dinheiro poupados, é ter um sono melhor (ao invés de acordar 5:30 para ir ao trabalho, dá para acordar 7:30 tranquilo!!!)

No entanto, exige disciplina, exige saber separar e exige ter boa estrutura de trabalho em casa.

No meu caso, não largo o home de jeito nenhum. Teria que ter um diferencial muito grande, pois o home office dá um ganho absurdo em qualidade de vida. Você toma de volta muito tempo de vida que perderia anualmente se tivesse que ir até o trabalho! Essa é a verdade. É ter mais tempo para viver.

Mas como disse, tem uns pré-requisitos ai .

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
1
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x