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De carro e moto a operadora de caminhão de 15 metros: ela trabalha a 4.800 m de altitude na mina de ouro Veladero, na Argentina, onde 16% são mulheres

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 29/06/2026 às 22:51 Atualizado em 29/06/2026 às 22:55
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De carro e moto a operadora de caminhão de 15 m: mulher trabalha a 4.800 m na mina de ouro Veladero, na Argentina, e a mineração já tem 16% de mulheres.
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Mariana só tinha dirigido carro e moto antes de virar operadora de caminhão na mineração. Hoje ela conduz veículos de 15 metros a quase 4.800 m de altitude na mina de ouro Veladero, na Argentina, onde as mulheres já são cerca de 16% do quadro, fruto de um programa de formação.

A maior máquina que ela dirigia cabia em uma garagem; hoje, mede 15 metros. Mariana Olivares trocou o carro e a moto por gigantescos caminhões fora de estrada e virou operadora de caminhão na mineração, trabalhando a quase 4.800 metros de altitude na mina de ouro Veladero. A história foi contada pela rádio Cadena 3.

O caso é também um retrato de mudança no setor. Em Veladero, na cordilheira de San Juan, na Argentina, as mulheres já representam cerca de 16% da força de trabalho, número que cresce a cada ano. Boa parte delas chegou ali justamente para operar os caminhões da mina.

Por trás dos números, há histórias de superação técnica como a de Mariana. Ela conta que o primeiro sentimento diante das máquinas foi medo, mas que o treino e a prática trouxeram confiança. A seguir, veja como uma motorista comum virou operadora de caminhão em uma das minas mais altas do mundo.

Quem é Mariana Olivares, a operadora de caminhão de Veladero

A trajetória de Mariana começou bem longe da mineração. Antes de entrar em Veladero, ela só tinha dirigido carro e moto, veículos do dia a dia, sem nenhuma experiência com máquinas pesadas. A ideia de conduzir um caminhão gigante parecia, no início, algo distante da realidade dela.

Foi um programa de formação que abriu a porta. Por meio de um treinamento voltado a mulheres, Mariana aprendeu a operar os enormes caminhões fora de estrada usados na mina. O que era um mundo desconhecido virou profissão, e hoje ela soma cerca de três anos como operadora de caminhão.

O começo, porém, não foi fácil de encarar. “A primeira coisa é o medo”, admitiu Mariana à Cadena 3, lembrando como o tamanho descomunal das máquinas a impressionou no início. Não é para menos: sentar na cabine de um veículo de 15 metros exige vencer um susto natural.

Com o tempo, o medo deu lugar à segurança. “Pensei várias vezes que não ia conseguir”, contou ela, mas explicou que o treino e a repetição foram construindo sua confiança aos poucos. Hoje, Mariana é parte do time que mantém a mina de ouro funcionando, prova de que a barreira era mais mental do que real.

O caso dela acontece em um momento de expansão da mineração na Argentina. A província de San Juan virou um dos principais polos de extração de ouro do país, atraindo investimentos e gerando empregos. É nesse cenário de crescimento que histórias como a de Mariana se multiplicam, dentro e fora das cabines.

Caminhões de 15 metros a quase 4.800 m de altitude

De carro e moto a operadora de caminhão de 15 m: mulher trabalha a 4.800 m na mina de ouro Veladero, na Argentina, e a mineração já tem 16% de mulheres.
De carro e moto a operadora de caminhão de 15 m: mulher trabalha a 4.800 m na mina de ouro Veladero, na Argentina, e a mineração já tem 16% de mulheres.

O ambiente de trabalho de Mariana é extremo em todos os sentidos. A mina de ouro Veladero fica na cordilheira dos Andes, em San Juan, na Argentina, em altitudes que variam de 4.000 a 4.850 metros. Nesse cenário de ar rarefeito e frio intenso, ela passa o turno conduzindo um dos maiores veículos que existem.

Os caminhões impressionam pelo tamanho. As máquinas que Mariana opera têm cerca de 15 metros de comprimento e 7 metros de altura, verdadeiros prédios sobre rodas. Esses caminhões fora de estrada são feitos para carregar enormes cargas de minério dentro da mina, em trajetos longos e repetitivos.

Para ter ideia da escala, basta olhar a carga. Caminhões fora de estrada desse porte costumam transportar dezenas, às vezes centenas, de toneladas de minério por viagem, mais do que o peso de vários ônibus juntos. Cada manobra da operadora de caminhão move um volume de rocha que seria impossível de tirar manualmente.

A rotina também é puxada. Mariana cumpre turnos de 12 horas, alternando períodos de dia e de noite, em um regime de 14 dias de trabalho seguidos por 14 dias de folga. É o esquema típico da grande mineração, em que a operação não pode parar e os funcionários vivem na própria montanha durante o expediente.

Operar nessas condições exige preparo redobrado. Além de dominar a máquina, a operadora de caminhão precisa lidar com a altitude, que afeta o corpo, e com riscos próprios de uma mina ativa. Por isso, treinamento e segurança são levados a sério, e a experiência de Mariana mostra que mulheres dão conta do recado.

“Pensei que não ia conseguir”: o medo que virou confiança

A história de Mariana é, antes de tudo, sobre aprendizado técnico. O medo inicial diante das máquinas é uma reação comum, e o que a fez avançar não foi um dom mágico, e sim horas de treino e prática. Esse processo é o que transforma uma motorista comum em operadora de caminhão de mina.

A integração com os colegas também ajudou. “Sempre me integraram bem”, afirmou Mariana, indicando que encontrou um ambiente de respeito no time. Em um setor historicamente masculino, sentir-se parte do grupo faz diferença para quem está quebrando um estereótipo.

O relato dela desmonta a ideia de que esse trabalho seria coisa de homem. Conduzir um caminhão gigante na mineração depende de técnica, atenção e responsabilidade, qualidades que não têm gênero. A presença crescente de mulheres em Veladero é a prova prática disso.

Casos assim funcionam como referência para outras pessoas. Quando uma motorista de carro e moto vira operadora de caminhão em uma mina de ouro a 4.800 metros, fica mais fácil para outras mulheres imaginarem que também podem. O exemplo de Mariana abre caminho para quem vem depois.

Mulheres já são 16% do quadro: os números da mudança

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A história individual se apoia em uma transformação maior. Segundo informações do TiempodesanJuan, em Veladero, as mulheres já somam cerca de 16% de toda a força de trabalho direta, o equivalente a mais de 200 funcionárias. Para uma mina de ouro em região remota, é uma marca expressiva e em crescimento.

O avanço fica ainda mais claro na comparação com o passado. Há poucos anos, em 2020, as mulheres representavam apenas cerca de 5% do quadro da mina. O salto para perto de 16% mostra uma mudança rápida, resultado de políticas deliberadas para abrir o setor a elas.

Segundo informações do Cadena 3, no posto de operadora de caminhão, a presença feminina é ainda maior. Segundo dados da operação, Veladero conta com 128 mulheres operando caminhões fora de estrada, o que representa cerca de 30% do total de profissionais dessa área estratégica. Ou seja, em alguns setores a participação já passa de um terço.

Esses números não surgiram por acaso. Eles refletem um esforço da empresa para recrutar e treinar mulheres, especialmente das comunidades próximas à mina. A mineração, antes vista como um mundo fechado, começou a se abrir de forma concreta e mensurável.

Vários fatores explicam essa virada. Pressão por mais diversidade, escassez de mão de obra qualificada e os bons resultados das primeiras operadoras ajudaram a convencer a empresa a investir nas mulheres. O que começou como uma aposta acabou virando política consolidada na mina de ouro.

O programa que forma mulheres operadoras na mineração

A porta de entrada para muitas dessas trabalhadoras é um programa específico. Veladero criou um programa de formação de mulheres operadoras de caminhões fora de estrada, que virou uma das principais vias de acesso delas à mineração. Foi por esse caminho que profissionais como Mariana chegaram à cabine.

O treinamento é completo e leva tempo. Ao todo, o programa dura cerca de seis meses, sendo um mês de etapa teórica e cinco meses de fase prática dentro da própria mina. Assim, a futura operadora de caminhão aprende não só a teoria, mas também a lidar com as máquinas reais no ambiente de trabalho.

A iniciativa já soma várias edições e dezenas de formadas. Desde 2021, ao longo de cinco edições, o programa formou cerca de 115 mulheres, e novas turmas seguem sendo abertas. O recrutamento é voltado a mulheres maiores de 18 anos que moram em Iglesia e Jáchal, as regiões vizinhas à mina de ouro.

Esse foco local tem um efeito importante. Ao priorizar moradoras das comunidades próximas, o programa transforma a mineração em oportunidade de renda para a região, e não só em extração de ouro. É uma forma de espalhar os benefícios da mina entre as famílias que vivem ao redor dela.

Para muitas dessas mulheres, o programa significou a primeira carteira assinada em um emprego qualificado. Em regiões de poucas oportunidades, virar operadora de caminhão representa um salto de renda e de autonomia. O efeito vai além de quem dirige, alcançando famílias inteiras nas comunidades vizinhas à mina.

De operadora a chefia: mulheres em cargos de liderança

A mudança em Veladero não se limita às cabines dos caminhões. Aos poucos, as mulheres também passaram a ocupar funções de supervisão e liderança na operação, deixando de estar apenas na ponta da execução. Desde 2023, várias delas integram equipes de comando da mina.

Isso muda a lógica do setor por dentro. Quando há mulheres em cargos de decisão, novas referências surgem para quem está começando, e o ambiente tende a se tornar mais diverso de cima a baixo. A presença feminina deixa de ser exceção pontual e vira parte da estrutura.

Para a operadora de caminhão que sonha em crescer, esse cenário é animador. Saber que existe caminho para chegar à supervisão ou à gestão dá sentido de carreira, e não apenas de emprego. A trajetória dentro da mineração passa a ser uma possibilidade real.

No fim, a diversidade vira também uma questão de eficiência. Empresas do setor têm percebido que equipes mistas, com mulheres em diferentes níveis, costumam trazer ganhos de segurança e de clima de trabalho. Abrir espaço deixou de ser só discurso e virou estratégia na mina de ouro.

Esse efeito tende a se acelerar com o tempo. Cada uma das mulheres que assume um cargo de comando inspira outras a tentar, criando um ciclo que reforça a própria diversidade. Em Veladero, o que era raro há cinco anos já virou parte do dia a dia da mineração.

Como funciona a mina de ouro Veladero

Para entender o feito, vale conhecer o lugar. Veladero é uma grande mina de ouro a céu aberto localizada na província de San Juan, no oeste da Argentina, em plena cordilheira dos Andes. Operada pela mineradora Barrick, ela está entre as mais importantes do país.

A operação funciona sem parar. Como muitas grandes minas, Veladero opera 24 horas por dia, todos os dias do ano, com turnos que se revezam para manter a extração contínua. É praticamente uma cidade na montanha, com alojamentos, refeitórios e infraestrutura para os trabalhadores.

Veladero também tem peso econômico para a Argentina. A exportação de ouro é uma fonte importante de divisas para o país, e minas como essa respondem por boa parte da produção nacional. Por isso, o que acontece na cordilheira de San Juan repercute bem além das montanhas.

A altitude torna tudo mais desafiador. Trabalhar acima dos 4.000 metros exige adaptação do corpo, cuidados com a saúde e equipamentos preparados para o frio e a baixa pressão. É nesse ambiente que a mineração de ouro acontece, movimentando toneladas de rocha todos os dias.

Nesse contexto, cada operadora de caminhão é peça essencial. São esses veículos gigantes que transportam o minério dentro da mina, alimentando todo o processo de extração do ouro. Sem eles, e sem quem os conduz, a mina de ouro simplesmente não funcionaria.

O que isso tem a ver com o Brasil

O Brasil vive um debate parecido na sua mineração. Grandes empresas do setor, como a Vale, mantêm programas para atrair mulheres a funções tradicionalmente masculinas, de operadoras de equipamentos a engenheiras e técnicas. A meta é reduzir um desequilíbrio histórico entre homens e mulheres nos canteiros e nas minas.

A realidade brasileira ainda mostra um longo caminho. Apesar dos avanços, as mulheres seguem sendo minoria em boa parte da indústria pesada do país, o que torna exemplos como o de Veladero úteis como inspiração e parâmetro. Ver uma operadora de caminhão consolidada mostra que a mudança é possível.

Em minas brasileiras, já há mulheres operando caminhões gigantes em lugares como Carajás, no Pará. Programas de formação parecidos com o de Veladero vêm sendo adotados por mineradoras daqui, que buscam ampliar a presença feminina em funções operacionais. A diferença, muitas vezes, está na escala e na velocidade da mudança.

Há também o peso econômico do setor por aqui. A mineração é uma das principais atividades da economia brasileira, e abrir mais vagas a mulheres significa ampliar a base de talentos disponível. Diversidade, nesse caso, conversa diretamente com produtividade e com a falta de mão de obra qualificada.

Por fim, fica a lição sobre formação e comunidade. O modelo de treinar moradoras locais para a mina de ouro dialoga com a discussão brasileira sobre como fazer a riqueza mineral beneficiar as cidades onde a extração acontece. Qualificar a população vizinha é uma forma concreta de espalhar os ganhos do ouro.

E você, encararia um caminhão de 15 metros?

A história de Mariana Olivares mostra como técnica e oportunidade derrubam estereótipos. De motorista de carro e moto, ela virou operadora de caminhão de 15 metros a quase 4.800 metros de altitude na mina de ouro Veladero, na Argentina, onde as mulheres já são cerca de 16% do quadro. Tudo isso a partir de um programa de formação e de muita prática.

E você, teria coragem de operar um caminhão gigante no alto da cordilheira? Conta aqui nos comentários o que achou da história de Mariana e se acredita que a mineração brasileira vai abrir cada vez mais espaço para as mulheres.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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