Ibitoye Olajide Michael construiu um carro com sucata, papelão, fibra de vidro e motor Volkswagen.
Aos 19 de outubro de 2020, Ibitoye Olajide Michael, de Ibadan, na Nigéria, colocou nas ruas um protótipo automotivo iniciado em 2017 e construído com sucata metálica, papelão, fibra de vidro, espuma de poliuretano e um motor 1.6 da Volkswagen. O projeto chamou atenção por reunir fabricação artesanal, reaproveitamento de materiais e montagem funcional fora de uma estrutura industrial.
O caso se conecta a uma discussão maior sobre a indústria automotiva nigeriana. Embora o país tente ampliar a produção local de veículos, a cadeia ainda convive com forte dependência de importados, baixa integração de fornecedores e dificuldade para transformar capacidade técnica dispersa em manufatura de escala.
Protótipo automotivo de Ibadan foi construído com sucata, papelão, fibra de vidro e motor Volkswagen
Segundo o TheCable, Michael começou a construir o carro em 2017 e usou papelão para definir a forma da carroceria antes da aplicação de fibra de vidro, além de espuma de poliuretano e barras metálicas para a estrutura. Ele também afirmou ter feito o estofamento e os bancos do veículo por conta própria.
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O mesmo relato informa que o carro tinha dois eixos, escapamento duplo e carroceria em fibra de vidro. Já o Guardian Nigeria acrescentou que o protótipo operava com tração traseira, motor traseiro e um motor 1.6 da Volkswagen, configuração incomum para um projeto artesanal.
Carro construído com papelão, fibra de vidro, espuma de poliuretano e motor Volkswagen virou símbolo de improviso técnico
Os materiais usados são uma das partes mais impressionantes do caso. Ao TheCable, Michael explicou que utilizou papelão como base para o formato do carro antes da aplicação de fibra de vidro, além de espuma de poliuretano para as curvas e metais acessíveis para montar o chassi. Ele também afirmou ter feito por conta própria o estofamento e o banco do veículo, deixando de fora apenas a parte elétrica.
O carro também reúne características pouco comuns em um projeto artesanal. TheCable informou que o protótipo tinha dois eixos, escapamento duplo, previsão de duas unidades de radiador e portas do tipo gull wing no plano de finalização, além de carroceria em fibra de vidro.
Já o The Guardian Nigeria acrescentou que o veículo é de tração traseira, com o motor posicionado na parte de trás, e funciona com um motor 1.6 da Volkswagen. Segundo o jornal, o arranjo lembrava visualmente alguns modelos esportivos, embora o projeto fosse inteiramente independente.
Projeto automotivo começou em 2017, enfrentou falta de dinheiro e só chegou às ruas depois de anos de trabalho manual
A falta de recursos foi um dos maiores entraves. Ao TheCable, Michael disse que já havia gasto pelo menos 450 mil nairas no projeto e que ainda precisaria de cerca de 800 mil nairas para concluir o carro da forma que imaginava.
O percurso também exigiu aprendizado técnico na marra. The Guardian Nigeria registrou que, no início da construção, Michael precisou aprender a soldar melhor e chegou a ficar parcialmente cego por quatro dias por causa de faíscas de soldagem que atingiram seus olhos sem proteção adequada. Depois da recuperação, seguiu trabalhando no protótipo.
Para financiar a montagem, o jornal relatou ainda que ele passou a economizar parte do dinheiro que recebia e continuou guardando recursos durante o período do National Youth Service Corps, o programa obrigatório de serviço nacional para graduados na Nigéria. Esse esforço foi decisivo para manter a construção até o carro chegar às ruas em 2020.
Inventor de Ibadan também criou moto, gerador com bateria e outros protótipos fora da indústria automotiva tradicional
O carro não foi a única experiência de Michael. Em entrevista ao TheCable, ele afirmou já ter testado outros projetos, como uma moto, um gerador movido a bateria DC, uma lâmpada LED sem fio, um relógio de pulso feito com palha e papelão, um sistema de ar-condicionado com gelo e até experiências com geração de eletricidade por água salgada.

Esse conjunto de tentativas ajuda a entender que o carro não surgiu de forma isolada. O projeto automotivo foi o mais visível, mas fazia parte de uma rotina de invenções improvisadas, construídas com materiais simples e com forte componente experimental.
O protótipo construído em Ibadan não pertence à indústria formal, mas ajuda a iluminar um problema estrutural da Nigéria: transformar conhecimento prático, inventividade e fabricação de baixo custo em produção automotiva mais robusta.
Num ambiente em que a cadeia ainda depende fortemente de peças importadas e opera abaixo da capacidade, projetos independentes acabam revelando tanto potencial técnico quanto limitações do setor.


