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O homem por trás do ChatGPT apostou centenas de milhões de dólares que a fusão nuclear vai funcionar — e a Microsoft já comprou a energia de um reator que ainda não existe

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 18/04/2026 às 21:37 Atualizado em 18/04/2026 às 21:40
Laboratório da Helion Energy com protótipo de reator de fusão nuclear compacto
Helion Energy recebeu US$ 612 milhões em capital de risco e promessa de US$ 1,8 bilhão adicional
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Sam Altman investiu centenas de milhões na Helion Energy, a OpenAI negocia comprar 12,5% de toda a energia que a empresa produzir, e a Microsoft já assinou contrato para receber 50 MW de um reator que ainda não gerou um único watt — a aposta mais ousada da história da fusão nuclear

O homem que criou o ChatGPT tem um problema.

Os data centers que alimentam a inteligência artificial consomem quantidades absurdas de energia.

E Sam Altman acredita que só existe uma solução de longo prazo: fusão nuclear.

Por isso, ele investiu US$ 375 milhões na Helion Energy, uma startup que promete gerar eletricidade a partir de fusão até 2028.

Data center massivo com servidores consumindo energia
A OpenAI negocia garantir 12,5% de toda a produção da Helion — equivalente a 5 GW até 2030, energia suficiente para milhões de residências

Os números que assustam

  • US$ 375 milhões: investimento pessoal de Sam Altman na Helion
  • US$ 500 milhões: rodada Series E em 2021, liderada por Altman
  • US$ 612 milhões: total levantado em capital de risco
  • US$ 425 milhões: rodada adicional em janeiro de 2025
  • US$ 1,8 bilhão: promessa de financiamento condicionado a marcos técnicos
  • 12,5%: fatia da produção que OpenAI quer garantir
  • 5 GW até 2030 e 50 GW até 2035: projeções da Helion

Microsoft já comprou energia que não existe

Em maio de 2023, a Microsoft assinou um acordo histórico com a Helion.

A empresa de Bill Gates vai receber até 50 megawatts de energia limpa da Helion.

A entrega está programada para 2028.

O contrato inclui penalidades financeiras se a Helion não cumprir o cronograma.

É o primeiro PPA (Power Purchase Agreement) da história para energia de fusão nuclear.

Laboratório da Helion Energy com protótipo de reator de fusão
A Helion já recebeu US$ 612 milhões em capital de risco e promessa de US$ 1,8 bilhão adicional condicionado ao cumprimento de marcos técnicos

OpenAI quer 12,5% de toda a produção

Em março de 2026, o Axios revelou que a OpenAI está em negociações avançadas para comprar 12,5% de toda a energia que a Helion produzir.

Isso significa que, se a Helion atingir 5 GW até 2030, a OpenAI teria 625 MW garantidos — energia suficiente para alimentar centenas de milhares de GPUs treinando modelos de IA.

Altman recentemente renunciou como presidente do conselho da Helion e se afastou das negociações para evitar conflito de interesses.

O que Altman disse em Davos

No Fórum Econômico Mundial, Altman declarou: “Não há maneira de chegar lá sem um avanço. Precisamos de fusão ou precisamos de energia solar radicalmente mais barata mais armazenamento ou algo nesse nível massivo.”

Para ele, a IA exige uma revolução energética — e a fusão é a aposta.

Google apostou no concorrente

Enquanto Altman aposta na Helion, o Google fechou acordos com a Commonwealth Fusion Systems, incluindo contrato para 200 megawatts de energia.

Além disso, investidores como SoftBank, Mithril Capital (de Peter Thiel) e Dustin Moskovitz (cofundador do Facebook) também apostam na Helion.

Reator de fusão nuclear compacto com plasma brilhante
A Helion está perto do scientific breakeven — o ponto em que a fusão produz mais energia do que consome, marco que nenhuma empresa privada alcançou

Ressalvas importantes

Nenhuma empresa privada alcançou o “scientific breakeven” — o marco em que a fusão produz mais energia do que consome.

As discussões com a OpenAI estão em estágio preliminar, com condições ainda a serem satisfeitas.

A Helion está otimista, mas a tecnologia de fusão nuclear comercial nunca foi viabilizada por nenhuma entidade no mundo.

Além disso, o Projeto Stargate (Microsoft-OpenAI) que consumiria essa energia tem custo projetado de até US$ 100 bilhões.

Ainda assim, quando o CEO da empresa de IA mais valiosa do mundo investe centenas de milhões do próprio bolso em fusão nuclear, o mercado presta atenção.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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