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Helicóptero da Polícia Federal despeja 12 mil kg de sementes no Brasil em operação aérea de reflorestamento que transforma sacos de sementes em chuva verde e mira plantar 100 milhões de árvores até 2030, começando por áreas no Paraná

Escrito por Ana Alice
Publicado em 03/06/2026 às 17:37
Atualizado em 03/06/2026 às 17:46
Assista o vídeoHelicóptero lança 12 mil kg de sementes no Paraná em ação de reflorestamento ligada à meta de plantar 100 milhões de árvores. (Imagem: Ilustrativa)
Helicóptero lança 12 mil kg de sementes no Paraná em ação de reflorestamento ligada à meta de plantar 100 milhões de árvores. (Imagem: Ilustrativa)
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Operação aérea no Paraná espalha toneladas de sementes nativas e integra um plano nacional de reflorestamento do MST, com ações em reservas legais, escolas, viveiros, assentamentos e áreas degradadas.

Uma operação de semeadura aérea no Paraná lançou cerca de 12 mil quilos de sementes de palmeira-juçara e araucária sobre áreas de reserva legal vinculadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

A ação, feita com apoio de helicóptero da Polícia Rodoviária Federal, integra o plano do MST de plantar 100 milhões de árvores até 2030 em diferentes regiões do país.

A imagem dos sacos de sementes despejados em pleno voo passou a ser associada à expressão “chuva verde”, usada para descrever a dispersão em larga escala de espécies nativas sobre áreas em processo de recomposição.

O método permite espalhar grande volume de sementes em menos tempo do que o plantio manual, especialmente em áreas extensas ou de acesso mais difícil.

A iniciativa faz parte do Plano Nacional Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis, lançado pelo MST em 2020.

A proposta reúne ações de restauração ambiental, formação de agroflorestas, construção de viveiros, distribuição de mudas em escolas do campo e parcerias com universidades, órgãos públicos e entidades locais.

Segundo o movimento, até o fim de 2023 haviam sido plantadas 25 milhões de árvores, com 300 viveiros criados e 15 mil hectares de áreas degradadas recuperados.

Esses números fazem parte do balanço divulgado pelo próprio MST sobre o avanço do plano nacional.

Como funciona a semeadura aérea no Paraná

A semeadura aérea usada no Paraná consiste em lançar sementes em grande quantidade sobre áreas selecionadas para recuperação ambiental.

Para que a técnica seja aplicada, é necessário definir previamente as espécies, separar os lotes de sementes, identificar as áreas de lançamento e acompanhar o desenvolvimento das plantas após a germinação.

Entre as espécies usadas na operação estão a palmeira-juçara e a araucária, ambas associadas a formações de Mata Atlântica no Sul do Brasil.

A escolha dessas plantas está relacionada à presença delas em ecossistemas nativos e ao papel que exercem na alimentação de animais silvestres.

A palmeira-juçara produz frutos consumidos por aves e outros animais, que também participam da dispersão natural de sementes.

A araucária, por sua vez, produz o pinhão, alimento de espécies da fauna e também presente na cultura alimentar de diferentes regiões do Sul.

Pela escala, o lançamento aéreo não substitui outras etapas do reflorestamento.

O acompanhamento de campo continua necessário para verificar germinação, sobrevivência das mudas, competição com outras plantas, condições do solo e proteção da área semeada.

Trabalhadores rurais sem-terra preparam sacos cheios de sementes para serem lançadas de helicóptero da Polícia Federal no assentamento Dom Tomás Balduíno, no estado do Paraná, sul do Brasil –  (Imagem: Reprodução/Gabriela Moncau)
Trabalhadores rurais sem-terra preparam sacos cheios de sementes para serem lançadas de helicóptero da Polícia Federal no assentamento Dom Tomás Balduíno, no estado do Paraná, sul do Brasil – (Imagem: Reprodução/Gabriela Moncau)

Experiência de reflorestamento começou em área do MST no Paraná

A proposta de usar helicóptero para espalhar sementes ganhou força a partir de experiências no pré-assentamento Dom Tomás Balduíno, em Quedas do Iguaçu, no Paraná.

Moradores da região já faziam o lançamento manual de sementes em áreas de reserva e passaram a observar a germinação das plantas.

O pesquisador Josué Evaristo Gomes, filho de assentados e dedicado ao estudo da palmeira-juçara, participou da formulação da proposta.

No relato original, ele afirmou que a ideia parecia “insana” no início, mas foi incorporada pelo movimento após as primeiras experiências locais.

Tarcísio Leopoldo, da direção estadual do MST no Paraná, também atribuiu a confiança na técnica ao conhecimento acumulado pelas famílias rurais sobre a espécie.

Segundo ele, os moradores já conheciam o comportamento da palmeira e haviam observado germinação em grande quantidade nas áreas próximas aos lotes.

A primeira experiência de maior escala ocorreu em junho de 2023, quando foram lançadas cerca de 4 toneladas de sementes de palmeira-juçara.

Na ação seguinte, o volume foi ampliado para 12 toneladas, com inclusão de araucária e monitoramento dos resultados da etapa anterior.

Pesquisadores acompanham germinação das sementes

O acompanhamento acadêmico foi incorporado para avaliar a eficácia da semeadura aérea.

Em áreas monitoradas por pesquisadores ligados à Universidade Federal da Fronteira Sul, foram identificadas milhares de mudas de palmeira-juçara por hectare após o primeiro lançamento.

Segundo os dados divulgados no texto original, o grupo de pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável da UFFS encontrou cerca de 10 mil mudas por hectare.

Em um ano, as plantas haviam germinado e atingido, em média, 14 centímetros de altura.

A medição não elimina a necessidade de acompanhamento por mais tempo.

Em processos de restauração, a sobrevivência das mudas depende de fatores como chuva, luminosidade, solo, presença de animais, controle de plantas competidoras e proteção contra fogo ou pisoteio.

Em 2026, a Jornada da Natureza no Paraná chegou à quarta edição, com previsão de distribuição e semeadura de 30 toneladas de sementes de palmeira-juçara.

Do total previsto, 18 toneladas seriam lançadas por helicóptero, segundo programação divulgada pelo MST.

Viveiros, escolas e agroflorestas sustentam o plano

Apesar da visibilidade da operação aérea, o plano nacional do MST também depende de ações feitas em terra.

Viveiros, mutirões de plantio, sistemas agroflorestais e distribuição de mudas formam a base permanente da estratégia de recomposição ambiental.

Nos viveiros, são produzidas mudas de espécies nativas e frutíferas usadas em assentamentos, acampamentos e áreas de preservação.

Parte das sementes vem do aproveitamento de frutos, como guabiroba, uvaia, ameixa, cereja e jabuticaba, segundo relatos de integrantes do movimento.

Em escolas do campo, estudantes recebem mudas para plantar em casa ou em áreas comunitárias.

No caso da Escola Itinerante Vagner Lopes, no Paraná, o texto original informa que alunos já receberam 15 mil mudas de árvores.

As ações educativas buscam associar o reflorestamento ao cotidiano das comunidades rurais.

Nesse formato, o plantio não ocorre apenas em eventos de grande escala, mas também em atividades acompanhadas por escolas, famílias e organizações locais.

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Parcerias ampliam o reflorestamento no Brasil

O plano conta com parcerias de universidades, órgãos ambientais, viveiros públicos, prefeituras e outras entidades.

No Paraná, a Jornada da Natureza reúne instituições como Universidade Federal da Fronteira Sul, Ibama, Itaipu Binacional, Instituto Água e Terra, Conab e Embrapa, além de organizações locais.

Segundo João Flávio, agrônomo e integrante da organização do plano de reflorestamento do MST, parte das ações também ocorre por meio de acordos mediados por secretarias municipais de meio ambiente.

Ele citou parcerias ligadas a compensações ambientais, inclusive no norte do Paraná.

Em outra frente, o MST estabeleceu troca de sementes e mudas com viveiros de Itaipu Binacional, do Instituto Água e Terra e de municípios paranaenses.

O movimento informa que sementes obtidas a partir da extração de polpas de frutas são repassadas a viveiros em troca de mudas.

No estado de São Paulo, uma parceria com a Universidade de São Paulo resultou no Projeto Dandara, voltado à transição agroecológica em territórios de reforma agrária.

A iniciativa envolveu famílias cooperadas dos assentamentos Dandara e Reunidas, em Promissão, e implantou sistemas agroflorestais em 13 hectares.

Áreas degradadas entram no mapa da restauração ambiental

O plano nacional também inclui ações em regiões afetadas por degradação ambiental.

Em Minas Gerais, o MST relata iniciativas em áreas atingidas pelos rompimentos de barragens ligados à mineração.

O desastre de Mariana, em 2015, matou 19 pessoas e impactou a Bacia do Rio Doce.

Em 2019, o rompimento da barragem em Brumadinho deixou ao menos 270 mortos e atingiu comunidades próximas ao Rio Paraopeba.

Após o desastre de Mariana, o movimento firmou acordo com o governo de Minas Gerais e a Fundação Renova, criada para executar medidas de reparação relacionadas aos danos provocados pelo rompimento da barragem.

O projeto prevê assistência técnica a famílias assentadas e ações de recomposição ambiental em áreas de recarga hídrica.

Em Brumadinho, o projeto Plantar Árvores foi lançado um ano após o rompimento da barragem.

Segundo o MST, em uma área de 10 hectares antes contaminada por rejeitos, foram plantadas 30 mil mudas frutíferas de 34 espécies.

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Tobaziano
Tobaziano
04/06/2026 22:09

Lula desmata e manda jogar sementes kkkkkk

Douglas
Douglas
04/06/2026 18:17

O MST controla a PF agora? Daqui uns dias o Lula cria um ministério do MST.

Alfredo
Alfredo
04/06/2026 16:08

No sul a PF reflorestar, no norte o IBAMA troca tiro com acentuados e garimpeiros. Acabamento Brasil, o último apaga luz.

Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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