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Helicóptero Black Hawk de R$ 70 milhões entra na mira do governo após contrato já assinado prever entrega em 12 meses, capacidade para 11 soldados, velocidade de 294 km/h e risco de destelhar casas com força do rotor

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 05/05/2026 às 10:50 Atualizado em 05/05/2026 às 10:59
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Governo do Rio reavalia compra de helicóptero Black Hawk de R$ 70 milhões após dúvidas técnicas, jurídicas e restrições do STF.
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Revisão interna do governo expõe dúvidas técnicas, legais e operacionais sobre helicóptero militar adquirido pela PM do Rio em contrato milionário firmado no fim da gestão anterior, enquanto restrições do STF e riscos em áreas urbanas entram no centro da análise.

O governo do Rio iniciou uma reavaliação sobre a compra de um helicóptero Sikorsky UH-60L Black Hawk, estimada em R$ 70 milhões, em meio a questionamentos técnicos e jurídicos que passaram a ser analisados pela Casa Civil sem prazo definido para conclusão.

Segundo o secretário Flávio Willeman, a verificação envolve aspectos operacionais e legais do contrato já assinado, o que inclui a adequação da aeronave às necessidades da Polícia Militar e a segurança jurídica do processo de aquisição.

De acordo com o jornal O Globo, anunciada em janeiro pelo então governador Cláudio Castro como “uma aquisição histórica”, a compra previa a chegada do equipamento antes de abril, prazo que não se confirmou, enquanto o contrato formal garante até 12 meses para a entrega.

Governo do Rio reavalia compra do Black Hawk

Com a mudança no comando estadual, a análise ganhou novo peso político e administrativo, passando a integrar uma revisão mais ampla conduzida pela gestão interina sobre contratos firmados nos últimos atos do governo anterior.

À frente do Executivo estadual, Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, determinou que a Casa Civil aprofundasse a avaliação sobre a utilidade prática do helicóptero e os riscos associados ao seu emprego em áreas urbanas.

Entre os pontos sensíveis está o uso do Black Hawk em comunidades densamente povoadas, onde o deslocamento de ar provocado pelas pás do rotor pode gerar impacto direto sobre estruturas frágeis durante operações em baixa altitude.

Governo do Rio reavalia compra de helicóptero Black Hawk de R$ 70 milhões após dúvidas técnicas, jurídicas e restrições do STF.
Governo do Rio reavalia compra de helicóptero Black Hawk de R$ 70 milhões após dúvidas técnicas, jurídicas e restrições do STF.

Esse efeito, conhecido como rotor wash, levanta preocupações sobre possíveis danos a residências com telhados leves ou lajes expostas, cenário comum em diversas regiões onde ocorrem ações policiais no estado.

Diante disso, integrantes do governo discutem se o modelo atende de forma adequada às demandas operacionais da corporação sem aumentar riscos à população civil durante intervenções de segurança pública.

Contrato do helicóptero segue válido

Formalizado em fevereiro, o Contrato nº 002/2026 resultou de um Pregão Eletrônico Internacional iniciado em agosto de 2025, dentro das regras previstas na legislação de licitações vigente.

O processo foi conduzido pela área de apoio logístico da Polícia Militar e teve homologação registrada no Tribunal de Contas do Estado em 22 de janeiro, dias antes do anúncio público feito pelo então governador.

Mesmo com a reavaliação em curso, a Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que o contrato permanece em vigor, mantendo as condições originalmente estabelecidas para fornecimento da aeronave.

De acordo com a pasta, a empresa Blue Air Táxi Aéreo Ltda. possui prazo de 12 meses, contado a partir da assinatura, para realizar a entrega do helicóptero previsto no acordo firmado com o governo estadual.

Enquanto isso, a Casa Civil ainda não detalhou publicamente quais aspectos específicos estão sendo examinados, e a empresa contratada não se manifestou sobre eventual revisão ou andamento da aquisição.

STF impõe regras ao uso de helicópteros em favelas

A possível incorporação do Black Hawk ocorre em um contexto de restrições judiciais estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal sobre o uso de aeronaves em operações policiais no Rio de Janeiro.

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A ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, determinou que helicópteros só podem ser utilizados em situações de estrita necessidade, com justificativas formais e controle institucional posterior.

Ao concluir o julgamento de mérito em abril de 2025, o STF manteve essas limitações e reforçou a exigência de protocolos específicos para o uso de meios aéreos, blindados e drones em ações de segurança pública.

Além disso, ficou estabelecida a obrigatoriedade de comunicação ao Ministério Público em determinadas circunstâncias, o que amplia o controle sobre operações realizadas em áreas consideradas sensíveis.

Nesse cenário, a adoção de uma aeronave de grande porte como o Black Hawk exige compatibilização com regras que restringem o uso de força e impõem critérios rigorosos para atuação policial em territórios vulneráveis.

Características do helicóptero Black Hawk

Desenvolvido nos Estados Unidos, o Sikorsky UH-60L Black Hawk é um helicóptero militar bimotor voltado para transporte tático, infiltração e retirada de tropas, além de missões de evacuação aeromédica e apoio a operações especiais.

Com velocidade máxima de 294 km/h e autonomia aproximada de 590 quilômetros, o modelo pode transportar até quatro tripulantes e 11 soldados equipados, sendo amplamente utilizado por forças armadas em diferentes países.

A unidade prevista para a Polícia Militar do Rio é usada e deverá receber blindagem reforçada, embora não inclua sistemas militares sensíveis, como contramedidas contra mísseis ou armamento lateral, por restrições legais dos Estados Unidos.

Para viabilizar a operação, pilotos do Grupamento Aeromóvel foram enviados ao exterior com o objetivo de realizar treinamento e inspeções técnicas, etapa considerada essencial para a eventual incorporação da aeronave.

Caso a compra seja mantida, a PMERJ poderá se tornar a primeira polícia estadual do país a operar um helicóptero desse porte, ampliando significativamente a capacidade tática da corporação.

Atualmente, a frota inclui modelos como Bell Huey II, Leonardo AW169, AW119 e Airbus/Helibras H125 Esquilo, que possuem menor capacidade de transporte e alcance operacional em comparação ao Black Hawk.

Crise política influencia revisão do contrato

A decisão de revisar o contrato ocorre em meio a um cenário político instável, marcado por mudanças na liderança do governo estadual após a saída de Cláudio Castro do cargo.

O ex-governador renunciou em março de 2026, antes da conclusão de julgamento no Tribunal Superior Eleitoral relacionado a acusações envolvendo o chamado escândalo do Ceperj.

Posteriormente, o TSE declarou Castro inelegível, mas registrou que o mandato não foi cassado porque ele já havia deixado a função, determinando ainda a realização de nova eleição para o Executivo estadual.

Com a vacância simultânea nos cargos de governador e vice, a chefia do Executivo passou a ser exercida interinamente por Ricardo Couto, conforme a linha sucessória vigente.

Em decisão proferida em abril de 2026, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, manteve Couto no cargo até nova definição sobre o modelo de eleição para o mandato-tampão.

A disputa institucional também envolveu a Assembleia Legislativa, que chegou a indicar o presidente da Casa para assumir o governo, mas teve a pretensão afastada por decisão do STF.

Inserida nesse contexto, a análise do contrato do Black Hawk passou a integrar um conjunto mais amplo de revisões administrativas, concentradas em atos assinados nos momentos finais da gestão anterior.

Embora não represente, até o momento, um cancelamento da compra, o exame em curso evidencia o impacto financeiro e operacional da aquisição, além da necessidade de compatibilização com normas judiciais e estratégias de segurança pública.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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