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Havan compra terreno histórico do futebol de Blumenau por valor milionário protegido por cláusula de sigilo e já planeja mudar até o traçado de ruas para erguer megaloja com estilo enxaimel de 80 milhões de reais

Publicado em 01/04/2026 às 16:50
Atualizado em 01/04/2026 às 16:52
A Havan comprou o terreno do antigo estádio de Blumenau e ergue megaloja em estilo enxaimel de R$ 80 milhões no Centro Histórico. Rua pode mudar de traçado.
A Havan comprou o terreno do antigo estádio de Blumenau e ergue megaloja em estilo enxaimel de R$ 80 milhões no Centro Histórico. Rua pode mudar de traçado.
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O terreno onde funcionava o Estádio Aderbal Ramos da Silva foi adquirido pela Havan para ampliar o estacionamento da megaloja em construção no Centro Histórico de Blumenau, a primeira unidade da rede em estilo enxaimel, com investimento estimado em R$ 80 milhões e inauguração prevista para maio de 2026.

O terreno onde funcionava o antigo Estádio Aderbal Ramos da Silva, na Alameda Duque de Caxias, a famosa Rua das Palmeiras de Blumenau, foi vendido por um valor milionário que ninguém pode divulgar. Uma cláusula contratual de sigilo impede a revelação do preço. De acordo com o portal ndmais, o comprador é a Havan, que pretende usar o espaço para ampliar o estacionamento da megaloja em construção no Centro Histórico da cidade, um empreendimento estimado em R$ 80 milhões. O terreno pertenceu ao Blumenau Esporte Clube (BEC) e por décadas foi palco de partidas do Campeonato Catarinense antes de o estádio ser demolido em 2007.

Mas a compra do terreno do antigo estádio não é o detalhe mais surpreendente desta história. Com a aquisição concluída, a Havan protocolou junto à Secretaria Municipal de Planejamento um pedido formal para alterar o traçado da rua Oscar Jenichen, que cortava o espaço recém-comprado. A proposta prevê o deslocamento da via alguns metros adiante, permitindo a integração total do terreno ao complexo da megaloja. O pedido segue em análise técnica na prefeitura e ainda não há decisão definitiva. Enquanto isso, as obras da megaloja avançam em ritmo acelerado.

O estádio que virou estacionamento da Havan

imagem: redes sociais

O Estádio Aderbal Ramos da Silva tinha capacidade para cerca de 4 mil pessoas e foi palco de partidas do Campeonato Catarinense entre as décadas de 1970 e 2000. Para quem acompanhou o futebol de Blumenau naquele período, o local era um símbolo da cidade.

Em 2007, o estádio foi demolido e o terreno permaneceu desocupado por quase duas décadas, até que a Havan concluiu a negociação.

Com a venda, o espaço que por décadas carregou a memória do futebol blumenauense ganha uma função completamente diferente: servir de estacionamento para uma megaloja.

A negociação ocorreu em meio ao avanço do projeto da nova unidade da Havan na cidade. O terreno do antigo estádio fica em frente ao local onde a megaloja está sendo construída, na esquina da Alameda Duque de Caxias com a rua Oscar Jenichen, uma das áreas de maior circulação de Blumenau.

O valor exato da transação não pode ser revelado devido a uma cláusula contratual de sigilo, mas fontes ligadas ao negócio confirmam que se trata de cifra milionária.

A Havan quer mudar o traçado de uma rua para a megaloja

Com a compra do terreno do antigo estádio concluída, a Havan deu um passo que chamou a atenção da prefeitura e dos moradores de Blumenau. A empresa protocolou um pedido formal para modificar o traçado da rua Oscar Jenichen, que atualmente corta o espaço adquirido.

A proposta prevê deslocar a via alguns metros adiante, de modo a integrar completamente o terreno à estrutura do estacionamento da megaloja.

Segundo a prefeitura de Blumenau, a solicitação está em análise técnica e ainda não há decisão definitiva. O caso gera discussão porque o empreendimento está inserido no perímetro do Centro Histórico, uma área sujeita a regras rígidas de preservação urbanística e cultural.

Alterar o traçado de uma rua em uma zona protegida para acomodar um empreendimento privado da Havan não é trivial, e a decisão da prefeitura será acompanhada de perto por moradores e comerciantes da região.

Pela primeira vez, a Havan abandona a Casa Branca

Quem conhece a Havan sabe que todas as megalojas da rede seguem o mesmo padrão visual: fachadas inspiradas na Casa Branca dos Estados Unidos, com colunas neoclássicas e, em muitos casos, uma réplica da Estátua da Liberdade na entrada.

Esse visual se tornou marca registrada da empresa desde que Luciano Hang se encantou com a Casa Branca durante uma viagem e decidiu replicar o estilo na sede de Brusque, em 1994.

Em Blumenau, pela primeira vez, a Havan abre mão desse padrão e aposta em um projeto totalmente diferente: a megaloja será construída em estilo enxaimel, a arquitetura germânica que define a paisagem do Centro Histórico da cidade.

A mudança não foi voluntária. O projeto original da Havan para Blumenau previa a fachada tradicional, mas sofreu resistência da população e foi alvo de uma ação do Ministério Público Federal, que questionou o impacto da estrutura no patrimônio histórico.

Um acordo judicial firmado no final de 2024 resolveu o impasse: a Havan aceitou reformular o projeto e adotar o estilo enxaimel. O projeto precisou receber pareceres favoráveis do Iphan, da Fundação Catarinense de Cultura e do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural Edificado antes de ser aprovado. Luciano Hang, em visita às obras, declarou: “Adequamos a nossa estética à cultura alemã. Eu acho que isso faz com que cada vez mais Blumenau seja uma cidade turística.”

R$ 80 milhões, 14 mil metros quadrados e 200 empregos

Os números da megaloja da Havan em Blumenau impressionam. O investimento total é estimado em R$ 80 milhões. A estrutura terá 14 mil metros quadrados e contará com estacionamento gratuito, praça de alimentação, ambiente climatizado e mais de 350 mil produtos.

A unidade deve gerar 200 empregos diretos e será a quinta loja da Havan em Blumenau. A inauguração, inicialmente prevista para o fim de abril de 2026, foi adiada para maio do mesmo ano, conforme anúncio feito por Luciano Hang durante visita às obras.

Outro detalhe relevante: com a abertura da megaloja no Centro Histórico, a Havan vai fechar sua loja no shopping Neumarkt, também no Centro de Blumenau.

A administradora do shopping, a Almeida Júnior, já planeja ocupar o espaço liberado com novas lojas de marcas nacionais e restaurantes qualificados. Para o varejo da cidade, maio de 2026 será um mês de transição: Blumenau perde uma unidade da Havan dentro do shopping e ganha uma megaloja inédita no Centro Histórico, alterando o mapa comercial da região.

O que muda em Blumenau com a megaloja da Havan no Centro Histórico

A chegada da megaloja da Havan ao Centro Histórico de Blumenau levanta questões que vão além do varejo. A instalação de um empreendimento de grande porte em uma área protegida pelo patrimônio histórico gera debate sobre impacto no trânsito, pressão sobre o estacionamento da região e harmonia com o entorno urbano.

A possibilidade de alteração no traçado de uma rua pública para atender às necessidades da Havan adiciona uma camada extra a essa discussão.

Por outro lado, a presença da Havan em estilo enxaimel pode atrair consumidores e turistas, beneficiando o comércio vizinho e reforçando a identidade cultural de Blumenau.

A escolha da empresa por adaptar seu projeto à arquitetura local, mesmo que forçada por acordo judicial, abre um precedente interessante. Se a megaloja funcionar bem em Blumenau, a Havan pode começar a personalizar projetos em outras cidades com identidade arquitetônica marcante, algo que a rede nunca fez antes.

O que você acha: a Havan vai valorizar ou descaracterizar o Centro Histórico?

O terreno que por décadas foi símbolo do futebol de Blumenau agora pertence à Havan e vai virar estacionamento. A rua que corta o espaço pode mudar de lugar. E a megaloja que está nascendo na Rua das Palmeiras será a primeira da rede sem a fachada da Casa Branca. Blumenau está diante de uma transformação urbanística e comercial que divide opiniões.

E você, o que pensa? A megaloja da Havan em estilo enxaimel vai valorizar o Centro Histórico ou descaracterizá-lo? A prefeitura deveria autorizar a mudança no traçado da rua? Conta nos comentários. Queremos saber como você vê essa transformação.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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