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As geleiras suíças perderam 10% do volume em apenas dois anos, e a maior “torre de água” da Europa está secando: cientistas cravam “pedras inteligentes” nos Alpes para descobrir quanta água ainda sobra para 170 milhões de pessoas

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 07/07/2026 às 16:51 Atualizado em 07/07/2026 às 16:54
Assista o vídeoOs Alpes, a torre de água da Europa, estão secando: as geleiras derretem em ritmo recorde e o projeto WATERWISE corre para salvar a segurança hídrica.
Os Alpes, a torre de água da Europa, estão secando: as geleiras derretem em ritmo recorde e o projeto WATERWISE corre para salvar a segurança hídrica.
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Reportagem da Euronews mostra que os Alpes, a “torre de água” da Europa, estão ficando mais secos: as geleiras derretem em ritmo recorde e a cordilheira aquece duas vezes mais rápido que a média global. Para entender o problema, o projeto WATERWISE, financiado pela União Europeia, mede dados de vários picos em nome da segurança hídrica do continente.

A maior reserva de água doce da Europa está encolhendo. Os Alpes, apelidados de torre de água do continente, estão ficando mais secos, com geleiras derretendo em ritmo recorde, como mostrou a reportagem da Euronews divulgado em vídeo em 6 de julho de 2026. O alerta acende um sinal vermelho para a segurança hídrica de milhões de pessoas.

Para enfrentar o problema, nasceu um grande esforço científico. Segundo a página oficial do projeto WATERWISE, financiado pela União Europeia, cientistas de vários países medem dados das nascentes de altitude dos Alpes para entender o futuro da água que essas geleiras guardam e proteger a segurança hídrica.

O ritmo do aquecimento assusta. Os Alpes esquentam cerca de duas vezes mais rápido que a média global, e suas geleiras e mantos de neve, que funcionam como a torre de água da Europa, perdem gelo mais depressa do que se imaginava, ameaçando a segurança hídrica de todo o continente.

A seguir, veja por que os Alpes são a torre de água da Europa, como eles estão secando, o que faz o WATERWISE, quantas pessoas dependem dessas geleiras e por que essa crise de segurança hídrica tem tudo a ver com o Brasil.

Por que os Alpes são a “torre de água” da Europa

O apelido não é exagero. Os Alpes são chamados de torre de água da Europa porque guardam, na forma de neve e geleiras, a precipitação do inverno, que depois derrete e alimenta rios justamente quando a água escasseia nas planícies, garantindo a segurança hídrica do continente.

A cordilheira é a origem de grandes rios. Dos Alpes nascem alguns dos maiores rios da Europa, como o Reno, o Ródano, o Pó e o Danúbio, e é a água das geleiras e da neve que sustenta o fluxo deles, fazendo da torre de água um pilar da segurança hídrica europeia.

O papel é desproporcional ao tamanho. Mesmo ocupando uma fração pequena do território europeu, os Alpes fornecem uma parcela enorme da água usada nas terras baixas em períodos secos, o que reforça a importância dessa torre de água e das suas geleiras para a segurança hídrica.

A água dos Alpes serve a tudo. Ela abastece cidades, irriga lavouras e move usinas hidrelétricas, o que significa que qualquer ameaça às geleiras da torre de água atinge de uma vez o abastecimento, a agricultura e a energia, colocando em risco a segurança hídrica.

Por isso, o que acontece nos Alpes preocupa a Europa inteira. Se a torre de água seca, milhões de pessoas sentem, e é essa dependência das geleiras alpinas que torna a segurança hídrica do continente tão vulnerável às mudanças no clima.

Os Alpes estão secando: as geleiras que derretem

um curso de água de alta altitude descendo pelos Alpes, na região do Mont Blanc, onde a cordilheira aquece duas vezes mais rápido que a média global. Crédito: Euronews (YouTube).
um curso de água de alta altitude descendo pelos Alpes, na região do Mont Blanc, onde a cordilheira aquece duas vezes mais rápido que a média global. Crédito: Euronews (YouTube).

Os sinais de seca já aparecem. Os Alpes estão ficando mais secos porque o calor derrete as geleiras e reduz a neve acumulada, o que compromete a torre de água da Europa e ameaça a segurança hídrica de quem depende dela.

Os números do degelo são alarmantes. As geleiras suíças chegaram a perder cerca de 10% do seu volume em apenas dois anos, uma perda comparável à de décadas inteiras, sinal de que a torre de água dos Alpes está encolhendo rápido e a segurança hídrica em risco.

O aquecimento acelera tudo. Como os Alpes esquentam duas vezes mais rápido que o resto do mundo, as geleiras recuam a olhos vistos, e trechos que antes ficavam cobertos de gelo o ano todo agora aparecem nus, minando a torre de água e a segurança hídrica.

A perda é histórica. Ao longo do último século, as geleiras dos Alpes já perderam boa parte do seu gelo, e centenas de pequenas geleiras simplesmente desapareceram, esvaziando aos poucos a torre de água que sustenta a segurança hídrica europeia.

O efeito é duplo e perigoso. No curto prazo, o degelo acelerado pode até aumentar o fluxo de água; no longo, quando as geleiras dos Alpes minguarem, a torre de água perderá sua reserva, e a segurança hídrica da Europa ficará seriamente ameaçada.

O projeto WATERWISE: medir cada pico dos Alpes

Diante da ameaça, a ciência entrou em campo. O WATERWISE é um projeto financiado pela União Europeia que reúne cientistas, comunidades e gestores para medir dados das nascentes de altitude dos Alpes e entender o futuro da torre de água e da segurança hídrica.

O esforço é internacional. O WATERWISE envolve mais de uma dezena de parceiros de seis países alpinos, coordenados por uma universidade suíça, todos empenhados em mapear as geleiras e as nascentes dos Alpes para proteger a segurança hídrica do continente.

A verba é considerável. Com orçamento na casa dos milhões de euros, boa parte vindo de fundos europeus, o WATERWISE investe em monitorar os Alpes de perto, coletando dados sobre geleiras, rios e clima para preservar a torre de água e a segurança hídrica.

O objetivo é prático. Reunindo informações antes dispersas, o WATERWISE quer prever a vulnerabilidade da água dos Alpes e ajudar comunidades a se adaptar, transformando a ciência das geleiras em ferramentas concretas de segurança hídrica e gestão da torre de água.

Há também um lema por trás. Como resume um dos envolvidos, só se protege aquilo que se conhece, e é por isso que o WATERWISE aposta em medir cada pico dos Alpes, entendendo as geleiras para garantir a segurança hídrica das próximas gerações.

As geleiras dos Alpes que estão sumindo

Foto da geleira Aletsch, a maior dos Alpes, na Suíça, símbolo do recuo do gelo que ameaça a "torre de água" da Europa. Crédito: Wikimedia Common
Foto da geleira Aletsch, a maior dos Alpes, na Suíça, símbolo do recuo do gelo que ameaça a “torre de água” da Europa. Crédito: Wikimedia Common

Algumas geleiras viraram símbolo da crise. A geleira Aletsch, a maior dos Alpes, recua ano após ano, mostrando de forma visível como a torre de água da Europa está minguando e como a segurança hídrica do continente depende do gelo que resta.

O recuo é medido com precisão. Redes de monitoramento acompanham as geleiras dos Alpes há décadas, e os dados confirmam que a perda de gelo se acelerou, esvaziando a torre de água mais rápido do que a natureza consegue repor, com reflexos diretos na segurança hídrica.

Cada geleira perdida pesa. Quando uma geleira dos Alpes desaparece, some com ela uma reserva que levou milênios para se formar, e essa perda irreversível compromete a torre de água e reduz a segurança hídrica de rios e cidades que dependem dela.

O fenômeno é global, mas visível ali. As geleiras dos Alpes funcionam como um termômetro do clima, e vê-las encolher é ver, em tempo real, o efeito do aquecimento sobre a torre de água da Europa e sobre a segurança hídrica de milhões.

Por isso, monitorar é urgente. Entender quanto gelo resta nas geleiras dos Alpes é essencial para planejar o uso da água, e é essa corrida contra o tempo que o WATERWISE trava para salvar o que for possível da torre de água e da segurança hídrica.

170 milhões de pessoas dependem dessa água

O alcance da torre de água é imenso. Estima-se que a água que desce das geleiras e da neve dos Alpes beneficie cerca de 170 milhões de pessoas ao longo dos grandes rios europeus, um número que dá a dimensão da segurança hídrica em jogo.

Essa água move a economia. Nas terras baixas, a torre de água dos Alpes irriga plantações, abastece cidades e gera energia, de modo que o degelo das geleiras ameaça de uma só vez a comida, a bebida e a eletricidade de boa parte da Europa e sua segurança hídrica.

No verão, a dependência é ainda maior. Quando chove menos, é o derretimento das geleiras dos Alpes que segura o nível dos rios, e sem esse reforço da torre de água o continente enfrentaria secas severas, com forte impacto na segurança hídrica.

O problema é que a reserva é finita. Enquanto as geleiras dos Alpes encolhem, a torre de água perde capacidade de socorrer as planícies nos períodos secos, e é essa conta que assusta os cientistas preocupados com a segurança hídrica futura.

Por isso, o tema é de sobrevivência. Garantir a segurança hídrica de 170 milhões de pessoas passa por proteger as geleiras dos Alpes e entender a torre de água, um desafio que envolve ciência, política e mudança de hábitos em toda a Europa.

As “pedras inteligentes” e a plataforma aberta

A tecnologia ajuda a medir. Para acompanhar a saúde dos rios que descem dos Alpes, o WATERWISE usa sensores discretos, apelidados de “pedras inteligentes”, que monitoram a água em tempo real e alimentam os estudos sobre as geleiras e a segurança hídrica.

Os dados são variados. O projeto mede a vazão dos rios, a água subterrânea, o clima local e as condições da neve e do gelo dos Alpes, cruzando tudo para entender como a torre de água responde ao aquecimento e o que isso significa para a segurança hídrica.

A informação vira ferramenta. Todos esses dados sobre as geleiras e as nascentes dos Alpes alimentam uma plataforma digital aberta, para que comunidades e gestores acompanhem o fluxo dos rios e planejem a segurança hídrica com base em fatos, e não em achismos.

A ideia é democratizar o conhecimento. Ao abrir os dados da torre de água, o WATERWISE permite que prefeituras, agricultores e cidadãos dos Alpes entendam a situação das geleiras e tomem decisões melhores sobre o uso da água e a segurança hídrica.

Assim, ciência e comunidade caminham juntas. Mais do que medir geleiras, o WATERWISE quer envolver quem vive nos Alpes na proteção da torre de água, transformando o monitoramento em ação concreta pela segurança hídrica do continente.

Os Alpes vão perder toda a água?

A pergunta assusta, mas pede contexto. No pior cenário, cientistas alertam que as geleiras dos Alpes podem praticamente desaparecer até o fim do século, esvaziando a torre de água da Europa e ameaçando gravemente a segurança hídrica do continente.

Não é um destino selado, porém. O futuro das geleiras dos Alpes depende de quanto o planeta vai aquecer, e reduzir as emissões pode frear a perda de gelo, preservando parte da torre de água e adiando a crise de segurança hídrica.

A adaptação já começou. Projetos como o WATERWISE existem justamente para preparar os Alpes e a Europa para um cenário com menos geleiras, buscando novas formas de garantir a segurança hídrica mesmo com a torre de água encolhendo.

O tempo, no entanto, é curto. Como as geleiras dos Alpes derretem rápido, cada ano conta, e por isso a ciência corre para mapear a torre de água e criar estratégias antes que a segurança hídrica do continente entre em colapso.

No fim, tudo depende de escolhas. Salvar a torre de água dos Alpes e suas geleiras exige ação global contra o aquecimento, e o que estiver em jogo será, no limite, a segurança hídrica de gerações inteiras de europeus.

O que a “torre de água” dos Alpes tem a ver com o Brasil

O Brasil tem suas próprias torres de água. Assim como os Alpes abastecem a Europa, a Amazônia e o Cerrado guardam e distribuem a água que sustenta o Brasil, o que torna a crise das geleiras europeias um espelho da nossa própria segurança hídrica.

A lição sobre nascentes é direta. O Cerrado, berço de grandes rios brasileiros, é chamado de “caixa d’água” do país, e vê-lo ameaçado pelo desmatamento lembra o que o degelo faz à torre de água dos Alpes e à segurança hídrica.

A memória da crise também pesa. O Brasil já viveu apagões e racionamento de água em grandes cidades, e a história das geleiras dos Alpes reforça que depender de uma única reserva é arriscado, seja ela uma torre de água de gelo ou uma floresta, quando o assunto é segurança hídrica.

Há ainda o paralelo com os Andes. As geleiras andinas, que abastecem países vizinhos, recuam como as dos Alpes, e essa água chega ao Brasil pela bacia amazônica, mostrando que a segurança hídrica do continente está toda conectada.

Por fim, fica o alerta comum. Enquanto a Europa corre para mapear a torre de água dos Alpes, o Brasil precisa cuidar de suas florestas e nascentes, porque, aqui ou lá, sem reserva de água falta água na torneira, na lavoura e na tomada, ameaçando a segurança hídrica.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

A história dos Alpes mostra que nem a maior reserva de água da Europa está a salvo. Ver a torre de água do continente secar, com geleiras derretendo em ritmo recorde, é um retrato assustador do que o aquecimento faz à segurança hídrica do planeta.

Mais do que um problema europeu, é um recado global. Enquanto o WATERWISE corre para medir cada pico dos Alpes e salvar o que resta das geleiras, o mundo inteiro é lembrado de que a segurança hídrica depende de proteger as reservas naturais de água.

E você, imaginava que os Alpes, a torre de água da Europa, pudessem estar secando por causa do derretimento das geleiras? Acha que o Brasil está cuidando bem das suas próprias reservas e da sua segurança hídrica? Conta nos comentários e compartilhe com quem se preocupa com a água.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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