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Em vez de contratar engenheiro, pedreiro e construtora por meses, a Haus.me entrega uma micro-casa de 11 m² que vem mobiliada, equipada com cozinha, toalhas, taças de vinho, controle por voz via Apple HomePod e resiste a furacão categoria 5; tudo por US$ 89.990

Escrito por Débora Araújo
Publicado em 15/05/2026 às 16:07
Atualizado em 15/05/2026 às 16:10
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Imagem: Haus.me/Reprodução
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Projetada para chegar totalmente pronta ao terreno, a micro-casa da Haus.me combina instalação ultrarrápida, automação residencial avançada, acabamento premium e resistência extrema a furacões de categoria 5 sem obras prolongadas.

Segundo a Dwell, o Microhaus da Haus.me tem 120 pés quadrados — aproximadamente 11 metros quadrados — chega completamente montado e equipado com tudo o que é necessário para morar, incluindo eletrodomésticos de alta qualidade, sistema HVAC, móveis embutidos e acessórios que vão de taças de vinho a toalhas e talheres. A instalação no terreno leva menos de uma hora. Não exige fundação, permissão de obra ou preparação do solo. Conecta-se a eletricidade, água e esgoto com o mesmo sistema plug-and-play de um trailer de camping — ou opera de forma totalmente autônoma nas versões maiores com painéis solares.

O preço do modelo Pro é US$ 89.990 — menos do que muitos carros de luxo, sem a depreciação. O interior foi projetado por Andrew Shatylo, engenheiro aeroespacial que participou do desenvolvimento do Antonov AN-225 Mriya — o maior avião já construído, com 88 metros de envergadura e capacidade para 640 toneladas.

A empresa foi fundada pelo físico e designer industrial Max Gerbut, eleito pelo Financial Times como um dos 100 empreendedores mais influentes da Europa Oriental em 2017. O produto ganhou o Red Dot Award de Design Inovador em 2023 — o mesmo prêmio que distinguiu produtos da Porsche, Apple e Pininfarina. Na CES 2025, em Las Vegas, o Microhaus Pro foi apresentado ao público ao lado dos maiores lançamentos tecnológicos do mundo e coberto pelo Engadget, PCWorld e Mashable.

O engenheiro do maior avião do mundo projetando o menor apartamento do mercado

A combinação entre Andrew Shatylo e o Microhaus é o detalhe que torna o produto mais fascinante do que qualquer concorrente no mercado de micro-habitações — e que explica por que o interior de 11 m² parece muito maior do que os números sugerem. Shatylo trabalhou no programa do Antonov AN-225 Mriya, o cargueiro soviético com 88 metros de envergadura e capacidade de carga de 640 toneladas que permaneceu como o maior avião do mundo de 1988 até ser destruído na invasão russa da Ucrânia em 2022.

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Projetar o interior de uma cabine de aeronave de grande porte exige a mesma habilidade que o Microhaus demanda: otimizar cada centímetro disponível para que o espaço funcione melhor do que suas dimensões físicas permitiriam. Em cabines de avião, engenheiros aeroespaciais aprenderam ao longo de décadas como esconder sistemas de ventilação, iluminação e armazenamento em estruturas mínimas sem que o ocupante sinta a compressão do espaço.

Shatylo aplicou esse princípio ao Microhaus com materiais que não existem em construção residencial convencional: polímero composto reciclado na estrutura principal — o mesmo tipo de material usado em componentes externos de aeronaves — fibra de carbono e aço inox nas versões premium, piso de teca no banheiro, painéis de têxteis laváveis nas paredes e janelas do chão ao teto que substituem paredes opacas. O resultado, descrito pela repórter do Engadget que visitou o estande da CES 2025, é um interior de madeira, vidro e neutros suaves que parece uma cabine de jato executivo em vez de um tiny home compacto.

O que está incluso — e o nível de cada item

A política da Haus.me é entregar o Microhaus pronto para ser habitado no mesmo dia da chegada. Não “pronto estruturalmente” — pronto para morar, com cada item de uso cotidiano já no lugar.

Em vez de contratar engenheiro, pedreiro e construtora por meses, a Haus.me entrega uma micro-casa de 11 m² que vem mobiliada, equipada com cozinha, toalhas, taças de vinho, controle por voz via Apple HomePod e resiste a furacão categoria 5; tudo por US$ 89.990
Imagem: Haus.me/Reprodução

O modelo Pro inclui: cama de casal Murphy que se dobra contra a parede para revelar mesa e dois bancos — mesma solução usada em cabines de trem de alta velocidade europeu; cozinha com geladeira, microondas e coifas; banheiro com chuveiro de tamanho adulto, vaso sanitário e piso de teca; sistema HVAC com controle automático de temperatura; ventilação mecânica; iluminação LED interna e externa com sensor de movimento; TV; sistema de som de alta fidelidade; bateria de backup para falhas de energia; entrada sem chave com senha resetável via app; e a lista completa de louças Villeroy & Boch — empresa alemã fundada em 1748 que fornece porcelana para hotéis cinco estrelas em todo o mundo — mais toalhas, roupa de cama e taças de vinho.

O controle por voz funciona via Apple HomePod integrado. A câmera de segurança interna transmite para o celular do proprietário em tempo real — recurso desenvolvido especificamente para quem usa o Microhaus como unidade de aluguel de temporada e quer monitorar a propriedade remotamente sem precisar estar presente.

Resistência estrutural que supera a maioria das casas convencionais

Uma das afirmações mais contraintuitivas da Haus.me sobre o Microhaus é que sua resistência estrutural supera os padrões de construção residencial convencional — e os dados técnicos verificados sustentam esse argumento. O Microhaus Pro é certificado para resistência sísmica segundo o código californiano — um dos mais rigorosos do mundo, projetado para proteger construções durante terremotos de magnitude acima de 7 na escala Richter.

É certificado para resistência a furacão categoria 5, com ventos acima de 252 km/h. A estrutura de polímero composto reciclado é resistente ao fogo, enquanto o aço inox e a fibra de carbono nas versões premium adicionam proteção contra deformação em impacto. Para comparação: a maioria das casas de madeira americana não é certificada para resistência a furacão acima da categoria 2, e casas de alvenaria convencionais raramente têm certificação sísmica explícita no Brasil.

Max Gerbut descreveu o princípio que guiou essa decisão de projeto: “A estrutura composta é extraordinariamente durável. Seu exterior inspirado em iates é criado a partir de fibra de vidro, aço inox e teca.” A referência à indústria náutica é precisa — os materiais que o Microhaus usa foram testados em ambientes muito mais agressivos do que qualquer construção residencial: sal, umidade intensa, pressão de água, variação térmica extrema e impacto de ondas. Uma casa que aguenta as condições do casco de um iate aguenta qualquer clima residencial.

Sem permissão, sem fundação, sem obra — como é possível

O aspecto do Microhaus que mais surpreende quem está habituado ao processo de construção residencial brasileiro — licenciamento municipal, projeto aprovado pelo CREA, fundação, estrutura, vedação, instalações, acabamento — é a ausência total de obra no destino final.

O Microhaus não exige fundação porque seu peso está distribuído uniformemente em superfície suficiente para não necessitar de estrutura de apoio permanente. Não exige permissão de obra porque é classificado como unidade habitacional acessória removível — similar a um trailer ou a um contêiner — na maioria das jurisdições americanas onde opera. Não exige preparação do solo porque a instalação consiste em posicionar a unidade sobre terreno nivelado e conectar três pontos: eletricidade, água e esgoto.

O processo completo de instalação leva menos de uma hora segundo a empresa — tempo que inclui o posicionamento pelo caminhão-entregador, o nivelamento e as conexões de serviço. O primeiro cliente documentado pela Haus.me foi um morador de Portland, Oregon, que instalou o Microhaus como unidade de Airbnb num terreno anexo à sua casa. O retorno financeiro foi suficiente para o cliente se tornar investidor da empresa — dado que a Haus.me usa como demonstração de ROI em seus materiais de vendas.

Versões, preços e o modelo que inclui energia solar autônoma

A linha Microhaus tem cinco configurações distintas que cobrem desde o uso residencial básico até operação completamente autônoma fora da rede elétrica. O Microhaus Shell custa US$ 35.000 e inclui apenas a estrutura com HVAC, iluminação, fiação, banheiro com louças e encanamento — sem móveis, sem eletrodomésticos, sem acessórios.

É o ponto de entrada para quem quer a estrutura e prefere personalizar o interior. O Microhaus Lite custa US$ 59.990 e inclui tudo do Shell mais a cama fixa de casal, cozinha equipada e os acessórios de louça e têxteis. O Microhaus Pro custa US$ 89.990 — o modelo da CES 2025 — e adiciona a cama Murphy conversível, o sistema de som hi-fi, a bateria de backup e os itens Villeroy & Boch.

As versões de 400 e 800 pés quadrados custam US$ 199.000 e US$ 299.000 respectivamente e adicionam o que o Microhaus de 120 pés não tem: painéis solares integrados que tornam a unidade completamente autônoma, sem necessidade de conexão à rede elétrica. Nenhum dos preços inclui o custo de entrega — calculado com base na localização.

O que o Microhaus representa para o mercado de habitação alternativa

O lançamento do Microhaus Pro na CES 2025 — o maior evento de tecnologia do consumidor do mundo — não foi acidental. Max Gerbut colocou seu produto ao lado de televisores OLED, carros elétricos e gadgets de inteligência artificial deliberadamente, porque a tese central da Haus.me não é sobre construção civil.

É sobre o que acontece quando habitação é tratada como produto tecnológico em vez de processo de construção. Um iPhone não exige obra para funcionar. Um carro elétrico não exige fundação para ser estacionado. O Microhaus aplica a mesma lógica a uma unidade habitacional: fabrica em fábrica com controle de qualidade industrial, entrega montado com todos os sistemas testados, instala em menos de uma hora, opera com app no celular.

O mercado global de tiny homes foi avaliado em US$ 13,17 bilhões em 2025 com projeção de chegar a US$ 17,73 bilhões em 2030 com CAGR de 6,1%, segundo relatório de março de 2026. O segmento de ADUs — accessory dwelling units, as unidades habitacionais secundárias em terrenos já ocupados — cresce mais rápido que qualquer outro subsegmento, impulsionado pela crise de moradia americana e pela valorização de propriedades com renda de aluguel.

O Microhaus foi projetado especificamente para esse mercado: unidade que gera renda, controle remoto pelo celular, instalação sem permissão e estrutura que dura décadas com manutenção mínima. Um ativo financeiro que mora no terreno em vez de num fundo de investimento.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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