Com porte de moto maior, a Haojue DL 160 montada em Manaus custa cerca de vinte e um mil reais, ignora buracos e lombadas na cidade, mas com 14,9 cavalos vibra acima de noventa por hora e cansa em viagens longas para quem espera desempenho confortável constante em rodovias movimentadas
A Haojue DL 160 foi colocada à prova como opção de entrada no universo das motos de estilo aventureiro, mesmo trazendo um motor de apenas 162,4 cm³. Com montagem final em Manaus, a moto é importada da China pelo grupo João Toledo desde maio e, no mercado asiático, é vendida com emblema Suzuki, ocupando a faixa de modelos urbanos com visual de maior cilindrada.
No uso prático, a Haojue DL 160 surpreende na cidade e decepciona um pouco na estrada. Ela ignora lombadas e irregularidades típicas do asfalto brasileiro, gasta pouco combustível e oferece posição de pilotagem que lembra motos de categorias superiores, mas os 14,9 cv e 1,4 kgfm de torque máximo deixam clara a limitação quando o velocímetro passa da casa dos 90 km/h em avenidas expressas e rodovias.
Porte de moto grande e visual aventureiro

Quem olha rapidamente para a Haojue DL 160 pode acreditar que se trata de uma moto de alta cilindrada.
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O porte é imponente para uma 160 cm³, com carenagens volumosas, linhas de aventureira e presença visual semelhante à de modelos que custam bem mais.
Com estilo voltado ao uso misto, o modelo chega ao mercado brasileiro a partir de R$ 21.470, valor que sobe para R$ 22.260 na versão equipada com sistema ABS, que evita o travamento das rodas em frenagens bruscas.
Na prática, a motocicleta se comporta como se estivesse um degrau acima na hierarquia de cilindrada, o que aumenta a sensação de custo benefício para quem quer aparência de moto grande pagando preço de 160.
Suspensão alta, rodas 17 e conforto nas ruas esburacadas
A suspensão elevada conversa bem com as rodas aro 17, combinação que costuma ser mais comum em modelos urbanos do que em trilheiras puras.
Em vez de pneus mistos, como na configuração usada na China, a Haojue DL 160 vendida aqui traz um conjunto mais esportivo, mais adequado ao asfalto e às curvas do uso diário.
No dia a dia, a pequena Haojue praticamente ignora lombadas e remendos de pavimento, ajudada pelo guidão alto que remete a motos trail ou cross.
O painel digital é completo para a categoria, oferecendo boa leitura das informações.
O assento amplo garante conforto no uso urbano, enquanto o farol com LEDs agrada pela potência e ajuda na percepção de segurança ao rodar à noite em vias mal iluminadas.
Motor 162,4 cm³, 14,9 cv e limites em rodovia
Sob o visual de moto maior, a Haojue DL 160 esconde um motor de 162,4 cm³ com 14,9 cv de potência máxima e 1,4 kgfm de torque.
No trânsito urbano, esse conjunto se mostra suficiente: as arrancadas em semáforos são adequadas, as retomadas em baixa e média velocidade são honestas e o peso contido favorece a agilidade entre carros.
O problema aparece quando o uso se desloca para avenidas de fluxo rápido e rodovias.
Acima de 90 km/h, fica a sensação clara de que falta fôlego, principalmente em subidas mais longas ou na hora de retomar velocidade para ultrapassar.
O que atende bem ao deslocamento diário na cidade passa a parecer limitado para quem pretende encarar viagens frequentes ou trechos mais longos em pista dupla.
Vibração em quinta marcha e cansaço em viagem longa
O câmbio de cinco marchas da Haojue DL 160 tem relações curtas, característica que ajuda na agilidade em baixas velocidades, mas cobra seu preço no conforto em rotações mais altas.
Em quinta marcha, ao rodar por muito tempo acima de 90 km/h, a vibração crescente do conjunto passa a incomodar o piloto.
Essa vibração constante na carenagem, nos espelhos e no guidão, somada ao esforço do motor para manter ritmos próximos do limite, torna cansativa a experiência em viagens mais longas, mesmo em rodovias de bom asfalto.
Para quem pensa em usar a moto como ferramenta diária de trabalho com deslocamentos curtos, não chega a ser um problema grave.
Já para quem sonha com passeios de fim de semana em trajetos extensos, o comportamento lembra que ainda se trata de uma 160.
Detalhes de uso, ruído das setas e impressão de categoria superior
Entre os detalhes de uso que chamam atenção na Haojue DL 160 está o sistema de setas com alto alerta sonoro.
Segundo revendas da marca, o relê elétrico que produz o “apito” costuma ser retirado logo na primeira revisão, a pedido de clientes que se incomodam com o ruído constante em percursos urbanos.
Apesar desses ajustes finos, a moto se comporta como se fosse de uma categoria superior, tanto pela posição de pilotagem quanto pela forma como absorve irregularidades do piso.
Essa impressão positiva na cidade é justamente o que reforça a sensação de que o motor poderia entregar algo a mais na estrada, aproximando desempenho do que o visual promete.
Versão 250 na Ásia e papel da DLzinha no Brasil
No mercado asiático, existe uma versão de 250 cm³ com 25 cv, vendida como Suzuki V-Strom.
Consultada pela Folha de S. Paulo, a marca não confirmou nem descartou oficialmente a possibilidade de trazer essa configuração maior para o Brasil, o que indica que eventuais planos ainda estão em avaliação.
Por enquanto, a “DLzinha” cumpre o papel de opção eficiente de condução diária, oferecendo economia, conforto e aparência de moto grande para quem circula principalmente em centros urbanos.
Para quem aceita a limitação de fôlego e a vibração em velocidades de rodovia, a Haojue DL 160 pode ser uma solução racional na faixa de entrada aventureira.
Na sua opinião, a Haojue DL 160 vale o que custa para quem roda mais na cidade ou a falta de potência e o incômodo da vibração na estrada fazem você preferir investir em outra moto nessa faixa de preço?

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