A Ilha da Trindade apresenta expansão florestal sem precedentes após retirada de cabras, revertendo séculos de degradação ambiental documentada por estudo científico baseado em três décadas de monitoramento ambiental contínuo
A Ilha da Trindade, território brasileiro no Atlântico Sul, registra uma recuperação ambiental expressiva após séculos de degradação causada por cabras introduzidas no local, com crescimento de 1.468% da área florestal em três décadas, segundo estudo científico recente.
A recuperação ambiental observada nas últimas décadas
Pesquisadores identificaram uma expansão significativa da cobertura vegetal da ilha, resultado direto da eliminação das cabras e de processos naturais de regeneração ao longo dos últimos 30 anos.
A área de floresta aumentou 1.468%, alcançando 65 hectares, enquanto a vegetação rasteira se expandiu em 325 hectares, crescimento equivalente a 319% no período analisado.
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Segundo a botânica Márcia Gonçalves Rogério, o crescimento da floresta superou 1.000%, acompanhado por uma ampla expansão da cobertura de campos e formações rasteiras.
Atualmente, a vegetação cobre cerca de 15% da antiga área verde da ilha, após ter sido reduzida a apenas 5% nos momentos mais críticos.
O estudo científico e seus autores
Os dados fazem parte de um estudo publicado no Journal of Vegetation Science, com foco na dinâmica da vegetação da Ilha da Trindade no Atlântico Sul.
O artigo foi assinado por Márcia Gonçalves Rogério, Felipe Zuñe, Ruy José Válka Alves e Nílber Gonçalves da Silva, pesquisadores vinculados ao Museu Nacional.
A pesquisa analisou imagens históricas, registros de expedições científicas e dados de sensoriamento remoto para reconstruir o cenário ambiental da ilha nas últimas três décadas.
O trabalho detalha como fatores ecológicos e a retirada das cabras influenciaram diretamente o processo de regeneração da vegetação nativa.
Localização estratégica e características da ilha
A Ilha da Trindade forma um arquipélago com Martim Vaz, situado a 48 quilômetros, no ponto mais oriental do território brasileiro continental.
Com apenas 9,2 km², área equivalente a mais de 80 vezes o Estádio do Maracanã, a ilha possui relevo acidentado e origem vulcânica.
O arquipélago ocupa posição estratégica no Atlântico Sul, garantindo ao Brasil o direito de explorar até 200 milhas (aprox. 322 km) náuticas ao redor da área.
A presença permanente de uma guarnição da Marinha e de cientistas reforça a importância geopolítica e científica do território.
A introdução das cabras e o início da degradação
A devastação ambiental começou por volta de 1700, após a visita do astrônomo britânico Edmond Halley à ilha.
Halley deixou cabras no local com a intenção de garantir alimento a navegadores que passassem por aquela região isolada do Atlântico Sul.
Relatos de expedições iniciais descrevem uma floresta exuberante, dominada por árvores de madeira vermelha da espécie Colubrina glandulosa.
Com o passar do tempo, as cabras se reproduziram sem controle e passaram a consumir intensamente a vegetação disponível.
Impactos ambientais da presença dos animais
A floresta, que ocupava cerca de 85% da ilha, foi reduzida a menos de 5% devido à ação das cabras, porcos e ovelhas.
A perda da cobertura vegetal expôs o solo, acelerando processos de erosão e comprometendo a estabilidade ambiental do território.
O relevo íngreme dificultava a regeneração natural, agravando os efeitos da degradação ao longo de mais de dois séculos.
A fragilidade do ecossistema ficou evidente diante da incapacidade de recuperação enquanto os animais permaneciam na ilha.
A eliminação das cabras e a virada ambiental
No fim dos anos 1990, o rebanho de cabras teria atingido cerca de 800 animais, segundo estimativas do professor Nílber Gonçalves da Silva.
A Marinha iniciou a eliminação dos animais no final da década, enfrentando dificuldades devido às áreas íngremes e inacessíveis.
A ação contou com apoio científico do Museu Nacional e de órgãos ambientais, resultando na erradicação total das cabras em 2005.
A retirada dos animais marcou o início de um processo contínuo de regeneração natural da vegetação da ilha.
Regeneração natural e novas formações vegetais
Após a eliminação das cabras, a vegetação passou a se restabelecer sem qualquer intervenção humana direta.
Destacam-se as samambaias-gigantes Cyathea copelandii, consideradas uma relíquia botânica exclusiva da Ilha da Trindade.
A floresta começou a se expandir principalmente nas áreas mais elevadas, próximas ao Pico do Desejado, a 600 metros de altura.
Fatores ambientais, como o aumento da precipitação nos períodos mais chuvosos, contribuíram para acelerar a recuperação da cobertura verde.
Monitoramento científico da recuperação
Os pesquisadores reuniram dados de expedições anteriores, com pontos de marcação de vegetação e registros históricos detalhados.
O uso de imagens e sensoriamento remoto permitiu acompanhar a evolução da cobertura vegetal ao longo dos últimos 30 anos.
A análise revelou um incremento de dez vezes na cobertura verde desde a retirada das cabras da ilha.
Além da floresta, houve expansão significativa dos campos e redução das áreas de solo descoberto.
Limitações ecológicas e desafios atuais
A Colubrina glandulosa, espécie que dominava a ilha originalmente, foi completamente dizimada ao longo do processo histórico.
Em 1959, foi encontrado apenas um exemplar moribundo, entre troncos mortos, encerrando a presença natural da espécie na ilha.
Tentativas posteriores de reintrodução utilizaram mudas do continente, resultando em alguns indivíduos atualmente presentes.
Apesar disso, a floresta que se forma hoje é distinta da original e composta majoritariamente por samambaias-gigantes e espécies nativas.
Espécies exóticas e manejo ambiental
Espécies exóticas, como amendoeiras, também estão presentes na ilha, concentradas principalmente nas áreas próximas aos alojamentos.
A Marinha, o ICMBio e o Projeto Reter conduzem ações para a remoção gradual dessas espécies vegetais exóticas.
Segundo os pesquisadores, a retirada precisa ser cuidadosa para evitar erosão, já que o solo vulcânico é altamente fragmentado.
As amendoeiras ajudam temporariamente na contenção do solo e fornecem alimento para caranguejos endêmicos da região.
Biodiversidade atual e espécies endêmicas
Levantamentos realizados pelo professor Nílber Gonçalves da Silva indicam crescimento expressivo no número de espécies registradas.
Em 2006, havia cerca de 130 espécies catalogadas, número que superou 200 após novo levantamento em 2010.
Embora muitas espécies sejam de fora, a maioria das nativas é endêmica, existindo exclusivamente na Ilha da Trindade.
Esse dado reforça a relevância ecológica do arquipélago no contexto da biodiversidade brasileira.
História, ocupações e fatos curiosos
A ilha foi descoberta em 1501 pelo navegador João da Nova, a serviço do rei D. Manuel I, de Portugal.
Ao longo dos séculos, Trindade sofreu tentativas de ocupação inglesa, portuguesa e brasileira, além de episódios de colonização fracassada.
O local também funcionou como presídio entre 1924 e 1926, além de ter abrigado casais açorianos em uma experiência malsucedida.
Entre lendas, destaca-se a história de um suposto tesouro pirata enterrado em um túnel alagado escavado pelas ondas.
Mistérios, acidentes e formação geológica
Trindade registra diversos acidentes fatais, especialmente causados por ondas camelo, que surpreendem banhistas e militares.
Até 2018, 17 pessoas haviam morrido na ilha, vítimas de ondas, quedas, infarto e um assassinato registrado.
A ilha abriga o que resta do último vulcão do Brasil, formado por erupções ocorridas há 3 milhões de anos.
No Morro do Paredão, ainda é possível observar metade da cratera vulcânica preservada, enquanto a outra foi destruída pelo mar.
Com informações de O Globo.


Quero ter pelo menos um casal dessas cabras onde procuro alguém pode informar
The proverb of “British are the roots of all evil” has been confirmed, next to the Israelis. Not enough destroying other countries using Jews or convicts, British are also destroying forest with goats.
Que mal, cuando ahí sobre población las eliminan y porque no hacen lo mismo con los humanos que destruye n todo contaminan desforestan, a ellos no les hacen nada!!!!.
Começando por você.