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Há 1.800 anos enterrada sob as águas do Egeu, na Grécia, uma stoa clássica de 32 metros com moedas de bronze e estátuas de mármores foi finalmente revelada quando arqueólogos drenaram o oceano

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 08/05/2026 às 07:05 Atualizado em 08/05/2026 às 07:08
stoa submersa em Salamis vista aérea da ilha grega
Vista aérea de Salamina, no Golfo Sarônico, na Grécia. Foi nesta ilha que arqueólogos identificaram uma stoa clássica submersa de 32 metros de comprimento, escavada por equipe da Ephorate of Marine Antiquities com apoio da University of Ioannina.
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Descoberta da stoa clássica submersa em Salamis usou barreira flexível para retirar a água do sítio e permitir escavação a seco. Vinte e duas moedas de bronze e dois mármores do século IV a.C. confirmam o uso contínuo do espaço público da era clássica até a Bizantina inicial.

Pesquisadores da Ephorate of Marine Antiquities, em parceria com o Institute of Marine Archaeological Research e a University of Ioannina, identificaram uma stoa submersa nas águas costeiras de Salamis, na Grécia.

Segundo o Ministério da Cultura da Grécia, a estrutura tem 32 metros de comprimento e 6 metros de largura. As paredes têm 60 centímetros de espessura.

Conforme a equipe, foram identificadas seis a sete salas internas, cada uma com 4,7 por 4,7 metros. O conjunto estava parcialmente coberto pela água do mar.

Por isso, a expedição usou um cofferdam: uma barreira flexível que retira a água ao redor da stoa submersa. Dessa forma, é possível escavar a seco onde antes era fundo do mar.

Além disso, a descoberta confirma uma página esquecida do viajante Pausânias, que descreveu “ruínas de ágora” perto do porto há quase dois mil anos.

Como o cofferdam revelou a stoa submersa

O cofferdam é descrito pelos pesquisadores como “um método engenhoso” para acesso subaquático. Por meio dele, a água é drenada de uma área específica.

Assim, os arqueólogos podem trabalhar em condições secas controláveis. Sem o cofferdam, qualquer escavação dependeria de mergulho e visibilidade limitada.

Conforme o Ministério da Cultura, a técnica permitiu escavar “até os níveis do piso da stoa”. Por isso, os artefatos surgiram em sequência estratigráfica preservada.

Em três anos de pesquisa intensiva, iniciada em 2016, a equipe descobriu também uma barragem marítima em 2021. Trata-se de parte do antigo sistema de fortificação da cidade.

Por consequência, o sítio passou a ser tratado como um dos mais relevantes da arqueologia subaquática grega. Contudo, ainda há trechos significativos por explorar.

cofferdam drenando o mar para escavar a stoa clássica submersa em Salamis
Cofferdam metálico instalado no mar drena a água ao redor das ruínas. Arqueólogos trabalham dentro do recinto seco para escavar a estoa por níveis estratigráficos.

O que era uma stoa, afinal

Conforme o Arkeo News, uma stoa é um pórtico antigo grego. A parte traseira é fechada por parede e a frente exibe colunata para passeio abrigado.

Assim, a estrutura servia de espaço público multifuncional. Magistrados despachavam, lojistas vendiam, monumentos eram exibidos e cerimônias religiosas aconteciam.

Por isso, dizer que arqueólogos acharam apenas “uma parede submersa” seria injusto com o achado. A stoa funcionava como praça coberta da cidade clássica.

Segundo a Greece Is, a stoa de Salamis provavelmente marca a fronteira oriental da ágora — o coração cívico da cidade clássico-helenística — e não a área portuária.

  • Comprimento: 32 metros (medição até a publicação)
  • Largura constante: 6 metros
  • Espessura das paredes: 60 centímetros
  • Salas internas: 6 a 7 ambientes de 4,7 m × 4,7 m
  • Período de uso: do Clássico ao Bizantino inicial (até século VI d.C.)
  • Funções: civis, comerciais, religiosas e administrativas

22 moedas, 2 mármores e o intervalo de 1.000 anos

Entre os artefatos recuperados, destacam-se 22 moedas de bronze e 2 objetos de mármore datados do século IV a.C. Esses dois mármores são especialmente significativos.

Além disso, foram encontrados fragmentos de cerâmica, rolhas de ânforas e mais peças de mármore esculpido. O alcance cronológico é amplo.

Conforme as fontes, a cerâmica vai do período Clássico até a era Romana Tardia ou Bizantina inicial — chegando ao século VI d.C. Ou seja, o espaço foi usado por mais de mil anos.

Dessa forma, a stoa não foi um edifício efêmero. Quem a construiu no IV a.C. não imaginava que ainda seria usada após Cristo, sob domínio romano e bizantino.

Moedas de bronze e fragmentos de mármore esculpido recuperados pelos arqueólogos no sítio. As 22 moedas e 2 mármores do século IV a.C. ajudam a datar o uso contínuo da stoa

Pausânias, Salamina e o Egeu que sobe

Segundo o Ministério da Cultura grego, “a identificação da stoa é um elemento muito importante para o estudo da topografia e da organização residencial da cidade antiga”.

Conforme o Arkeo News, a descoberta corrobora um relato direto: Pausânias, viajante grego do século II d.C., descreveu “ruínas de ágora” perto do porto.

Por isso, mais de 1.800 anos depois, suas anotações ganham confirmação física. O turista grego antigo virou referência de localização para arqueólogos modernos.

Por outro lado, é preciso explicar por que a estrutura está hoje submersa. Conforme a Greece Is, a Grécia tem atividade sísmica quase constante.

Dessa forma, terremotos sucessivos ao longo de séculos rebaixaram trechos costeiros. Estruturas erguidas em terra firme acabaram debaixo de poucos metros de mar.

A identificação da stoa é um elemento muito importante para o estudo da topografia e da organização residencial da cidade antiga. — Ministério da Cultura da Grécia, em comunicado oficial via Tovima.

Por que a stoa submersa interessa hoje

Salamina é mais conhecida pela Batalha de Salamina, em 480 a.C. Foi ali que cidades-estado gregas derrotaram a frota persa de Xerxes.

Contudo, a história civil da cidade antiga é menos compreendida. Boa parte dela foi engolida pelo mar e seguiu desconhecida por séculos.

Por consequência, cada metro escavado da stoa devolve um pouco da vida cotidiana clássica.

Não a vida do herói militar, mas a do comerciante, do magistrado e do peregrino.

Além disso, há sinais de conexão mitológica. Conforme a Greece Is, alguns artefatos sugerem ligação com Ájax, herói da Guerra de Troia e figura central da memória local.

Tendência global da arqueologia de costa

Conforme o Greece Is, a descoberta de Salamis se insere numa tendência global. A arqueologia de “foreshore” — linha da costa — cresce em diversos países.

Métodos avançados de análise técnica, sonar multibeam e cofferdams flexíveis dão acesso a sítios antes inviáveis. Por isso, descobertas se aceleram.

Será que o Brasil, com tantos portos e cidades costeiras antigas, está pronto para um esforço parecido? A pergunta vale tanto para Olinda quanto para o porto de Santos.

Por outro lado, é preciso ressalva. As fontes apresentam divergência: o Arkeo News fala em “costa leste” e o Notícia Brasil em “costa ocidental”.

Ainda assim, a existência da estrutura está confirmada por múltiplas instituições gregas e internacionais.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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