Descoberta da stoa clássica submersa em Salamis usou barreira flexível para retirar a água do sítio e permitir escavação a seco. Vinte e duas moedas de bronze e dois mármores do século IV a.C. confirmam o uso contínuo do espaço público da era clássica até a Bizantina inicial.
Pesquisadores da Ephorate of Marine Antiquities, em parceria com o Institute of Marine Archaeological Research e a University of Ioannina, identificaram uma stoa submersa nas águas costeiras de Salamis, na Grécia.
Segundo o Ministério da Cultura da Grécia, a estrutura tem 32 metros de comprimento e 6 metros de largura. As paredes têm 60 centímetros de espessura.
Conforme a equipe, foram identificadas seis a sete salas internas, cada uma com 4,7 por 4,7 metros. O conjunto estava parcialmente coberto pela água do mar.
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Por isso, a expedição usou um cofferdam: uma barreira flexível que retira a água ao redor da stoa submersa. Dessa forma, é possível escavar a seco onde antes era fundo do mar.
Além disso, a descoberta confirma uma página esquecida do viajante Pausânias, que descreveu “ruínas de ágora” perto do porto há quase dois mil anos.
Como o cofferdam revelou a stoa submersa
O cofferdam é descrito pelos pesquisadores como “um método engenhoso” para acesso subaquático. Por meio dele, a água é drenada de uma área específica.
Assim, os arqueólogos podem trabalhar em condições secas controláveis. Sem o cofferdam, qualquer escavação dependeria de mergulho e visibilidade limitada.
Conforme o Ministério da Cultura, a técnica permitiu escavar “até os níveis do piso da stoa”. Por isso, os artefatos surgiram em sequência estratigráfica preservada.
Em três anos de pesquisa intensiva, iniciada em 2016, a equipe descobriu também uma barragem marítima em 2021. Trata-se de parte do antigo sistema de fortificação da cidade.
Por consequência, o sítio passou a ser tratado como um dos mais relevantes da arqueologia subaquática grega. Contudo, ainda há trechos significativos por explorar.

O que era uma stoa, afinal
Conforme o Arkeo News, uma stoa é um pórtico antigo grego. A parte traseira é fechada por parede e a frente exibe colunata para passeio abrigado.
Assim, a estrutura servia de espaço público multifuncional. Magistrados despachavam, lojistas vendiam, monumentos eram exibidos e cerimônias religiosas aconteciam.
Por isso, dizer que arqueólogos acharam apenas “uma parede submersa” seria injusto com o achado. A stoa funcionava como praça coberta da cidade clássica.
Segundo a Greece Is, a stoa de Salamis provavelmente marca a fronteira oriental da ágora — o coração cívico da cidade clássico-helenística — e não a área portuária.
- Comprimento: 32 metros (medição até a publicação)
- Largura constante: 6 metros
- Espessura das paredes: 60 centímetros
- Salas internas: 6 a 7 ambientes de 4,7 m × 4,7 m
- Período de uso: do Clássico ao Bizantino inicial (até século VI d.C.)
- Funções: civis, comerciais, religiosas e administrativas
22 moedas, 2 mármores e o intervalo de 1.000 anos
Entre os artefatos recuperados, destacam-se 22 moedas de bronze e 2 objetos de mármore datados do século IV a.C. Esses dois mármores são especialmente significativos.
Além disso, foram encontrados fragmentos de cerâmica, rolhas de ânforas e mais peças de mármore esculpido. O alcance cronológico é amplo.
Conforme as fontes, a cerâmica vai do período Clássico até a era Romana Tardia ou Bizantina inicial — chegando ao século VI d.C. Ou seja, o espaço foi usado por mais de mil anos.
Dessa forma, a stoa não foi um edifício efêmero. Quem a construiu no IV a.C. não imaginava que ainda seria usada após Cristo, sob domínio romano e bizantino.

Pausânias, Salamina e o Egeu que sobe
Segundo o Ministério da Cultura grego, “a identificação da stoa é um elemento muito importante para o estudo da topografia e da organização residencial da cidade antiga”.
Conforme o Arkeo News, a descoberta corrobora um relato direto: Pausânias, viajante grego do século II d.C., descreveu “ruínas de ágora” perto do porto.
Por isso, mais de 1.800 anos depois, suas anotações ganham confirmação física. O turista grego antigo virou referência de localização para arqueólogos modernos.
Por outro lado, é preciso explicar por que a estrutura está hoje submersa. Conforme a Greece Is, a Grécia tem atividade sísmica quase constante.
Dessa forma, terremotos sucessivos ao longo de séculos rebaixaram trechos costeiros. Estruturas erguidas em terra firme acabaram debaixo de poucos metros de mar.
A identificação da stoa é um elemento muito importante para o estudo da topografia e da organização residencial da cidade antiga. — Ministério da Cultura da Grécia, em comunicado oficial via Tovima.
Por que a stoa submersa interessa hoje
Salamina é mais conhecida pela Batalha de Salamina, em 480 a.C. Foi ali que cidades-estado gregas derrotaram a frota persa de Xerxes.
Contudo, a história civil da cidade antiga é menos compreendida. Boa parte dela foi engolida pelo mar e seguiu desconhecida por séculos.
Por consequência, cada metro escavado da stoa devolve um pouco da vida cotidiana clássica.
Não a vida do herói militar, mas a do comerciante, do magistrado e do peregrino.
Além disso, há sinais de conexão mitológica. Conforme a Greece Is, alguns artefatos sugerem ligação com Ájax, herói da Guerra de Troia e figura central da memória local.
Tendência global da arqueologia de costa
Conforme o Greece Is, a descoberta de Salamis se insere numa tendência global. A arqueologia de “foreshore” — linha da costa — cresce em diversos países.
Métodos avançados de análise técnica, sonar multibeam e cofferdams flexíveis dão acesso a sítios antes inviáveis. Por isso, descobertas se aceleram.
Será que o Brasil, com tantos portos e cidades costeiras antigas, está pronto para um esforço parecido? A pergunta vale tanto para Olinda quanto para o porto de Santos.
Por outro lado, é preciso ressalva. As fontes apresentam divergência: o Arkeo News fala em “costa leste” e o Notícia Brasil em “costa ocidental”.
Ainda assim, a existência da estrutura está confirmada por múltiplas instituições gregas e internacionais.
