A guerra no Irã levou o governo Lula a estudar uma subvenção para a gasolina, após medidas já anunciadas para diesel e gás de cozinha, enquanto José Guimarães falou em novos anúncios nos próximos dias, possibilidade de maior endividamento do país e impacto econômico com expectativa de duração de dois meses
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva estuda oferecer subvenção à gasolina para reduzir os efeitos econômicos da guerra no Irã sobre os consumidores brasileiros, segundo informação da Folha. A informação foi dada nesta quinta-feira (16) pelo novo ministro da articulação política, José Guimarães, ao afirmar que a medida está em análise após ações já adotadas para diesel e gás de cozinha.
Guimarães disse que o governo ainda elabora medidas adicionais e afirmou que o objetivo é impedir que o peso dos tributos recaia sobre a população. Ele declarou que as providências adotadas até agora foram importantes, mas insuficientes diante do impacto mais amplo causado pelo conflito.
Gasolina e guerra no Irã entram no centro das novas medidas
Ao comentar a possibilidade de novos gastos públicos, Guimarães defendeu até mesmo o aumento do endividamento nacional para preservar a economia popular. Para ele, os prejuízos provocados pela guerra no Irã não podem ser transferidos à população, caso seja necessário ampliar o esforço do Estado para conter os danos.
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O ministro afirmou ainda que o governo deverá anunciar, nos próximos dias, novas ações de proteção. Entre os temas em discussão, ele citou o endividamento das famílias brasileiras como uma frente que também deverá receber atenção do presidente.
Pacote econômico já inclui diesel, gás de cozinha e isenções
Com o início dos efeitos da guerra no Irã sobre a economia brasileira, a equipe econômica já anunciou um pacote voltado ao controle da inflação.
As medidas incluíram a isenção das alíquotas de PIS/Cofins sobre o biodiesel e o querosene de aviação, além de subvenção extra ao diesel e ao gás de cozinha.
Guimarães afirmou que o governo trabalha com a expectativa de que a guerra dure dois meses. Ele também indicou que a intenção é lançar medidas semelhantes às divulgadas na quarta-feira (15) para a construção civil, com foco no programa Minha Casa, Minha Vida.
Novo ministro amplia falas sobre economia e articulação política
Durante o encontro com jornalistas, Guimarães também comentou a possibilidade de revogação da chamada taxa das blusinhas.
Ele afirmou que já era contrário à aprovação da medida e avaliou que o tributo se tornou um dos fatores de desgaste do governo, acrescentando que veria com bons olhos uma eventual revogação.
José Guimarães foi escolhido por Lula para comandar a Secretaria das Relações Institucionais, responsável pela articulação política entre o Executivo e o Congresso, no lugar de Gleisi Hoffmann. Antes líder do governo na Câmara, ele foi sucedido no posto por Paulo Pimenta (PT-RS).
A posse de Guimarães reuniu parlamentares de esquerda e do centrão em um dos salões do Palácio do Planalto. Também participaram os presidentes das duas Casas do Legislativo, Hugo Motta, da Câmara, e Davi Alcolumbre, do Senado, em um momento em que gasolina e guerra no Irã passaram a ocupar espaço central nas discussões do governo.
