A escola não tem paredes, não tem ar-condicionado, não tem concreto, as salas de aula são abertas para a floresta e a brisa tropical entra livremente enquanto os alunos estudam sentados em cadeiras de bambu
A primeira coisa que você percebe ao chegar na Green School é que não existe porta. Nem parede. Nem portão de entrada com guarita. As salas de aula são pavilhões de bambu com telhado de palha, abertos dos lados. Quando chove, a água escorre pelas beiradas. Quando faz sol, a sombra do bambu refresca.
Os alunos ouvem pássaros durante a aula de matemática. Veem libélulas na aula de ciências. Parece utopia. Mas é uma escola real, com 400 alunos, de 30 países, que funciona desde 2008. Fica em Sibang Kaja, a 20 minutos de Ubud, no coração verde de Bali.
A família que largou Nova York para construir uma escola na selva
John Hardy era um joalheiro bem-sucedido com atelier em Bali e escritório em Nova York.
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Em 2006, ele e sua esposa Cynthia assistiram ao documentário Uma Verdade Inconveniente, de Al Gore.
O filme sobre mudanças climáticas os abalou profundamente.
Os dois decidiram que precisavam fazer algo radical.
Venderam o negócio de joias e investiram tudo na criação de uma escola que ensinasse sustentabilidade na prática, não na teoria.
Em 2008, a Green School abriu as portas ou melhor, abriu os pavilhões, já que portas ela não tem.

O Heart of School: uma catedral de bambu
A estrutura mais impressionante do campus é o Heart of School, o Coração da Escola.
É um pavilhão em espiral de três andares, todo feito de bambu, sem um único prego ou parafuso de metal.
A estrutura foi projetada por Elora Hardy, filha de John, que fundou o escritório de arquitetura IBUKU.
É considerada uma das maiores e mais complexas estruturas de bambu do mundo.
O formato em espiral cria ventilação natural: o ar quente sobe pelo centro e o ar fresco entra pelas laterais.
Sem ventilador. Sem ar-condicionado. Só física e bambu.
Currículo diferente: os alunos constroem, plantam e resolvem problemas reais
Na Green School, os alunos não ficam sentados ouvindo professores o dia inteiro.
Eles constroem hortas, aprendem a compostar, criam projetos de reciclagem e propõem soluções para problemas ambientais reais.
Um grupo de alunas adolescentes criou uma campanha que resultou na proibição de sacolas plásticas em Bali.
O governo balinês aprovou a lei em 2019 e tudo começou com um projeto escolar.
A escola segue o International Baccalaureate, então os diplomas são reconhecidos mundialmente.
Ex-alunos foram aceitos em universidades como Stanford, MIT e Oxford.
Quanto custa estudar ali
A Green School não é uma escola pública.
A anuidade varia de US$ 10 mil a US$ 20 mil, dependendo da série.
É cara para padrões indonésios, mas competitiva para famílias expatriadas que pagam escolas internacionais.
Há programa de bolsas para alunos locais balineses, garantindo diversidade na sala de aula.
As famílias vêm do mundo inteiro: Austrália, Japão, Europa, Américas. Muitas se mudam para Bali especificamente por causa da escola.
O prêmio da ONU e a expansão global
Em 2012, a Green School recebeu o prêmio da ONU de escola mais verde do mundo.
Depois de Bali, a marca abriu unidades na Nova Zelândia, na África do Sul e no México.
Cada campus é construído com materiais locais e adaptado ao clima da região.
Mas o bambu e a filosofia são os mesmos.
A pergunta que John Hardy fez em 2006, como educar para um mundo sustentável, virou uma rede global de escolas.
As críticas que a escola recebe
Nem todo mundo é fã da Green School.
Críticos apontam que a mensalidade alta contradiz o discurso de acessibilidade.
Outros dizem que a estrutura aberta é impraticável em climas frios ou chuvosos.
E há quem questione se uma escola sem paredes prepara os alunos para o mundo real, que é cheio de paredes.
Mas os resultados falam: alunos engajados, projetos com impacto real e uma geração que cresceu acreditando que cuidar do planeta é parte da educação, não uma matéria extra.
