Pesquisa liderada por Asem Salema, do Instituto Nacional de Pesquisa de Astronomia e Geofísica do Cairo, mediu vibrações dentro e ao redor da Grande Pirâmide com 37 sensores e apontou que diferenças de frequência em relação ao solo podem ter ajudado o monumento a resistir por mais de 4.500 anos
Estudo publicado na Scientific Reports mediu vibrações dentro e ao redor da Grande Pirâmide, no Egito, e identificou diferenças de frequência entre o monumento e o solo, fator que pode ter reduzido a ressonância e ajudado a preservar a estrutura por milênios.
Grande Pirâmide teve vibrações medidas em estudo
A Grande Pirâmide de Quéops resistiu por mais de 4.500 anos no Planalto de Gizé, inclusive ao terremoto de magnitude 5,9 no Cairo em 1992, e novas medições explicam parte dessa estabilidade.
Uma equipe liderada por Asem Salema, do Instituto Nacional de Pesquisa de Astronomia e Geofísica do Cairo, analisou vibrações dentro e ao redor da estrutura. O estudo foi publicado na revista Scientific Reports.
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Os pesquisadores instalaram 37 sensores em câmaras internas, pedras externas e áreas próximas à pirâmide. A medição registrou pequenas vibrações naturais, suficientes para comparar o comportamento do monumento com o terreno onde ele está assentado.
O método usado foi a análise da razão espectral horizontal-vertical, conhecida pela sigla HVSR. A técnica compara movimentos horizontais e verticais para estimar frequências de uma estrutura e do solo.
Por que a ressonância explica a resistência
A principal descoberta foi a diferença entre as frequências da Grande Pirâmide e as frequências do solo do Planalto de Gizé. Essa separação reduz a chance de ressonância, fenômeno que pode amplificar tremores quando estrutura e terreno vibram de forma parecida.
Em terremotos, a ressonância aumenta a absorção de energia pelo edifício. Ao vibrar em frequência diferente da areia e do terreno ao redor, a pirâmide tende a receber menos energia do solo durante abalos sísmicos.
Esse resultado não significa que apenas a frequência explique a sobrevivência do monumento. A resistência também depende da forma, dos materiais, da distribuição de massa e das soluções internas usadas pelos construtores egípcios.
Ainda assim, a medição oferece uma explicação física para uma pergunta antiga: como uma construção feita no Antigo Império, entre 2600 e 2450 a.C., atravessou milênios de terremotos, tempestades e perdas estruturais.
Engenharia da Grande Pirâmide também ajudou
A pirâmide foi erguida com blocos de calcário de cerca de 2,5 toneladas. Arqueólogos consideram que essas pedras foram movidas por rampas incorporadas à estrutura e depois aterradas durante a construção.
A forma piramidal favorece a estabilidade porque concentra a maior parte da massa na base e reduz o peso até o ápice. A simetria também ajuda a distribuir cargas a partir do centro, evitando desequilíbrios maiores.
Outro ponto observado está nas câmaras vazias acima da Câmara do Rei. Elas funcionam como espaços de alívio, capazes de reduzir parte da pressão acumulada nos níveis superiores durante respostas sísmicas.
O calcário usado na base e no corpo da construção também pode contribuir para dissipar vibrações ascendentes. Combinado às câmaras internas, esse material ajuda a explicar por que a Grande Pirâmide sofreu danos mínimos em 1992.
Salema afirmou que a redução do risco de ressonância pode contribuir para a resistência sísmica do monumento ao longo de milênios. Ele também ressaltou que qualquer ideia de otimização sísmica intencional pelos antigos arquitetos permanece especulativa.
Assim, o estudo não prova que os egípcios projetaram a pirâmide para enfrentar terremotos. O que ele mostra é que a combinação entre frequência natural, geometria, massa, calcário e câmaras internas tornou o monumento excepcionalmente resistente.
Com informações de popularmechanics.
