Governo da Bahia vai custear todas as despesas de 60 estudantes de baixa renda em curso de Medicina em Cuba e, em contrapartida, exige atuação mínima de dois anos em áreas rurais do estado após a formatura.
O Governo da Bahia publicou, em 11 de novembro de 2025, no Diário Oficial do Estado, o edital de um processo seletivo simplificado que oferece 60 vagas de Medicina em Cuba para estudantes de baixa renda.
O programa é executado pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em cooperação com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) e a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), com inscrições gratuitas pela internet entre 17 e 21 de novembro.
As bolsas são destinadas a brasileiros de baixa renda, preferencialmente residentes em áreas rurais da Bahia, que comprovem forte envolvimento em movimentos sociais e atuação comunitária. A proposta é priorizar jovens que, historicamente, têm menos acesso a cursos altamente concorridos como Medicina.
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O programa garante cobertura integral de custos: taxas acadêmicas, mensalidades, moradia estudantil, alimentação, seguro de saúde, passagens aéreas de ida e volta, material didático essencial e uma bolsa mensal para despesas pessoais. Em contrapartida, os futuros médicos deverão atuar por, no mínimo, dois anos em áreas rurais ou de difícil acesso na Bahia, após a validação do diploma no Brasil.
Segundo apuração, o governo estadual vai investir cerca de R$ 21,58 milhões ao longo de seis anos e meio para financiar o curso desses 60 estudantes na Escola Latino-Americana de Medicina (Elam), em Havana. O valor equivale a aproximadamente R$ 360 mil por aluno, incluindo formação e manutenção no exterior.
Quem pode se inscrever no processo seletivo para Medicina em Cuba
O edital determina que os candidatos devem ser brasileiros residentes na Bahia, com prioridade para quem vive em comunidades rurais e se declara de baixa renda, nos termos da legislação federal. Também é obrigatório ter 18 anos completos até a data da inscrição e não há cobrança de taxa de participação.
Outro requisito central é ter concluído o ensino médio até a inscrição, preferencialmente em escolas da rede pública. São aceitos, de forma prioritária, estudantes que cursaram o Ensino Fundamental II e o Ensino Médio em instituições públicas ou que concluíram a etapa por exames supletivos ou equivalentes.
Na inscrição, o candidato deve apresentar histórico escolar ou notas obtidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que serão usadas na classificação.
O perfil buscado inclui ainda trajetória de participação comunitária ou atuação social, comprovada por uma carta de recomendação emitida por movimento social. Exige-se passaporte válido e compromisso formal de retorno ao estado após a formatura, reforçando a ideia de que os bolsistas mantenham vínculo com suas comunidades de origem.
Como funcionam as três fases da seleção organizada pela Uneb
A seleção é composta por três etapas eliminatórias e classificatórias, sob responsabilidade do Centro de Processos Seletivos da Uneb, em parceria com Sesab e OEI. Na primeira fase, será analisado o desempenho escolar, com foco nas notas de disciplinas como Português, Matemática e outras áreas centrais para a formação em Medicina.
Na segunda etapa, os candidatos apresentam uma carta de intenção, na qual devem explicar por que desejam cursar Medicina em Cuba e de que forma pretendem contribuir com a saúde pública baiana.
A terceira fase é dedicada à conferência documental, quando serão checadas todas as declarações e comprovantes.
O resultado final está previsto para 23 de dezembro de 2025, fechando um processo totalmente digital, gratuito e com prazo curto entre 17 e 21 de novembro.
Bolsa integral, Elam e o custo de formar médicos no exterior
O edital destaca que as bolsas são integrais, cobrindo praticamente todos os custos diretos e indiretos da formação em Medicina em Cuba. A Sesab enfatiza que a iniciativa faz parte de um esforço de intercâmbio acadêmico-científico, com foco na formação de médicos voltados à atenção primária e à realidade de municípios com pouco acesso a serviços de saúde.
Os estudantes selecionados deverão cursar Medicina na Escola Latino-Americana de Medicina (Elam), universidade pública internacional localizada em Havana e criada em 1999 pelo governo cubano.
A instituição é reconhecida por receber alunos de mais de 100 países e já formou dezenas de milhares de médicos com perfil voltado à atuação em áreas vulneráveis, incluindo brasileiros que estudaram em programas de cooperação anteriores.
Do ponto de vista financeiro, o governo baiano se compromete a investir R$ 21,58 milhões, pagos em parcelas anuais ao longo dos seis anos e meio de curso. O montante garante não apenas as mensalidades, mas também moradia, alimentação, seguro de saúde e bolsas de manutenção.
Comparações feitas por veículos locais mostram que o custo de um curso semelhante, sem bolsa, gira em torno de US$ 57,4 mil apenas em mensalidades, sem contar hospedagem, o que evidencia o peso do subsídio público.
Segundo a Sesab, a justificativa central do programa é reduzir o déficit de médicos em áreas rurais e de difícil acesso no interior da Bahia, conhecidas como “vazios assistenciais”. A pasta argumenta que a combinação de formação médica integral e compromisso de retorno pode ajudar a fixar profissionais em localidades que historicamente têm dificuldade para atrair médicos.
A iniciativa também dialoga com a trajetória de cooperação em saúde entre Brasil e Cuba, marcada por experiências como o Programa Mais Médicos, criado em 2013.
Na época, médicos cubanos foram enviados a municípios carentes brasileiros, mas o modelo de repasse financeiro ao governo cubano gerou forte debate político e questionamentos sobre transparência, tema ainda sensível quando se fala em novos acordos na área.
Obrigação de retorno à Bahia e controvérsias sobre o programa
Uma das cláusulas mais importantes do edital é o Termo de Compromisso que os estudantes assinarão com Uneb, Sesab e OEI.
Após concluírem o curso e validarem o diploma no Brasil, os formados devem exercer a Medicina por pelo menos dois anos em áreas rurais da Bahia, seja em suas comunidades de origem, seja em regiões de difícil acesso com carência de profissionais. O processo seletivo tem validade de dois anos, prorrogável uma única vez, o que permite novos chamados se houver necessidade.
O programa, porém, já nasce cercado de polêmica política. Setores da oposição criticam o envio de recursos públicos ao governo cubano e defendem que os R$ 21,5 milhões deveriam ser investidos na expansão de vagas de Medicina em universidades baianas.
Um deputado federal chegou a ingressar com ação popular no Tribunal de Justiça da Bahia para tentar barrar o edital, alegando viés ideológico e contestando critérios como a exigência de carta de movimentos sociais.
De outro lado, o governo e entidades defensoras do projeto sustentam que a medida é uma resposta concreta à falta de médicos em municípios pobres e amplia o acesso de jovens de baixa renda a uma formação que dificilmente teriam no Brasil.
No fim das contas, o programa de 60 bolsas integrais de Medicina em Cuba levanta uma discussão que vai além da Bahia. Vale a pena investir alto na formação de poucos estudantes no exterior em troca da promessa de fortalecer a assistência em áreas rurais? Deixe seu comentário.

Aposto como tem sacanagem, governo do PT não **** prego sem estopa.
Precisa ir para Cuba?
Tem que ir para Cuba? Aqui existem muitas faculdades que oferecem o mesmo curso. Não entendi.