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Governo federal prepara leilão para ampliar o uso da energia solar e reduzir desperdícios no sistema elétrico

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 02/12/2025 às 07:57
Atualizado em 02/12/2025 às 07:58
Assista o vídeoGoverno federal anuncia leilão inédito de armazenamento de energia para integrar a energia solar e eólica, reduzir desperdícios e aumentar a segurança do sistema elétrico nacional.
Governo federal anuncia leilão inédito de armazenamento de energia para integrar a energia solar e eólica, reduzir desperdícios e aumentar a segurança do sistema elétrico nacional.
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Governo federal anuncia leilão inédito de armazenamento de energia para integrar a energia solar e eólica, reduzir desperdícios e aumentar a segurança do sistema elétrico nacional.

O avanço acelerado da energia solar no Brasil começa a exigir soluções estruturais capazes de garantir equilíbrio entre oferta e demanda

Diante desse cenário, o governo federal prepara um leilão inédito voltado à contratação de sistemas de armazenamento de energia elétrica em larga escala, com foco em grandes parques de baterias.

A iniciativa, prevista para ocorrer no próximo ano, permitirá que empresas explorem o serviço de armazenamento por um período de dez anos, com início da operação a partir de 2028. 

Trata-se de uma medida estratégica para acompanhar o crescimento das fontes renováveis e evitar perdas expressivas de geração limpa.

Desperdício de energia limpa pressiona planejamento do setor

Atualmente, o sistema elétrico nacional enfrenta um paradoxo. Embora o Brasil disponha de elevada produção de energia solar, eólica e hidrelétrica, parte relevante desse potencial não é aproveitada. 

Em determinados horários do dia, a geração supera a demanda, o que obriga o Operador Nacional do Sistema (ONS) a determinar cortes para evitar sobrecarga na rede.

Segundo estimativas oficiais, cerca de 20% de todo o potencial de geração renovável foi desperdiçado neste ano. 

Esse volume inclui eletricidade produzida por usinas solares e parques eólicos que operam com maior intensidade durante o período diurno, quando o consumo ainda é relativamente menor.

Leilão busca equilibrar oferta e demanda ao longo do dia

Para enfrentar esse desequilíbrio, o novo leilão prevê a instalação de grandes sistemas de baterias, capazes de armazenar a eletricidade gerada em excesso e liberá-la nos momentos de maior consumo. Assim, a energia solar produzida ao longo do dia poderá ser redistribuída nos horários de pico.

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A principal janela de uso desse armazenamento ocorre entre 18h e 21h, período em que a demanda cresce de forma significativa, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste. Nessa faixa, o consumo residencial se intensifica, enquanto a geração solar já diminuiu.

De acordo com Paulo Godoy, diretor de Relações Institucionais de uma empresa do setor, a função essencial do armazenamento é garantir o equilíbrio da rede elétrica. Ao permitir a transferência de energia entre diferentes horários, os sistemas de baterias reduzem a volatilidade da oferta e aumentam a confiabilidade do fornecimento.

Além disso, a tecnologia contribui para minimizar falhas e interrupções. Para Mateus Henrique Balan, especialista em energia, o consumidor final tende a ser diretamente beneficiado. 

Segundo ele, o uso de baterias reduz o risco de apagões e melhora a qualidade do serviço prestado pelas distribuidoras.

Experiências práticas já mostram resultados positivos

Embora o leilão represente um marco regulatório, o uso de armazenamento já está presente em algumas regiões do país. Um exemplo ocorre no Litoral Sul de São Paulo, onde uma empresa opera sistemas de baterias para atender a concessionária local.

Nesse caso, a energia armazenada é liberada nos momentos de maior demanda, garantindo o abastecimento de 21 municípios. 

A experiência demonstra que o modelo é tecnicamente viável e pode ser ampliado em escala nacional com apoio regulatório e contratos de longo prazo.

O impacto do armazenamento vai além da estabilidade da rede. No médio prazo, a tecnologia tende a contribuir para a redução da conta de luz, especialmente ao diminuir a dependência das usinas termelétricas, tradicionalmente mais caras e poluentes.

O CEO de uma empresa do setor, Giorgio A M de Saint Seigne, afirma que a substituição de geradores a diesel por sistemas baseados em energia solar combinada com baterias já é uma alternativa técnica e economicamente viável, com preços competitivos no mercado atual.

Ganhos ambientais e econômicos entram na conta

A transição do uso intensivo de termelétricas para soluções de armazenamento associadas à energia solar representa ganhos ambientais relevantes. Menores emissões e maior previsibilidade operacional passam a fazer parte do planejamento energético.

Nesse contexto, Talita Porto, diretora técnico-regulatória da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), ressalta o impacto econômico positivo da mudança. 

Segundo ela, a substituição das termelétricas mais poluentes por baterias, no período entre 2028 e 2030, pode gerar uma redução no Custo de Operação do Sistema superior a R$ 2 bilhões.

Vale destacar que o movimento brasileiro segue uma tendência internacional. Nos últimos anos, a expressiva redução dos custos das baterias ampliou seu uso em diversos países, tanto para serviços ao sistema quanto para reforço da estabilidade da rede elétrica.

Consequentemente, o armazenamento passou a ser adotado para múltiplas finalidades, incluindo melhoria da qualidade do fornecimento, integração de fontes renováveis intermitentes e reforço da segurança energética. 

Nesse cenário, a energia solar assume papel central, impulsionando investimentos e exigindo soluções cada vez mais sofisticadas para garantir seu pleno aproveitamento.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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