Obra de R$ 622 milhões recoloca em pauta um projeto viário antigo na Zona Sul de São Paulo, cercado por promessa de melhora no trânsito, dúvidas sobre impactos urbanos e pressão de moradores por respostas mais claras sobre remoções, drenagem e efeitos reais da intervenção.
A Prefeitura de São Paulo abriu a proposta financeira de R$ 622 milhões apresentada pelo Consórcio Expresso Sena Madureira-Klabin para retomar a obra dos túneis que devem ligar a Avenida Sena Madureira à Avenida Doutor Ricardo Jafet, na Zona Sul da capital.
Segundo a administração municipal, o empreendimento pode beneficiar mais de 800 mil pessoas por dia, mas, até agora, a oferta ainda passa por análise antes da homologação definitiva.
O projeto é tratado pela gestão municipal como uma intervenção estratégica para o sistema viário da região, num trecho que concentra deslocamentos entre bairros como Vila Mariana, Ipiranga, Saúde, Itaim Bibi e Morumbi.
-
Cientistas do MIT descobrem método capaz de transformar CO₂ em aliado da construção civil, aumentando em 13% a resistência do cimento após 24 horas e criando uma solução inovadora para infraestrutura mais eficiente e sustentável
-
Cidade canadense onde 100 jovens dormem sem casa viu voluntários erguerem 8 microcasas em apenas 72 horas, enquanto projeto promete 40 lares acessíveis para famílias chefiadas por mulheres em meio à crise habitacional
-
Mulher de 45 anos, mãe de 9 filhos e avó de 12 netos, recebe em São Paulo uma casa de 27 m² feita com plástico reciclado, erguida em 15 horas com blocos encaixados como Lego e telhado feito de material reciclável
-
Irlanda instalou 654 casas modulares em 11 locais para acolher 2.640 pessoas que fugiram da guerra na Ucrânia, usando unidades feitas fora do terreno, garantia de 60 anos e estrutura capaz de virar resposta para outras crises habitacionais
A nova licitação avançou após a abertura do envelope do único participante da concorrência, realizada em 3 de março de 2026, e a expectativa informada pela prefeitura era divulgar nos dias seguintes se a proposta seria aceita.
Túnel da Sena Madureira e ligação com a Ricardo Jafet
O desenho original do empreendimento prevê dois túneis de cerca de 1,6 quilômetro cada, com conexão subterrânea entre a área da Vila Mariana e o eixo da Ricardo Jafet.
Um deles partiria da Rua Botucatu até a Rua Mairinque.

O outro seguiria sob a Rua Domingos de Morais até a Rua Embuaçu, nas proximidades da avenida que dá acesso a importantes corredores viários da cidade.
Na justificativa oficial apresentada em consulta pública, a prefeitura afirma que a obra busca melhorar a mobilidade, reorganizar acessos e reduzir pontos de retenção numa área de tráfego intenso.
O material disponibilizado pelo município também sustenta que a intervenção poderá atender 800 mil pessoas por dia, número usado como principal argumento para a retomada do projeto.
Ainda assim, a execução depende de etapas administrativas e jurídicas.
Embora a proposta financeira já tenha sido conhecida, a contratação não estava concluída no momento da divulgação dos dados mais recentes.
Isso porque o poder público ainda analisava se o valor apresentado pelo consórcio era compatível com os parâmetros adotados pela administração para a obra.
Obra antiga, contrato revisto e nova licitação em São Paulo
A intervenção não começou agora.
O túnel da Sena Madureira é um projeto discutido há décadas e que voltou ao centro da agenda da prefeitura após uma tentativa anterior de implantação.
Parte das obras chegou a ser iniciada, mas o contrato ligado à fase anterior acabou rescindido depois de questionamentos do Ministério Público de São Paulo e de críticas sobre a regularidade do processo.
A gestão municipal passou então a defender que promoveu novos estudos e ajustes no desenho do empreendimento antes de lançar outra concorrência.
Esse redesenho foi apresentado em audiências públicas e em consulta aberta pela prefeitura em 2025, quando a administração sustentou que a nova versão reduziria impactos e ampliaria ganhos socioambientais em relação ao modelo anterior.
Entre as mudanças divulgadas, a prefeitura informou ter reduzido a extensão de áreas de emboque e desemboque, com diminuição do número de árvores afetadas em comparação com a proposta anterior.
O novo material também passou a prever transplante de exemplares arbóreos e requalificação urbana no entorno imediato da obra, pontos usados pelo município para defender a retomada da intervenção.
Impactos no trânsito e dúvidas sobre mobilidade urbana
Do ponto de vista viário, a administração municipal apresenta o túnel como uma solução para melhorar a fluidez num dos eixos mais carregados da Zona Sul.
A conexão entre Sena Madureira e Ricardo Jafet é vista pelo governo municipal como uma forma de reduzir gargalos em cruzamentos semaforizados e facilitar o acesso entre a região da Vila Mariana e corredores em direção ao Ipiranga e à Rodovia dos Imigrantes.
A promessa, porém, não encerrou a controvérsia.
Moradores, urbanistas e entidades que acompanharam as audiências públicas afirmam que a prefeitura prioriza a circulação de automóveis sem demonstrar, de maneira pública e detalhada, por que a obra seria a melhor alternativa para o trecho.
Nas discussões recentes, também surgiram críticas sobre a aderência do projeto às diretrizes de mobilidade urbana e ao espaço destinado ao transporte coletivo, ciclistas e pedestres.
Esses questionamentos ganharam força porque o túnel voltou à pauta cercado por disputas antigas.
O projeto já foi alvo de embates ambientais, urbanísticos e judiciais, e três ações mencionadas em reportagens de 2025 ainda discutiam aspectos da intervenção, incluindo licenciamento e impactos decorrentes da execução.
A prefeitura, por sua vez, sustenta que o novo desenho atualizou os estudos e preserva mais árvores do que a configuração anterior.
Moradores, remoções e temor com alagamentos na região
A maior resistência ao empreendimento vem das comunidades que podem ser atingidas diretamente.
Reportagens publicadas em 2025 apontam que mais de 200 famílias das comunidades Sousa Ramos e Coronel Luís Alves estavam no raio de impacto da obra, sem definição plenamente detalhada sobre reassentamento no momento em que o novo projeto foi apresentado à população.
Em audiências públicas, moradores relataram insegurança sobre o futuro das moradias e cobraram da prefeitura respostas objetivas sobre indenização, atendimento habitacional e permanência na região.
A administração afirmou que a primeira opção seria indenizar os atingidos e, em caso de recusa, oferecer atendimento habitacional definitivo, incluindo a possibilidade de unidades no Sacomã.
Mesmo assim, a falta de cronograma detalhado e de definição individualizada manteve a tensão no entorno do projeto.
Além do risco de remoções, a situação da comunidade Coronel Luís Alves expôs outra camada do problema.
Moradores vêm relatando episódios recorrentes de alagamento durante temporais, com entrada de água nas casas e prejuízos materiais.
Esse cenário reforçou o temor de que uma obra de grande porte, sem esclarecimentos suficientes sobre drenagem e mitigação de impactos, amplie a vulnerabilidade de quem já vive em situação sensível na área afetada.
Licitação do túnel ainda está em análise pela prefeitura
Com a proposta de R$ 622 milhões já conhecida, o passo seguinte é a análise administrativa da oferta e o encerramento das fases formais da licitação.
Só depois disso a prefeitura poderá confirmar a contratação e autorizar o avanço efetivo das obras.
Até aqui, o cenário mais recente é o de projeto em avaliação, e não de empreendimento definitivamente liberado para execução plena.
O caso, portanto, segue dividido entre a promessa de ganho viário e a pressão por respostas mais objetivas sobre impacto urbano, ambiental e habitacional.
Enquanto a prefeitura insiste na relevância da ligação subterrânea entre Sena Madureira e Ricardo Jafet, moradores e especialistas continuam cobrando transparência sobre o custo, a real eficácia da intervenção e o destino das famílias que vivem na área atingida.


É fundamental esse túnel, a partir das 14:00 hs. O trânsito na 23 de maio começar a travar por conta do excesso de veículos que seguem pela Sena Madureira, isso esse povinho **** que nem árvores tem nas casinhas onde moram, vem se intrometer com as poucas árvores ruins que tem no canteiro ridiculamente 1
largo.