A Usiminas fornece aço plano para as fragatas Classe Tamandaré da Marinha do Brasil construídas em Itajaí (SC), com 1.300 toneladas por navio entre chapas de Ipatinga (MG) e bobinas de Cubatão (SP), e a primeira embarcação, a fragata Tamandaré (F200), já foi incorporada à Esquadra após construção integralmente nacional.
A maior siderúrgica brasileira de aços planos está por trás da matéria-prima que compõe o casco e a estrutura das fragatas de guerra que a Marinha do Brasil constrói em Santa Catarina. A Usiminas participa do Programa Fragatas Classe Tamandaré desde 2020 como única fornecedora nacional de aço plano para o projeto, e cada uma das oito embarcações encomendadas consome aproximadamente 1.300 toneladas do material, volume que precisa apresentar resistência mecânica elevada, tenacidade e soldabilidade excepcionais para suportar as condições severas do ambiente marítimo e operações de defesa. A companhia passou por rigoroso processo de homologação que incluiu testes mecânicos, análises estruturais e avaliações de soldagem conduzidas no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa antes de ter o aço aprovado para uso nas fragatas.
A primeira embarcação do programa já está navegando. A fragata Tamandaré (F200) foi incorporada à Esquadra na última semana no Rio de Janeiro, marco que representa avanço na capacidade operacional da Marinha e na modernização da frota com navios construídos integralmente no Brasil utilizando aço nacional combinado com tecnologia internacional. Enquanto a F200 inicia suas operações, outras três fragatas seguem em construção no estaleiro de Itajaí: a Jerônimo de Albuquerque (F201), a Cunha Moreira (F202) e a Mariz e Barros (F203), e a Marinha já formalizou intenção de ampliar o programa com mais quatro navios, totalizando oito embarcações que demandarão mais de 10 mil toneladas de aço da Usiminas.
Por que o aço das fragatas precisa ser diferente do aço comum

O material que a Usiminas fornece para as fragatas não é o mesmo que vai para construção civil ou indústria automotiva. O aço destinado a navios de guerra precisa resistir a impactos, corrosão marinha, variações extremas de temperatura e esforços estruturais que embarcações civis nunca enfrentam, exigências que tornam o processo de fabricação significativamente mais complexo e que explicam por que a Usiminas precisou de homologação específica antes de fornecer o material. Os testes realizados no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da companhia avaliaram como o aço se comporta quando soldado em condições que reproduzem a construção naval, porque a qualidade da solda é tão crítica quanto a do próprio material em estruturas que precisam suportar explosões, colisões e décadas de exposição à água salgada.
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As chapas grossas produzidas em Ipatinga (MG) formam o casco e os componentes estruturais principais das fragatas. Já as bobinas laminadas a quente fabricadas em Cubatão (SP) são utilizadas em partes internas e revestimentos que exigem conformação diferente, e a combinação entre os dois tipos de aço permite que cada fragata tenha estrutura que equilibra proteção, peso e desempenho operacional. Para a Usiminas, fornecer aço para navios de guerra é validação técnica que poucas siderúrgicas no mundo conquistam e que posiciona a empresa como fornecedora capaz de atender especificações militares de padrão internacional.
O que são as fragatas Classe Tamandaré e por que são construídas com aço nacional em SC

O Programa Fragatas Classe Tamandaré é considerado estratégico para a defesa do Brasil. As oito embarcações estão sendo fabricadas no estaleiro da thyssenkrupp Marine Systems (TKMS) em Itajaí, Santa Catarina, num processo que combina projeto de origem alemã com alto índice de conteúdo nacional, incluindo o aço da Usiminas, e transferência de conhecimento que permite ao Brasil dominar tecnologias de construção naval de nível militar. A escolha de Itajaí como sede da construção gera empregos qualificados e desenvolve cadeia de fornecedores que inclui desde a siderurgia até a eletrônica embarcada.
O almirante Arthur Fernando Bettega Corrêa, chefe do Estado-Maior da Armada, destacou a importância da primeira fragata entregue. “Este momento representa um salto qualitativo para a Esquadra, na medida em que amplia capacidades operacionais, inclusive aquelas desenvolvidas no Brasil”, afirmou, declaração que reforça o papel do aço e dos demais insumos nacionais na construção de navios que o país antes importava integralmente. Walter Pinto Júnior, vice-presidente de Operações da Embraer Defesa e Segurança, complementou que a fragata Tamandaré “é a prova concreta de que o Brasil domina tecnologias complexas e é capaz de integrar sistemas de alto nível com padrão internacional”.
O arsenal que cada fragata carrega dentro de 1.300 toneladas de aço
A estrutura de aço das fragatas abriga sistema de combate que opera em múltiplas dimensões. A fragata Tamandaré possui capacidade de integrar em tempo real dados de sensores e armamentos, arquitetura que permite responder simultaneamente a ameaças vindas do ar, da superfície e do fundo do mar. O poder de fogo inclui mísseis antinavio para engajamento de alvos na superfície, mísseis antiaéreos de lançamento vertical para proteção contra aeronaves e mísseis inimigos, e torpedos voltados ao combate de ameaças submarinas, arsenal que transforma cada 1.300 toneladas de aço produzido para o estaleiro de Itajaí em plataforma de defesa multifuncional.
A artilharia complementa o sistema de mísseis com opções para diferentes distâncias de engajamento. O navio conta com canhão principal de 76 milímetros de tiro rápido e alta precisão, canhão secundário de 30 milímetros e duas metralhadoras pesadas para defesa de curto alcance, conjunto que garante resposta proporcional a ameaças desde fragatas inimigas até embarcações menores e drones. Toda essa capacidade operacional depende da integridade estrutural que o aço da Usiminas fornece: sem material que resista aos esforços de disparos, manobras evasivas e impactos potenciais, nenhum sistema de armas funcionaria adequadamente.
O que a participação da Usiminas significa para a indústria nacional do aço
O fornecimento de aço para as fragatas vai além do contrato comercial entre a Usiminas e o programa naval. A homologação conquistada pela siderúrgica brasileira demonstra que o país possui capacidade industrial para produzir material que atende especificações militares de nível internacional, competência que pode ser aproveitada em futuros projetos de defesa e que reduz a dependência de importações em segmento onde a soberania na cadeia de suprimentos é questão de segurança nacional. Lúcio Sávio Miranda, especialista em assistência técnica da Usiminas, declarou que “nos enche de orgulho a participação no Programa Fragatas Classe Tamandaré” e que a empresa “espera seguir contribuindo nas próximas etapas”.
Com a intenção da Marinha de encomendar mais quatro fragatas além das quatro já em construção, a demanda por aço da Usiminas deve se estender por anos. As 1.300 toneladas por navio multiplicadas por oito embarcações totalizam mais de 10 mil toneladas de aço plano que a siderúrgica produzirá especificamente para as fragatas, volume que sustenta linhas de produção dedicadas em Ipatinga e Cubatão e que mantém empregos qualificados na cadeia siderúrgica nacional. O programa é exemplo de como investimento em defesa pode impulsionar a indústria civil: o aço que protege fronteiras marítimas nasce nas mesmas usinas que fornecem material para pontes, edifícios e automóveis.
E você, sabia que as fragatas da Marinha são construídas com aço brasileiro em Santa Catarina? Acha que o Brasil deveria investir mais em defesa nacional? Deixe sua opinião nos comentários.

Fico feliz que estamos construindo navios de guerra no nosso país não só de guerra mais outros também fomentando.nossa indústria mostrando que não depende só de compra do exterior e cresce nossas indústrias gerando emprego e movimentando toda uma **** se suprimentos no país que deve se prepara para competir com os de fora
ÓBVIO!
Espetacular a iniciativa da Marinha em fomentar a indústria nacional. Geração de empregos, aquisição e multiplicação de conhecimentos são essenciais. Parabéns pela manutenção dessa mão de obra extremamente qualificada. Este é o verdadeiro caminho para a Soberania. Muito orgulho.