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Arranha-céus bilionários do Brasil escondem uma “receita do concreto” que reduz desperdícios, evita falhas estruturais e pode definir a segurança das maiores obras do país

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 13/05/2026 às 12:34
Atualizado em 13/05/2026 às 12:37
Arranha-céus modernos e obra em construção representam o uso de gestão tecnológica para reduzir custos e reforçar a segurança estrutural.
Arranha-céus e canteiro de obras ilustram como o controle tecnológico do concreto ajuda a reduzir desperdícios e aumentar a segurança.
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Controle técnico do concreto redefine padrões de qualidade, amplia a durabilidade das estruturas e ajuda construtoras a reduzir falhas em empreendimentos de grande porte

Uma mudança técnica de grande impacto vem ganhando espaço na construção civil brasileira, atraindo atenção de construtoras, incorporadoras e especialistas em engenharia. A gestão tecnológica de obras passou a ser tratada como estratégia essencial em arranha-céus, edifícios comerciais, empreendimentos residenciais e projetos de infraestrutura. O processo reduz desperdícios, melhora o controle dos materiais e reforça a segurança estrutural desde as primeiras etapas da construção. Segundo a DAHER Engenharia, especializada em engenharia consultiva e tecnologia aplicada à construção civil, esse trabalho começa antes mesmo de o concreto chegar ao canteiro de obras.

Controle técnico começa antes do concreto chegar à obra

A primeira etapa envolve uma auditoria na usina de concreto, conforme explica o sócio-diretor César Daher. A análise utiliza parâmetros técnicos próprios, pesquisas acumuladas e normas vigentes para garantir que o material fornecido mantenha o padrão exigido pelo projeto estrutural. A empresa também avalia a compatibilidade dos materiais que compõem o concreto e verifica se suas propriedades atendem às exigências de cada empreendimento. Segundo César Henrique Daher, a avaliação considera as especificações técnicas do projeto, as boas práticas normativas e a durabilidade estrutural necessária para cada obra.

Quando o material não atende aos critérios definidos, a empresa indica correções técnicas ou desenvolve o estudo de dosagem racional do traço. No setor, esse procedimento é conhecido como a “receita do concreto”, pois define a composição ideal do material para cada finalidade. Dessa forma, o controle tecnológico deixa de ser apenas uma verificação pontual e passa a funcionar como uma etapa preventiva. O objetivo é evitar falhas futuras, reduzir riscos e garantir maior previsibilidade ao desempenho da estrutura.

Monitoramento contínuo acompanha todas as fases da construção

Depois da auditoria inicial, a gestão tecnológica segue acompanhando a obra de forma contínua e estratégica. Cada carregamento de concreto é avaliado quando chega ao canteiro, antes da liberação para uso. O controle também verifica resistência, propriedades físico-mecânicas e conformidade com as exigências do projeto. Segundo César Henrique Daher, a proposta não é apenas testar o material, mas entender estatisticamente se o concreto mantém desempenho adequado ao longo do tempo.

Esse acompanhamento permite identificar desvios e corrigir problemas antes que eles afetem a estrutura. Segundo César Daher, a atuação preventiva ajuda a corrigir falhas antes que elas aconteçam. Com isso, construtoras e incorporadoras conseguem reduzir retrabalhos, evitar anomalias construtivas e melhorar a eficiência da obra. Em empreendimentos de grande porte, esse tipo de controle se torna ainda mais relevante, pois pequenas falhas de material podem gerar custos elevados e comprometer prazos.

Economia real aparece na redução de falhas e desperdícios

A gestão tecnológica também impacta diretamente os custos dos empreendimentos. A redução de desperdícios, a prevenção de problemas construtivos, a diminuição de retrabalhos e o aumento da vida útil das estruturas estão entre os principais benefícios apontados pela DAHER Engenharia. O processo passa a ser visto como investimento estratégico, já que melhora a qualidade da construção e reduz riscos financeiros ao longo da execução e da operação do empreendimento.

Essa lógica ganha ainda mais importância em obras verticais complexas. Arranha-céus exigem materiais com desempenho consistente, controle rigoroso e decisões técnicas alinhadas ao projeto estrutural. Por isso, o concreto precisa atender padrões específicos de resistência, durabilidade e aplicação. Quando esse controle é feito de forma antecipada e estatística, a obra ganha mais segurança, previsibilidade e eficiência.

ESG também aparece na escolha e no desempenho dos materiais

A gestão tecnológica se conecta ainda às práticas de ESG, principalmente pela redução de desperdícios e pela escolha mais eficiente dos materiais. Segundo Fabiola Daher, gestora de cultura e inovação da DAHER Engenharia, essa preocupação já fazia parte da empresa antes da popularização do termo no mercado corporativo. Para ela, a engenharia precisa considerar quem compra, quem habita, quanto tempo a obra vai durar e como ela impacta o ambiente.

Na prática, essa visão aparece na otimização do traço do concreto, que melhora o desempenho do material e pode reduzir o consumo de insumos associados a altas emissões de CO₂. A empresa também cita exemplos de economia circular, como o uso da cinza da casca de arroz nos concretos do Terminal de Contêineres de Paranaguá. Outros exemplos incluem a aplicação de sílica ativa na Ponte de Guaratuba e em alguns arranha-céus, além do uso de seixos rolados em uma pousada na ilha de Fernando de Noronha para enfrentar desafios logísticos locais.

DAHER consolidou atuação em grandes obras desde 1983

Fundada em 1983 dentro da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, a DAHER Engenharia nasceu como prestadora de serviços voltada ao controle e à assessoria tecnológica das construções. Ao longo dos anos, consolidou-se como referência nacional em engenharia consultiva, tecnologia de materiais e controle aplicado a grandes obras. A empresa atua em empreendimentos industriais, projetos de infraestrutura e construções verticais no Brasil e no exterior.

Em 2019, segundo a DAHER Engenharia, seis das dez maiores edificações do Brasil contavam com sua chancela técnica. Esse histórico reforça a importância da engenharia consultiva em obras de grande porte. Atualmente, conforme os edifícios ficam mais altos e complexos, o controle dos materiais se torna cada vez mais decisivo.
Diante desse cenário, o futuro dos grandes arranha-céus brasileiros dependerá mais da altura das estruturas ou da inteligência técnica aplicada antes mesmo da primeira concretagem?

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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