Petrobras confirma o Gasoduto de Sergipe em 2030 e apresenta os planos da Petrobras para o mercado de gás no plano estratégico 2026-2030.
A Petrobras anunciou, no novo plano estratégico 2026-2030, o quê pretende fazer: garantir a entrada em operação do Gasoduto de Sergipe em 2030, passo decisivo para destravar a maior nova fronteira de gás natural do país.
A decisão, quem tomou, foi apresentada pela presidente Magda Chambriard.
A companhia explicou quando o projeto deve avançar com licitação programada para 2026 e onde ele será instalado: na costa de Sergipe, integrando o projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP).
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A estatal afirmou como pretende executar o plano: contratando a primeira plataforma em negociação e iniciando a concorrência do duto logo em seguida.
E, por fim, explicou por que a obra é indispensável: sem o escoamento do gás, a produção prevista para Sergipe não se mantém economicamente viável.
Logo nos primeiros anúncios, Magda Chambriard resumiu a urgência:
“Porque se a gente não comercializar o gás de Sergipe (…), o projeto de Sergipe Águas Profundas não tem como sobreviver”.
Assim, a Petrobras reposiciona o SEAP como o pilar dos planos da Petrobras para o mercado de gás na próxima década.
Gasoduto será licitado em 2026 e inaugurado junto à plataforma SEAP 2
A estatal confirmou que a primeira plataforma do SEAP chamada SEAP 2 deve operar em 2030, acompanhada do Gasoduto de Sergipe em 2030, projetado para escoar até 18 milhões de m³/dia.
O duto será contratado após a conclusão da licitação da unidade de produção, hoje em negociação com a SBM Offshore.
A segunda plataforma, SEAP 1, ainda não tem data definida e permanece na carteira de projetos que disputarão recursos futuros.
Mesmo assim, a Petrobras garante que o avanço de SEAP 2 já representa a principal mensagem de que o plano segue vivo.
Viabilidade pressionada e impacto dos vetos da MP 1304
A confirmação do SEAP ocorre em um contexto de incertezas regulatórias e queda no preço internacional do petróleo, fatores que levantaram dúvidas sobre a viabilidade econômica do projeto.
O governo federal, ao vetar parte da MP 1304, reforçou essa preocupação.
O ministro Alexandre Silveira destacou:
“Essa emenda comprometeria inclusive a exploração de gás e petróleo em Sergipe, fundamental para o desenvolvimento nacional”.
Mesmo com os vetos, a Petrobras reafirma o compromisso de manter investimentos, agora estruturados em duas categorias: projetos “base”, com orçamento já aprovado, e projetos “alvo”, que precisam de novas avaliações trimestrais.
Reservas de Sergipe e histórico de atrasos
Geólogos descobriram as reservas do SEAP no início dos anos 2010.
O projeto engloba sete campos, declarados comerciais em 2021, mas teve avanços mais lentos do que o previsto.
Após frustradas tentativas de contratação, a Petrobras retomou as negociações e avalia a oferta de construção no modelo BOT, que transfere a plataforma à estatal após a entrega.
Se confirmada a contratação, o caminho para o Gasoduto de Sergipe em 2030 fica finalmente destravado.
Oferta nacional de gás deve crescer antes de Sergipe
Enquanto o SEAP não chega, os planos da Petrobras para o mercado de gás envolvem elevar a oferta da malha integrada para 55 milhões de m³/dia até 2026, impulsionada pelo Rota 3.
Em 2028, o projeto Raia, da Equinor, aumentará a capacidade para 62 milhões de m³/dia.
Já em 2030, a Petrobras estima atingir 67 milhões de m³/dia cenário em que o gás de Sergipe será decisivo.
Investimentos em Búzios, onshore e nova expansão petroquímica
O plano inclui ainda:
plataforma P-91 em Búzios, prevista para 2031, atuando como “hub” de exportação de gás;
retomada da produção onshore em Urucu e Bahia, com 100 perfurações em cinco anos;
investimentos em fertilizantes, petroquímica e integração com o refino;
foco na monetização do gás via termelétricas e novos produtos comerciais.
Entrada da Petrobras no biometano reforça transição energética
A Petrobras também prepara sua estreia no biometano com investimentos de US$ 1,1 bilhão.
O objetivo é reduzir emissões, diminuir a importação de GNL e utilizar o biometano como insumo para hidrogênio de baixo carbono.
A companhia será a principal compradora de Certificados de Garantia de Origem (CGOBs) a partir de 2026.
Perspectivas para o futuro do gás no Brasil
A estatal projeta que o gás seguirá representando 8% da matriz energética brasileira até 2050, mesmo com crescimento dos biocombustíveis e do diesel coprocessado.
Já para veículos pesados, a tendência é que o gás tenha participação crescente como alternativa competitiva.
Com o Gasoduto de Sergipe em 2030 confirmado, os planos da Petrobras para o mercado de gás indicam uma estratégia robusta, com diversificação e novos investimentos estruturantes que reposicionam o Brasil na rota de expansão do gás natural.
