Enquanto o mundo inteiro aposta em tokamaks gigantes, uma empresa da Califórnia criou um reator menor, mais simples e que funciona com um combustível que não gera resíduo nuclear
A TAE Technologies, sediada na Califórnia, alcançou um marco que a comunidade de fusão nuclear perseguia há décadas.
Segundo estudo publicado na Nature Communications em 2025, a empresa demonstrou experimentalmente que é possível gerar fusão nuclear usando hidrogênio e boro — um combustível chamado de aneutrônico.
A diferença fundamental: enquanto reatores tradicionais (como o ITER e o KSTAR) usam deutério e trítio, que produzem nêutrons radioativos, a reação hidrogênio-boro não gera lixo nuclear.
-
Montanha no Peru guarda 5.200 buracos alinhados por 1,5 km, intrigou cientistas por quase um século e agora pode revelar um antigo mercado indígena onde milho, algodão e outros produtos eram contados na própria paisagem
-
Poucos sabem, mas já foi possível comprar um avião caseiro que prometia liberdade para pessoas comuns, tinha duas asas, controles simplificados e um problema grave que apareceu depois de muitos acidentes
-
Ele não construiu um avião, mas passou décadas tentando fazer bicicletas voarem com asas e pedais, e os modelos que restaram ajudam a contar essa história incomum na Alemanha
-
Secretária de Segurança de Roraima veste jaleco e se passa por médica para flagrar técnico que cobrava R$ 600 por ressonância gratuita do SUS em Boa Vista; servidor confessou
Além disso, o boro é abundante na natureza e não é radioativo — tornando o combustível essencialmente ilimitado e seguro.
O reator é metade do tamanho de um tokamak e produz 100 vezes mais energia por volume
Conforme detalhou a TAE Technologies, a empresa eliminou componentes tradicionais de reatores de fusão, reduzindo o tamanho e a complexidade da máquina em até 50%.
O reator usa uma configuração chamada FRC (Field Reversed Configuration) — fundamentalmente diferente dos tokamaks em formato de rosca usados no ITER.
Portanto, o campo magnético interno mais baixo do FRC é exatamente o que torna viável a fusão hidrogênio-boro — um combustível que seria impossível em tokamaks convencionais.
De acordo com dados da empresa, o design FRC pode produzir até 100 vezes mais energia de fusão que um tokamak com o mesmo campo magnético, volume de plasma e tipo de combustível.
- Combustível: hidrogênio + boro (p-B11)
- Lixo radioativo: zero (aneutrônico)
- Redução de tamanho vs tokamak: até 50%
- Eficiência: 100x mais energia/volume
- Investidores: Google, Chevron, Trump Media
- Próximo passo: reator Copernicus (demonstração até final da década)
- Usina protótipo: Da Vinci (início dos anos 2030)

Google, Chevron e até Trump: os bilionários que apostam na fusão limpa
A TAE Technologies já levantou mais de US$ 1,2 bilhão em investimentos. Entre os apoiadores estão nomes de peso.
Conforme reportou a Carbon Credits, o Google é investidor há anos, contribuindo com poder computacional para simulações de plasma.
A Chevron — uma das maiores petroleiras do mundo — também investiu, sinalizando que até o setor de combustíveis fósseis reconhece o potencial da fusão limpa.
Sobretudo, em dezembro de 2025, a Trump Media anunciou uma fusão (de empresas, não nuclear) com a TAE Technologies em um negócio avaliado em mais de US$ 6 bilhões.
Nesse sentido, a fusão nuclear limpa deixou de ser um projeto de laboratório e virou um ativo financeiro de primeira linha.
Copernicus e Da Vinci: os reatores que podem mudar a matriz energética mundial
O caminho da TAE para a energia comercial passa por mais dois reatores.
O Copernicus — em construção — deve demonstrar a viabilidade de geração líquida de energia antes do final da década.
Igualmente, o Da Vinci será a primeira usina protótipo, prevista para o início dos anos 2030.
Consequentemente, se tudo correr como planejado, a TAE poderá oferecer energia de fusão comercial sem lixo radioativo antes de 2035.
Da mesma forma, o custo projetado por quilowatt-hora seria competitivo com solar e eólica — mas com a vantagem de geração contínua 24 horas, sem depender de sol ou vento.

Promessa ou realidade? Os céticos ainda têm argumentos fortes
Contudo, a fusão nuclear tem um histórico de promessas não cumpridas. A piada do setor é que “a fusão está sempre a 30 anos de distância”.
Por outro lado, os resultados da TAE são verificáveis e publicados em periódico revisado por pares — algo que diferencia a empresa de muitas startups de fusão.
Ainda assim, a distância entre um resultado de laboratório e uma usina comercial é enorme. Questões de engenharia de materiais, escala industrial e custos reais ainda precisam ser resolvidas.
Apesar disso, o fato de que Google, Chevron e investidores de US$ 6 bilhões estão colocando dinheiro real no projeto sugere que algo fundamentalmente diferente está acontecendo nesta rodada da corrida pela fusão.
Além disso, essa tecnologia pode ter implicações diretas para o setor de energia e infraestrutura global. Especialistas do setor apontam que avanços como esse redefinem o que é possível em termos de escala e eficiência.
Nesse sentido, o impacto vai além do projeto em si. Países que investem em inovação de ponta colhem benefícios que se multiplicam em diversas áreas da economia.
Da mesma forma, projetos semelhantes ao redor do mundo demonstram que a corrida por fenômenos naturais extremos está se acelerando em 2026.
Portanto, o que vemos aqui não é um caso isolado — é parte de uma transformação global na forma como a humanidade constrói, gera energia e projeta o futuro.
Sobretudo, é importante considerar o contexto brasileiro. Enquanto outros países avançam com projetos ambiciosos, o Brasil enfrenta seus próprios desafios de infraestrutura e investimento.
Por outro lado, iniciativas como as relacionadas a reajustes de energia no Brasil mostram que há movimento em diversas frentes ao redor do mundo.
Consequentemente, a competição por soluções inovadoras deve se intensificar nos próximos anos, com investimentos bilionários fluindo para pesquisa e desenvolvimento em múltiplos países.
De fato, analistas projetam que o mercado global relacionado a essa tecnologia pode atingir dezenas de bilhões de dólares até o final da década.
Dessa forma, a TAE Technologies pode não ser a empresa que finalmente domesticará o poder das estrelas. Mas é, até o momento, a que chegou mais perto de fazer isso sem deixar lixo radioativo pelo caminho.
