Setor de carne bovina teme desorganização com cota chinesa e defende modelo da cota Hilton para preservar a indústria brasileira.
A indústria brasileira de carne bovina, representada por frigoríficos exportadores, solicitou ao governo federal que adote um modelo semelhante ao da cota Hilton para organizar as vendas ao mercado da China.
O pedido ocorre após o país asiático anunciar, para 2026, uma cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina com tarifa reduzida.
A preocupação central é evitar desorganização na cadeia produtiva, impactos nos preços internos e instabilidade econômica no setor, caso não haja critérios claros de distribuição.
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O debate envolve autoridades brasileiras, entidades setoriais e o comércio internacional, em um momento sensível para a economia global.
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Indústria teme corrida por embarques e desarranjo no mercado interno
O setor de frigoríficos avalia que, sem regras internas, a liberação da cota chinesa pode provocar uma corrida por exportações.
Esse movimento, segundo a indústria brasileira, tende a gerar oscilações nos preços da arroba do boi e da própria carne bovina no mercado doméstico.
Além disso, o risco não se limita ao curto prazo. Representantes do setor alertam que uma desorganização inicial pode comprometer toda a cadeia pecuária por vários anos.
“Sem uma regulação estatal, o receio do setor é de um momento de oscilações de preços, de ritmo de compras de bovinos e dos embarques que podem desorganizar a cadeia”, afirma uma fonte envolvida nas discussões.
Cota Hilton é vista como referência para dar segurança jurídica
A proposta apresentada ao governo brasileiro é replicar, com a China, o modelo da cota Hilton, mecanismo criado em 1979 pela União Europeia para regular a importação de carne bovina de alta qualidade.
Nesse sistema, o volume total é distribuído de forma proporcional entre as empresas que exportaram no ano anterior.
O objetivo, segundo a indústria, é oferecer conforto jurídico ao Executivo e previsibilidade ao setor. A ideia já foi levada à Camex, responsável por decisões estratégicas no comércio exterior brasileiro.
China rejeita divisão por frigorífico e defende acesso livre
Apesar do avanço das discussões no Brasil, autoridades chinesas informaram recentemente a exportadores brasileiros e argentinos que não pretendem adotar o modelo de divisão por frigorífico.
Segundo o governo chinês, a administração da cota será feita localmente, priorizando quem exportar primeiro, sem limitação por empresa.
Nesse formato, todas as plantas habilitadas teriam acesso livre. Quando o volume total for atingido, a China comunicará os parceiros comerciais e passará a aplicar uma tarifa extracota de 55%.
A intenção declarada é não restringir a concorrência entre frigoríficos nem reduzir o poder de negociação do país asiático.
Escalonamento de vendas surge como alternativa intermediária
Diante da resistência chinesa, outra proposta em debate é o escalonamento das exportações, com limites mensais ou trimestrais de embarques. A medida busca evitar um excesso de vendas concentrado em poucos meses.
Embora tenha adesão dos frigoríficos, há receios na cadeia pecuária sobre possíveis efeitos colaterais, como distorções nos preços pagos aos produtores.
Ainda assim, fontes de Brasília indicam que “o governo está ciente dos impactos” e avalia mecanismos para preservar a estabilidade do setor.
Entidades do setor defendem ação rápida do governo
A Abrafrigo defende abertamente a distribuição proporcional da cota chinesa, nos moldes da Hilton. Já a Abiec informou que levou as preocupações ao governo e que as empresas acatarão a decisão final do Executivo.
Enquanto isso, associações internacionais, como a argentina, relatam que a China também rejeitou modelos semelhantes aos aplicados em cotas de exportação aos Estados Unidos.
Economia global amplia atenção ao tema
O debate ocorre em um cenário mais amplo da economia internacional, marcado por volatilidade em mercados estratégicos.
Assim como acontece com prata, ouro e outros metais preciosos, que sofrem influência direta das decisões dos Estados Unidos e da China, a carne bovina tornou-se um ativo sensível nas relações comerciais globais.
Nesse contexto, especialistas apontam que a ausência de coordenação pode reduzir preços internacionais e enfraquecer a posição da indústria brasileira no longo prazo.
“O Brasil deveria reagir com algum tipo de controle para evitar a redução do preço internacional. O governo está discutindo isso”, afirmou uma fonte graduada.
Governo ainda não se posicionou oficialmente
Procurados, os ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura não se manifestaram até o momento.
Enquanto isso, o setor produtivo segue pressionando por uma definição rápida, temendo que a falta de regras claras comprometa não apenas os frigoríficos, mas toda a cadeia da carne bovina no Brasil.

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