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Formação inédita: energia solar fortalece comunidades amazônicas com agentes comunitários reconhecidos

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 12/12/2025 às 11:03
Atualizado em 12/12/2025 às 11:05
Formação pioneira na Amazônia capacita indígenas, ribeirinhos e quilombolas para operar sistemas de energia solar e gerir estruturas próprias, fortalecendo autonomia e ampliando direitos em áreas isoladas da Resex Tapajós-Arapiuns, no Pará.
Formação pioneira na Amazônia capacita indígenas, ribeirinhos e quilombolas para operar sistemas de energia solar e gerir estruturas próprias, fortalecendo autonomia e ampliando direitos em áreas isoladas da Resex Tapajós-Arapiuns, no Pará.
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Formação pioneira na Amazônia capacita indígenas, ribeirinhos e quilombolas para operar sistemas de energia solar e gerir estruturas próprias, fortalecendo autonomia e ampliando direitos em áreas isoladas da Resex Tapajós-Arapiuns, no Pará.

A expansão da energia solar nas regiões mais remotas do país está transformando a rotina de comunidades indígenas, quilombolas, extrativistas e ribeirinhas

Em locais onde o acesso à rede elétrica nunca foi garantido, a tecnologia fotovoltaica se tornou uma alternativa que promove autonomia, reduz desigualdades e fortalece direitos.

Nesta semana, dezenas de comunitários da Amazônia concluíram uma formação inédita que os prepara para operar, manter e gerenciar sistemas de energia solar. 

O curso marca a primeira etapa de um projeto amplo que pretende criar uma rede de agentes comunitários de energia com atuação direta nas próprias comunidades.

Cinco dias de aprendizado sobre energia solar na Resex Tapajós-Arapiuns

A fase presencial da 1ª Formação de Agentes Comunitários de Energia ocorreu no Centro Experimental Floresta Ativa (CEFA), na comunidade Carão, dentro da Resex Tapajós-Arapiuns, em Santarém. 

Foram cinco dias intensivos, que encerraram um ciclo iniciado em outubro, quando o grupo iniciou atividades a distância.

Ali, participantes que já lidam com sistemas de energia solar passaram a enxergar o cotidiano técnico como campo de estudo, organização e defesa de direitos. 

A formação foi criada a partir de demandas das próprias comunidades, conectadas pela Rede Conexão Povos da Floresta.

O Projeto Saúde e Alegria (PSA) é parceiro da rede no curso, que dialoga com o eixo de infraestrutura comunitária e com a trajetória histórica da instituição em testar e desenvolver arranjos de energia renovável para territórios amazônicos.

A coordenadora de infraestrutura comunitária do PSA, Jussara Salgado, reforça que o objetivo principal é democratizar o acesso à energia em locais não atendidos pelo sistema convencional.

“A formação tem por objetivo levar conteúdos de acesso à energia para comunidades que não têm esse direito, que não são assistidas por esse direito, não recebem o acesso à energia da rede e acabam recorrendo a outras fontes.”

Segundo ela, o curso prepara os comunitários para gerir seus sistemas, garantindo autonomia e reduzindo a dependência de técnicos externos. “A finalidade do curso é conseguir fortalecer as comunidades para que elas possam fazer a sua própria gestão e tenham autonomia também para a manutenção desses sistemas”, destacou.

A proposta também se conecta ao Sandbox Regulatório do MME e da ANEEL, aproximando técnicos, legisladores, concessionárias e comunidades tradicionais.

Demandas reais moldaram o curso de energia solar

O pesquisador do IEMA e conselheiro da Rede, Vinícius Oliveira da Silva, que atua como facilitador do GT de Energia, explicou que a formação nasceu de necessidades urgentes identificadas nos territórios.

“O curso de formação de agentes comunitários de energia foi um curso demandado pelas próprias comunidades que fazem parte da Rede Conexão Povos da Floresta. Essas comunidades tinham muitas demandas de como operar os sistemas energéticos, problemas de segurança, falta de energia.”

Esses desafios se intensificaram com a chegada recente de sistemas solares em muitos territórios, que rapidamente exigiram manutenção e presença técnica local.

A experiência de cada participante revela a dimensão do impacto social da energia solar.

Reginalva Godinho, da comunidade Anã, Rio Arapiuns

“Estar aqui no curso é um desafio e, ao mesmo tempo, é muito importante para nós mulheres, para nós, lideranças que estamos atuando nos territórios. (…) A qualidade da energia dentro das comunidades é muito importante, porque ela é o meio de tudo, da saúde, da educação. Ela pode salvar vidas através da conectividade.”

Ildimar dos Santos, da comunidade quilombola Jarauacá, Oriximiná

Com um sistema recém-chegado, a comunidade enfrentou problemas de manutenção.
“Muitas famílias têm sofrido com os problemas que têm dado em alguns sistemas. Então, para mim tá sendo muito importante ter aprendido a fazer o cálculo, o levantamento de carga que na comunidade não tínhamos essa ideia do que utilizar no nosso sistema.”

Ele já se vê como referência local: “Bom, a partir desta formação, vai mudar um pouco a minha vida e da minha comunidade. Eu vou poder me qualificar profissionalmente e poder ajudar os comunitários do meu território.”

Marcelo Rodrigues, da comunidade Samaúma, região do Tapajós

Agricultor e eletricista informal, ele quer aplicar imediatamente o que aprendeu.
“O que me chamou a atenção e ficou interessante e que eu posso levar para lá é o uso correto da energia. Para mim, também em termos técnicos, vai servir muito. A gente trabalha muito na prática sem conhecimento técnico e aqui está sendo muito passado isso.”

Módulos práticos motivam participantes e fortalecem redes técnicas

A formação contou com apoio de diversos parceiros. Alessandra Mathyas, do WWF Brasil, lembrou a importância do CEFA como referência regional. “Não tinha outro lugar para a gente começar com esse nosso projeto piloto, se não fosse aqui, onde já saíram alguns eletricistas do sol aqui para região de Santarém.”

No módulo técnico, o engenheiro Gustavo Moncayo, da Ion Energia, trabalhou diretamente na montagem e no dimensionamento dos sistemas fotovoltaicos off-grid. Ele destacou o entusiasmo do grupo:

“Quanto mais a gente falava, quanto mais a gente explicava, mais eles ficavam com vontade de aprender, mexer e colocar a mão na massa, eles queriam entender. Eu achei isso muito bacana, a curiosidade deles, a vontade de aprender.”

Com o primeiro piloto concluído, a Rede Conexão Povos da Floresta, o Projeto Saúde e Alegria e as organizações parceiras já planejam próximos passos para 2026. A expectativa é ampliar a formação para novos territórios e fortalecer os agentes comunitários como figuras centrais na gestão dos sistemas de energia solar dentro das próprias comunidades.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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