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Floresta pré-histórica descoberta no sul do Brasil revela um oásis úmido cercado por aridez extrema há mais de 270 milhões de anos e muda o que cientistas acreditavam sobre o clima da Terra no período Permiano

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 20/04/2026 às 18:26 Atualizado em 20/04/2026 às 18:28
Floresta pré-histórica cercada por área árida no período Permiano, com lago e vegetação densa contrastando com o ambiente seco ao redor
Imagem ilustrativa representa uma floresta úmida isolada em meio à aridez extrema há cerca de 260 milhões de anos, cenário semelhante ao identificado no sul do Brasil
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Descoberta de fósseis no Rio Grande do Sul mostra ecossistema diverso que sobreviveu em meio à seca durante o período Permiano

Uma descoberta científica de grande relevância foi registrada no sul do Brasil, trazendo novas evidências sobre a dinâmica ambiental do planeta no passado remoto.

Uma floresta pantanosa extremamente diversa se desenvolveu entre 273 milhões e 260 milhões de anos, durante o período Permiano, na região que hoje corresponde ao sudoeste do Rio Grande do Sul, próximo à fronteira com o Uruguai .

Esse ecossistema reunia árvores, samambaias, lagos e organismos aquáticos primitivos, formando um ambiente úmido em contraste com a crescente aridez da região naquele período.

Descoberta surpreende cientistas em cenário árido

A identificação dessa floresta surpreendeu pesquisadores, principalmente porque ocorreu em uma área que já apresentava sinais de desertificação.

Segundo a paleobotânica Joseane Salau Ferraz, da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), autora principal do estudo publicado em junho na revista Journal of South American Earth Sciences, a diversidade encontrada não era esperada em um ambiente seco .

Durante as análises, cerca de 200 fósseis foram coletados, sendo que 103 exemplares bem preservados revelaram espécies adaptadas a condições úmidas.

Além disso, vestígios de escamas de peixes e moluscos confirmaram a existência de lagos cercados por vegetação abundante.

Oásis natural protegeu espécies antes da grande extinção

Esse ambiente funcionou como um verdadeiro refúgio ecológico, preservando formas de vida que existiam antes da maior extinção da história da Terra.

Por volta de 252 milhões de anos atrás, no final do Permiano, cerca de 90% das espécies foram eliminadas, em um evento associado a mudanças climáticas intensas e atividade vulcânica .

De acordo com estudos publicados em dezembro de 2024 na mesma revista científica, grandes lagos isolados no interior dos continentes podem ter desempenhado papel fundamental na sobrevivência de algumas espécies.

No entanto, no ambiente marinho, o cenário foi diferente, já que o aumento da temperatura, a presença de cinzas vulcânicas e a queda do nível do mar provocaram extinções em larga escala.

Escavações revelam fósseis com alto nível de preservação

As escavações começaram em 2020, no sítio paleontológico Cerro Chato, localizado em Dom Pedrito (RS).

Segundo Joseline Manfroi, pesquisadora associada à Universidade de São Paulo (USP), os fósseis estavam visíveis desde o início, o que indicava a riqueza do local .

As análises mostraram detalhes impressionantes, como nervuras preservadas nas folhas e vasos condutores visíveis nos caules, além de exemplares completos com raízes, caule e folhas conectados.

Rocha com fragmentos de plantas fósseis.

Vegetação diversa com predominância de licófitas

A floresta apresentava uma composição variada, embora cerca de 73% dos fósseis pertençam às licófitas, grupo de plantas primitivas.

Entre elas, destaca-se a espécie Lycopodiopsis derbyi, que podia atingir até 30 metros de altura, com caule fino e copa arredondada .

Além disso, o ambiente incluía coníferas de grande porte, Glossopteris e esfenófitas, plantas de pequeno porte semelhantes à atual cavalinha.

Na mesma época, regiões como São Paulo e Tocantins abrigavam samambaias arbóreas de até 15 metros, semelhantes às espécies atuais da Mata Atlântica.

Formação da Pangeia intensificou a aridez

A transformação climática está diretamente ligada à formação do supercontinente Pangeia, concluída há cerca de 252 milhões de anos.

Segundo o paleontólogo Felipe Pinheiro, da Unipampa, as áreas mais distantes do mar tornaram-se progressivamente mais secas, reduzindo a extensão das florestas .

Com isso, a vegetação passou a existir apenas em regiões isoladas, como o oásis identificado no sul do Brasil.

Registros mais antigos reforçam mudanças ambientais

Estudos conduzidos por Júlia Siqueira Carniere, da Univates, identificaram fósseis ainda mais antigos, com cerca de 296 milhões de anos, no município de Pântano Grande (RS) .

Esses registros indicam a existência de ambientes pantanosos com clima mais úmido antes da intensificação da aridez.

Além disso, foi identificada a espécie Franscinella riograndensis, ampliando o conhecimento sobre a flora do período.

Conexão entre continentes e impacto global

A presença de fósseis de Glossopteris tanto na América do Sul quanto na África reforça que os continentes estavam unidos no passado.

Na mesma época, uma floresta ainda mais diversa se desenvolveu no sul da atual África do Sul, mas acabou desaparecendo sob condições semelhantes .

Esse conjunto de evidências mostra que ambientes úmidos puderam existir mesmo em cenários predominantemente áridos, desafiando interpretações tradicionais da paleontologia.

Diante dessas descobertas, surge uma reflexão inevitável: quantos outros ecossistemas antigos ainda permanecem ocultos e podem transformar o que sabemos sobre a história da Terra?

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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