Governo Lula avalia criar programa de financiamento para motos de entregadores, com crédito facilitado e foco em veículos elétricos. Veja o que já se sabe.
O governo federal estuda lançar um programa nacional de financiamento de motos voltado exclusivamente para entregadores de aplicativos. A proposta, citada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista recente, prevê condições de crédito mais acessíveis para que motoristas e motociclistas possam adquirir um veículo próprio — com possibilidade de incluir motos elétricas como prioridade.
A medida ainda não foi formalizada, mas já está sendo discutida entre o presidente, o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministros da área econômica e de desenvolvimento.
Segundo Lula, a intenção é criar um mecanismo “simples e rápido” para permitir que trabalhadores autônomos comprem suas motos “com juros mais baixos e menos burocracia”.
Por que o programa mira os entregadores?
Nos últimos anos, o número de trabalhadores atuando por aplicativos como iFood, Rappi e Uber Eats cresceu de forma acelerada. Estimativas do setor indicam que mais de 1,6 milhão de brasileiros dependem diretamente da atividade de entrega para complementar ou sustentar a renda da família.
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O governo vê nesse grupo uma parcela vulnerável da economia:
- Muitos entregadores não conseguem crédito para comprar uma moto;
- Parte trabalha com veículos alugados, o que reduz o ganho mensal;
- Há forte interesse em adoção de motos elétricas, que têm custo operacional menor.
Um programa federal poderia facilitar a compra com parcelas acessíveis, juros subsidiados e, eventualmente, prioridade para motos de baixa emissão.
O que já se sabe sobre a proposta
Até o momento, o governo confirmou apenas que o programa está em estudo. Não há previsão de data de lançamento, regras definidas ou valores de investimento público. O que já está sobre a mesa:
- Linha de crédito específica para entregadores;
- Possibilidade de incluir motos elétricas como foco principal;
- Integração com políticas de mobilidade sustentável;
- Participação do BNDES, Banco do Brasil ou Caixa ainda em avaliação;
- Regras de adesão ainda não detalhadas.
Segundo Lula, a ideia é garantir que trabalhadores possam “ter sua própria moto e trabalhar com dignidade”, reforçando que a medida deve reduzir custos operacionais e ampliar a renda de uma categoria essencial no dia a dia das grandes cidades.
Medida faz parte de pacote social maior
A proposta surge em meio a uma série de programas anunciados pelo governo em 2025, incluindo:
- crédito popular para pequenas reformas residenciais;
- incentivo à compra de eletrodomésticos eficientes;
- apoio a famílias de baixa renda para aquisição de bens essenciais.
Nesse contexto, o financiamento de motos para entregadores seria uma forma de estimular o emprego, reduzir desigualdades e modernizar a frota nacional, aproximando o Brasil do uso crescente de veículos elétricos em países asiáticos e europeus.
Especialistas apontam impactos positivos — mas pedem cautela
Economistas e analistas de mobilidade urbana avaliam que um programa do tipo pode trazer benefícios imediatos, como:
- aumento da produtividade dos entregadores;
- queda nos custos de operação;
- redução de emissões, caso motos elétricas sejam priorizadas;
- formalização gradual da categoria.
No entanto, especialistas também alertam que o governo precisa estabelecer critérios bem definidos de elegibilidade, evitar endividamento excessivo e garantir que as condições de financiamento sejam realmente melhores do que as oferecidas pelo mercado privado.
A equipe econômica deve apresentar um desenho preliminar do projeto nas próximas semanas. Após ser finalizado, o programa pode ser anunciado por decreto ou enviado ao Congresso como projeto de lei, dependendo da estrutura final.
Até lá, o financiamento para motos de entregadores permanece como uma das principais discussões do governo Lula para 2025, especialmente pelo impacto que pode gerar sobre uma das categorias mais presentes na economia digital brasileira.

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