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Fertilizantes importados ficam 12,8% mais caros, Brasil reduz compras em 43,2% e produtores rurais enfrentam pressão nos custos da safra 2026/27, enquanto a dependência de fornecedores estrangeiros ameaça o planejamento agrícola

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Escrito por Felipe Alves da Silva Publicado em 12/10/2026 às 20:27 Atualizado em 12/10/2026 às 20:30
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Produtor rural examina sacos de fertilizantes agrícolas próximos a caminhão e lavoura brasileira, representando o aumento do custo dos insumos importados.
Fertilizantes importados pelo Brasil ficaram 12,8% mais caros em agosto de 2026, enquanto o volume adquirido do exterior recuou 43,2% na comparação anual.
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Dados do comércio exterior mostram que o preço médio dos adubos importados chegou a US$ 403,20 por tonelada em agosto de 2026, enquanto o Brasil continua dependente do mercado internacional para atender aproximadamente 85% da demanda por fertilizantes.

O Brasil iniciou a safra 2026/27 com fertilizantes importados mais caros e uma redução expressiva nas compras externas. Em agosto de 2026, o preço médio desses produtos aumentou 12,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto o volume adquirido pelo país caiu 43,2%, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Na prática, o Brasil importou 2,97 milhões de toneladas de adubos e fertilizantes químicos durante o mês, com preço médio de US$ 403,20 por tonelada.

A combinação chama atenção porque o país depende de fornecedores internacionais para atender aproximadamente 85% de seu consumo de fertilizantes, conforme informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Os números, divulgados em setembro e retomados em reportagem do Portal do Agronegócio em 6 de outubro, revelam um desafio para os agricultores: planejar a compra de insumos essenciais em um mercado sujeito às oscilações internacionais de preços, câmbio e transporte.

O aumento de 12,8% corresponde ao preço médio de importação em dólares, e não significa que todos os fertilizantes vendidos aos produtores brasileiros ficaram exatamente 12,8% mais caros.

Brasil importou 2,97 milhões de toneladas de fertilizantes em agosto, contra aproximadamente 5,22 milhões um ano antes

A redução das importações foi um dos movimentos mais expressivos registrados no mercado brasileiro de fertilizantes em 2026.

Segundo os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao MDIC, o Brasil recebeu aproximadamente 5,22 milhões de toneladas desses insumos em agosto de 2025.

Um ano depois, o volume caiu para 2,97 milhões de toneladas.

Isso representa uma redução de cerca de 2,25 milhões de toneladas em apenas um mês na comparação anual.

A queda também apareceu nos valores movimentados. As importações somaram aproximadamente US$ 1,20 bilhão em agosto de 2026, recuo de 35,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O detalhe é que a redução do gasto total foi proporcionalmente menor do que a queda na quantidade importada, justamente porque os produtos ficaram mais caros.

E o aumento de preços não começou em agosto.

Na comparação com os mesmos meses de 2025, o preço médio dos fertilizantes importados já havia registrado altas de 18,2% em maio, 26,2% em junho e 18,8% em julho.

Os resultados indicam que a pressão sobre os custos das compras externas vinha se acumulando ao longo dos meses anteriores ao início do plantio da safra de verão.

Apesar da forte redução das importações em agosto, especialistas do setor não identificaram, naquele momento, uma situação de desabastecimento generalizado no país. O volume mensal também não permite concluir, isoladamente, que a disponibilidade de fertilizantes será insuficiente durante toda a safra.

Rússia fornece mais de um quarto dos fertilizantes comprados pelo Brasil

A dependência brasileira de fertilizantes importados torna o setor agrícola particularmente sensível aos acontecimentos internacionais.

Dados referentes a 2025, analisados pelo Banco Central e apresentados na reportagem do Portal do Agronegócio, mostram que a Rússia respondeu por 25,9% das importações brasileiras de fertilizantes.

A China apareceu na sequência, com 18,8%, enquanto os países do Oriente Médio representaram 14,5%.

No segmento de fertilizantes nitrogenados, aproximadamente 22% das importações brasileiras tiveram origem no Oriente Médio.

Esses números ajudam a entender por que dificuldades logísticas ou comerciais em determinadas regiões podem alcançar rapidamente as propriedades rurais brasileiras.

Uma mudança nas condições de transporte marítimo, por exemplo, pode aumentar o custo de trazer os produtos ao Brasil, mesmo quando o preço negociado com o fornecedor permanece estável.

Segundo Eudes Silveira, gerente de desenvolvimento de negócios e produtos internacionais ouvido na cobertura do setor, o custo final dos fertilizantes depende de diferentes etapas da cadeia internacional.

Entre elas estão a cotação do dólar, o frete marítimo, a disponibilidade de embarcações, as rotas utilizadas e os prazos de entrega.

Para os agricultores, esses fatores representam despesas que precisam ser consideradas antes mesmo da aplicação do fertilizante na lavoura.

Produtor rural pode pagar mais pelo insumo mesmo quando o preço da commodity agrícola não acompanha a alta

A pressão sobre os fertilizantes tem uma consequência importante para a rentabilidade da produção agrícola.

O agricultor precisa adquirir nutrientes para desenvolver suas lavouras, mas o valor recebido pela venda da soja, do milho ou de outras culturas não necessariamente acompanha o aumento desses custos.

Quando o preço dos insumos sobe mais rapidamente do que a receita esperada com a produção, a margem financeira da atividade pode diminuir.

É nesse ponto que a dependência das importações ganha uma dimensão econômica maior.

Os fertilizantes são comercializados internacionalmente em dólares, enquanto boa parte das despesas e receitas das propriedades brasileiras é administrada em reais.

Uma variação cambial desfavorável pode aumentar o custo da operação, mesmo que o preço internacional do produto não apresente nova elevação.

Outro levantamento, divulgado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apontou que as importações brasileiras de fertilizantes nitrogenados e fosfatados diminuíram 4% em volume entre janeiro e abril de 2026, enquanto o valor desembolsado aumentou 16% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Isso reforça que comprar menos fertilizante não significa, necessariamente, gastar proporcionalmente menos dinheiro.

Para o produtor, a decisão de antecipar compras ou aguardar uma possível melhora dos preços envolve riscos. Uma aquisição antecipada pode garantir o abastecimento, mas também imobiliza recursos; esperar pode resultar em condições melhores ou em custos mais elevados.

Safra brasileira pode chegar a 366,6 milhões de toneladas de grãos em meio à pressão dos fertilizantes

A preocupação com os insumos acontece em um momento de elevada demanda potencial da agricultura nacional.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou produção de 366,6 milhões de toneladas de grãos na safra 2026/27, crescimento de 1,4% em relação ao ciclo anterior.

A área cultivada estimada é de 85,3 milhões de hectares.

O tamanho dessa produção ajuda a explicar por que o abastecimento de fertilizantes é considerado estratégico para o agronegócio.

Soja, milho e outras culturas dependem do fornecimento adequado de nutrientes, conforme as características do solo e as recomendações agronômicas.

A alta dos preços não implica automaticamente redução de produtividade. Seus efeitos dependem das condições financeiras do agricultor, dos estoques disponíveis, do planejamento das aquisições e do manejo adotado.

Uma eventual redução indiscriminada na adubação, entretanto, pode comprometer o desenvolvimento das plantas quando os nutrientes disponíveis no solo são insuficientes.

Governo aposta na produção nacional de fertilizantes para diminuir dependência externa

A elevada participação das importações também motivou iniciativas governamentais destinadas a ampliar a produção brasileira.

Em setembro de 2026, foi instituído o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), voltado ao fortalecimento da cadeia nacional de fabricação desses insumos.

A iniciativa busca estimular investimentos industriais, ampliar a capacidade produtiva e contribuir para reduzir a dependência de fornecedores externos ao longo do tempo.

A expansão da produção nacional, porém, depende de investimentos, infraestrutura, disponibilidade de matérias-primas e condições competitivas de fabricação.

Seus possíveis benefícios não resolvem imediatamente a necessidade de abastecimento da safra em andamento.

Enquanto novos projetos industriais não ampliam de forma efetiva a oferta doméstica, os produtores brasileiros continuam expostos aos preços internacionais e às condições logísticas das importações.

Os dados de agosto deixam um sinal claro: o país comprou muito menos fertilizante do exterior do que no mesmo mês de 2025 e pagou um preço médio maior por tonelada.

O próximo ponto de atenção será o comportamento das importações nos meses seguintes e sua relação com a disponibilidade de produtos para as etapas restantes da safra 2026/27.

Para o agricultor, a questão não é apenas quanto custa o fertilizante no mercado internacional, mas quanto ele efetivamente precisará desembolsar para receber o produto no prazo necessário à sua lavoura.

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Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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