1. Início
  2. / Transporte Ferroviário
  3. / Ferrogrão de 933 km sai da gaveta, Governo Lula corre para levar soja aos portos com menos caminhões na BR-163, frete mais barato, menos acidentes e bilhões em novos trilhos no Sudeste inteiro até 2026
Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 7 comentários

Ferrogrão de 933 km sai da gaveta, Governo Lula corre para levar soja aos portos com menos caminhões na BR-163, frete mais barato, menos acidentes e bilhões em novos trilhos no Sudeste inteiro até 2026

Publicado em 23/12/2025 às 12:29
A Ferrogrão de 933 km promete tirar caminhões da BR 163, levar soja aos portos, garantir frete mais barato e integrar o Anel Ferroviário do Sudeste.
A Ferrogrão de 933 km promete tirar caminhões da BR 163, levar soja aos portos, garantir frete mais barato e integrar o Anel Ferroviário do Sudeste.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
20 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Com estudos da Ferrogrão aprovados pela ANTT e enviados ao TCU, governo Lula acelera concessão de 933 quilômetros entre Sinop e Miritituba para escoar soja, reduzir caminhões na BR 163, cortar emissões, integrar o Anel Ferroviário do Sudeste e destravar 4,6 bilhões em investimentos logísticos em toda a região produtora.

Na última semana, o Ministério dos Transportes aprovou os estudos técnicos atualizados da Ferrogrão (EF-170), reabrindo o caminho para a concessão de 933 quilômetros de trilhos entre Sinop, em Mato Grosso, e Miritituba, no Pará, dentro do pacote de projetos ferroviários previsto até 2026.

Com os estudos já validados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres e agora enviados ao Tribunal de Contas da União, o governo Lula tenta acelerar a migração da soja e de outros grãos da BR 163 para os trilhos, prometendo menos caminhões, menos acidentes e frete mais competitivo rumo aos portos do Arco Norte.

Ferrogrão destrava corredor da soja entre Sinop e Miritituba

Pensada como um corredor alternativo para o agronegócio do Centro Oeste, a Ferrogrão liga a região produtora de Sinop, no norte de Mato Grosso, ao terminal de Miritituba, no Pará.

Na prática, a ferrovia promete esvaziar a dependência da BR 163, rota hoje sobrecarregada por carretas de grãos que seguem em direção aos portos do chamado Arco Norte.

A concessão da Ferrogrão é vista pelo Ministério dos Transportes como peça central na estratégia de aumentar a participação do modal ferroviário na matriz de transporte, reduzindo o peso das rodovias em longas distâncias.

Com 933 quilômetros de extensão, o traçado foi planejado justamente para aproximar a produção agrícola dos terminais hidroviários e portuários sem exigir viagens inteiras por asfalto.

Estudos técnicos da Ferrogrão ganham atualização completa

Os estudos atualizados da Ferrogrão incorporam revisões em demanda, engenharia, operação, meio ambiente e modelagem econômico financeira, além de análises mais detalhadas de custo benefício socioeconômico.

O trabalho também traz um balanço de emissões de gases de efeito estufa e amplia os programas de mitigação e compensação socioambiental previstos ao longo do traçado.

Na avaliação da equipe técnica, essa atualização deixa o projeto mais robusto para enfrentar o crivo do Tribunal de Contas da União.

A ideia é que, com números mais precisos sobre demanda de carga, impactos ambientais e retorno econômico, a Ferrogrão chegue à etapa de licitação com maior segurança jurídica para o poder público e para investidores privados.

Menos caminhões na BR 163, frete mais barato e menos emissões

O objetivo central é claro: tirar caminhões da BR 163. Ao deslocar o fluxo de grãos para os trilhos entre Mato Grosso e Pará, a Ferrogrão tende a reduzir sinistros e congestionamentos em uma das rodovias mais críticas para o escoamento da safra brasileira.

Com a carga transferida para o trem, o Ministério dos Transportes projeta menor custo logístico para produtores e consumidores, impacto direto no preço final dos alimentos e aumento da competitividade do Brasil no mercado internacional.

A concentração do transporte em composições ferroviárias também deve resultar em queda relevante nas emissões de gases de efeito estufa, alinhando o corredor de exportação às metas ambientais do país.

Anel Ferroviário do Sudeste entra na mesma vitrine de concessões

Enquanto a Ferrogrão avança rumo ao TCU, outro projeto estratégico foi destravado: a EF 118, conhecida como Anel Ferroviário do Sudeste.

O Ministério dos Transportes concluiu a etapa de participação social do empreendimento, que também integra a carteira de concessões ferroviárias previstas para 2026.

O relatório final dessa fase será incorporado ao Plano de Outorga do ministério e servirá de base para a estruturação do edital.

A previsão é de mais de 4,6 bilhões de reais em aportes privados, voltados a ampliar a capacidade logística, fortalecer a conexão entre portos, áreas industriais e centros produtores e organizar melhor o fluxo ferroviário em um dos eixos econômicos mais movimentados do país.

Novos trilhos para o Sudeste e mudança de paradigma nas concessões

Com o Anel Ferroviário do Sudeste, o plano do governo é espalhar os ganhos da Ferrogrão para além do Centro Oeste, integrando o novo corredor de grãos a uma malha mais eficiente de ligação com o Sudeste industrializado.

A combinação dos dois projetos promete criar uma rede mais fluida entre áreas produtoras, polos industriais e terminais portuários.

Segundo o Ministério dos Transportes, esse conjunto de medidas marca uma mudança de paradigma nas concessões ferroviárias, com projetos mais maduros, estudos mais detalhados e maior diálogo com a sociedade nas fases de audiência e consulta pública.

A aposta é que essa preparação reforçada reduza riscos regulatórios e dê mais previsibilidade a usuários, investidores e ao próprio governo.

Na sua opinião, a Ferrogrão e o Anel Ferroviário do Sudeste realmente vão sair do papel até 2026 ou o país ainda deve se preparar para novos atrasos nos trilhos?

Inscreva-se
Notificar de
guest
7 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Rogério Faria
Rogério Faria
25/12/2025 18:45

O povo não esquece o movimento dos caminhoneiros fechando rodovias para defender os ****-**** do mito.
O que o governo fizer para enfraquecer o movimento desta turma, através de novos modais, de “trabalhadores” torna a nossa democracia mais segura.

Alacir Jr
Alacir Jr
25/12/2025 11:22

Na minha opinião essa manobra serve mais para desviar verbas e causar desemprego aos motoristas do o próprio progresso. Deveria investir em rodovias mais modernas e colocar balança para evitar excesso de peso evitando desgaste nas mesmas.

Wilian Montanher Junior
Wilian Montanher Junior
Em resposta a  Alacir Jr
25/12/2025 14:24

Isso não causa desemprego, pois os caminhões continuarão sendo necessários para transportar produtos até os portos intermodais. O que vai mudar é que as distâncias percorridas serão menores. Os caminhões nunca serão extintos enquanto houver produção em fazendas, apenas terão suas rotas otimizadas.

ohfmann
ohfmann
25/12/2025 09:25

Esta ferrovia já estaria funcionando a tempo, não fosse a intervenção do STF, no governo anterior

Fonte
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
7
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x