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Fenômeno temido pelos agricultores retorna trazendo chuvas intensas no Brasil e aquecimento acelerado do Oceano Pacífico com anomalias climáticas

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 20/03/2026 às 12:44 Atualizado em 20/03/2026 às 12:45
Outono no Brasil começa com calor acima da média e risco de El Niño. Veja como ficam as temperaturas e a chuva nos próximos meses.
Outono no Brasil começa com calor acima da média e risco de El Niño. Veja como ficam as temperaturas e a chuva nos próximos meses.
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Pacífico em aquecimento, calor persistente e chuva irregular moldam uma estação de transição que começa sem El Niño oficialmente confirmado, mas sob sinais crescentes de mudança no oceano e risco de impactos mais visíveis sobre temperatura e precipitação no Brasil.

O outono começa às 11h45 desta sexta-feira, 20 de março, sob neutralidade do ENSO, mas com sinais de aquecimento no Pacífico que mantêm aberta a possibilidade de formação do El Niño na segunda metade da estação.

Pelas projeções mais recentes da NOAA, a neutralidade tende a predominar até maio-julho, enquanto a chance de surgimento do fenômeno sobe para 62% no trimestre junho-agosto, num quadro que ainda exige cautela por causa da menor previsibilidade nesta época do ano.

A mudança mais observada pelos centros meteorológicos está no leste do Pacífico equatorial.

No boletim da NOAA, o valor semanal mais recente da região Niño 3.4 aparece em -0,5°C, ainda compatível com a transição de saída da La Niña, enquanto a região Niño 1+2, junto à faixa mais oriental do oceano, registra anomalia positiva.

Em outra síntese técnica do órgão, baseada nas últimas quatro semanas, a Niño 1+2 aparece em +1,2°C, o que reforça o aquecimento perto da costa sul-americana, embora ainda não caracterize, por si só, um El Niño clássico já instalado em toda a faixa central do Pacífico.

Aquecimento do Pacífico e sinais de transição no outono

Outono no Brasil começa com calor acima da média e risco de El Niño. Veja como ficam as temperaturas e a chuva nos próximos meses.
Outono no Brasil começa com calor acima da média e risco de El Niño. Veja como ficam as temperaturas e a chuva nos próximos meses. (Imagem: NOAA)

Na prática, o outono brasileiro começa sem El Niño declarado, e esse é um ponto central para evitar exageros na leitura do cenário.

A Organização Meteorológica Mundial informa que a La Niña fraca perde força, a neutralidade deve prevalecer ao menos até julho e a chance de aquecimento adicional cresce gradualmente ao longo do ano.

A própria NOAA ressalta que os modelos apontam transição posterior para El Niño, sustentada pelo calor armazenado abaixo da superfície do oceano e pela expectativa de enfraquecimento dos ventos alísios, mas sem garantia sobre a intensidade do eventual evento.

Esse contexto ajuda a explicar por que meteorologistas tratam o trimestre com atenção redobrada no campo.

Neutralidade não é sinônimo de comportamento atmosférico normal em todas as regiões, e a combinação entre oceano mais quente no setor leste do Pacífico, calor persistente no continente e transição sazonal pode favorecer períodos de maior irregularidade de chuva.

Ainda assim, o quadro mais robusto, neste momento, é de risco de formação do El Niño a partir do fim do outono ou do começo do inverno, e não de retorno plenamente consolidado já nas primeiras semanas da estação.

Temperaturas acima da média e frio em episódios pontuais

Do ponto de vista térmico, a expectativa de entrada imediata do frio não encontra respaldo nas previsões de curto prazo.

O INMET informa que o outono de 2026 começa com calor elevado no Mato Grosso do Sul e no Sul do país, com máximas que podem chegar a 38°C entre sexta-feira e sábado e marcas localmente até 5°C acima da média climatológica para o período, sobretudo no noroeste e oeste gaúcho.

Esse começo mais quente está em linha com a característica da própria estação.

Outono no Brasil começa com calor acima da média e risco de El Niño. Veja como ficam as temperaturas e a chuva nos próximos meses.
Outono no Brasil começa com calor acima da média e risco de El Niño. Veja como ficam as temperaturas e a chuva nos próximos meses. (Imagem: NOAA)

Segundo o INMET, o outono é uma fase de transição entre o verão quente e úmido e o inverno frio e seco, especialmente no Brasil central.

O órgão também destaca que, nesse período, avançam as primeiras massas de ar frio mais relevantes sobre o Centro-Sul, com queda de temperatura mais perceptível no Sul e em parte do Sudeste, além de aumento da ocorrência de nevoeiros, geadas em áreas suscetíveis e episódios de friagem mais ao interior do continente.

O resultado mais provável, portanto, é uma estação de contraste.

Em vez de frio contínuo e precoce, o padrão tende a alternar intervalos ainda quentes com incursões de ar frio mais pontuais.

Esse comportamento costuma ampliar a diferença entre as temperaturas da manhã e da tarde, sobretudo a partir de abril, e favorece mudanças bruscas em poucos dias quando frentes frias conseguem avançar com mais força pelo Sul e pelo Sudeste.

Chuva irregular no Brasil e risco de eventos concentrados

A virada da estação também altera o regime de chuva no país.

O INMET lembra que, no interior do Brasil, o outono marca redução dos volumes, em especial no semiárido nordestino, enquanto a porção norte das regiões Norte e Nordeste ainda mantém precipitação importante por influência da atividade convectiva tropical e da Zona de Convergência Intertropical.

Isso significa que a distribuição da chuva deixa de seguir o padrão típico do auge do verão e passa a depender mais da circulação de larga escala e da passagem de sistemas frontais.

Na previsão climática divulgada pelo instituto e repercutida a partir do prognóstico oficial, a tendência para o trimestre é de chuvas irregulares e temperaturas acima da média em grande parte do país.

No Norte, a sinalização é de volumes acima da média na maior parte da região, com áreas mais próximas da normalidade em pontos do Amapá, de Rondônia, do Tocantins, do Amazonas e do Pará.

Já no Nordeste, a previsão é menos favorável em grande parte da faixa leste e do interior, embora Maranhão e norte do Piauí possam ter chuva acima da média sob influência da ZCIT.

Outono no Brasil começa com calor acima da média e risco de El Niño. Veja como ficam as temperaturas e a chuva nos próximos meses.
Outono no Brasil começa com calor acima da média e risco de El Niño. Veja como ficam as temperaturas e a chuva nos próximos meses. (Imagem: METSUL)

No Centro-Oeste, o cenário indicado é de precipitação próxima da média em grande parte de Goiás e Mato Grosso, com viés de chuva abaixo da média em Mato Grosso do Sul.

As temperaturas devem seguir acima do padrão histórico, combinação que amplia a preocupação com a disponibilidade de água no solo em áreas agrícolas.

No Sudeste, a tendência é de chuva abaixo da média em São Paulo e em grande parte de Minas Gerais, enquanto outras áreas devem oscilar em torno da normalidade, sem afastar episódios localizados de chuva mais forte associados à passagem de frentes frias, sobretudo no leste da região.

Impactos no Sul do Brasil com avanço do outono

Para o Sul, o comportamento da chuva ainda aparece cercado de maior variabilidade nas projeções de mercado, mas o pano de fundo é de transição.

Em anos de aquecimento do Pacífico, a segunda metade da estação costuma concentrar mais atenção porque o avanço de frentes frias, áreas de baixa pressão e eventuais episódios de instabilidade mais organizada pode elevar os acumulados em intervalos curtos, ainda que a estação, em média, não seja a de maior frequência de temporais.

A NOAA, por enquanto, não descreve impacto regional fechado para o Brasil neste outono, mas confirma que o oceano está em mudança e que a chance de El Niño cresce justamente quando o outono avança para o fim.

Esse desenho reforça o alerta para produtores rurais e para a defesa civil.

O trimestre deve combinar calor acima da média, chuva menos regular em parte importante do país e possibilidade de eventos concentrados de maior volume onde houver atuação de frentes e áreas de instabilidade.

Em outras palavras, o outono começa sem El Niño formalmente estabelecido, mas já sob um Pacífico em aquecimento e com uma atmosfera que pode responder de maneira cada vez mais sensível à medida que a estação se aproxima do inverno.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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