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Falcões voltam a dominar cidades, passam a devorar periquitos invasores barulhentos e viram ferramentas vivas para cientistas entenderem como a praga verde se espalhou, afetou aves nativas e redesenhou a ecologia urbana no Reino Unido

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 28/01/2026 às 19:59
Assista o vídeoFalcões-peregrinos retornam às cidades do Reino Unido e passam a predar periquitos invasores, revelando impactos na fauna urbana e na disputa por ninhos.
Falcões-peregrinos retornam às cidades do Reino Unido e passam a predar periquitos invasores, revelando impactos na fauna urbana e na disputa por ninhos.
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Predador recuperado virou peça central da fauna urbana britânica e passou a capturar aves exóticas que se multiplicaram em parques e bairros. Dieta registrada por câmeras em ninhos ajuda a medir mudanças na abundância de presas. Disputa por cavidades, ruído e presença humana entram no mesmo tabuleiro.

O retorno do falcão-peregrino aos céus urbanos do Reino Unido deixou de ser apenas uma história de conservação para ganhar um novo capítulo, mais inesperado e com impacto direto no cotidiano de parques e bairros residenciais.

Ao se estabelecerem em prédios, pontes e catedrais, esses predadores passaram a capturar, entre outras presas, o periquito-de-colar, ave não nativa que se multiplicou em áreas metropolitanas e que hoje disputa alimento, espaço e cavidades de nidificação com espécies locais.

O resultado é uma cena rara para o público: um predador recuperado, adaptado à cidade, colocando pressão sobre uma invasora barulhenta e altamente visível.

Falcão-peregrino nas cidades e a volta do predador

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A relação não se resume ao ato da caça.

Para pesquisadores que acompanham falcões urbanos por transmissões ao vivo e câmeras instaladas perto de ninhos, a dieta desses predadores funciona como uma espécie de termômetro ecológico.

Ao registrar o que chega às garras dos adultos e ao bico dos filhotes, equipes de universidades e grupos de observação conseguem enxergar mudanças na abundância relativa de aves urbanas e mapear como espécies como o periquito-de-colar se inserem em redes alimentares que não existiam antes de sua expansão.

O falcão-peregrino é um dos raptors mais conhecidos do mundo, mas sua presença constante em cidades britânicas é fruto de uma recuperação gradual depois de períodos de forte declínio.

No Reino Unido, instituições como a RSPB atribuem a queda histórica do peregrino à perseguição e ao envenenamento por pesticidas, em um cenário que reduziu drasticamente a reprodução e o sucesso de ninhadas.

Com proteção legal e melhora das condições ambientais, o predador voltou a ocupar territórios e encontrou nos centros urbanos um conjunto de vantagens que, à primeira vista, parecem contraditórias: altura para nidificar, estruturas que lembram paredões rochosos e oferta contínua de presas, especialmente pombos e outras aves de médio porte.

Periquito-de-colar invasor e o crescimento nos parques

Nesse ambiente, o periquito-de-colar virou parte do cenário.

Trata-se de uma espécie originária de regiões da África e do sul da Ásia, que se estabeleceu em liberdade em vários países, com populações marcantes no sudeste da Inglaterra e na região de Londres.

O portal oficial britânico de espécies não nativas, mantido pelo Non-native Species Secretariat (NNSS), descreve o periquito como ave que pode causar danos relevantes, inclusive em lavouras, e chama atenção para impactos associados à sua presença fora da área de origem.

Ao mesmo tempo, por ser uma ave carismática, de cor intensa e vocalização forte, ela virou símbolo de “fauna exótica” em parques, alimentando um debate público sobre o que é convivência, o que é pressão ecológica e o que é manejo.

Câmeras em ninhos e o cardápio que virou indicador

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A ideia de que falcões urbanos podem “mostrar” o avanço do periquito ganhou força com monitoramentos detalhados conduzidos por pesquisadores e observadores em várias cidades britânicas.

Em um dos trabalhos de maior visibilidade pública sobre dieta urbana, equipes ligadas ao King’s College London e à University of Bristol analisaram presas levadas a ninhos de falcões acompanhados por transmissões e observações sistemáticas, em temporadas sucessivas de reprodução.

Ao comparar o que era capturado em diferentes momentos, o estudo registrou variações importantes na composição das presas, com destaque para Londres, onde a proporção de pombos na dieta caiu e foi parcialmente substituída por outras aves, incluindo periquitos.

Os números são tratados como fotografia daquele contexto monitorado, não como regra universal para toda cidade.

Ainda assim, o registro é valioso porque vincula uma espécie não nativa, altamente visível e em expansão, a um predador que se tornou estável o suficiente para ser acompanhado em dezenas de pontos urbanos.

O que antes era percebido apenas como “um monte de periquitos no parque” passa a ter uma leitura adicional: a invasora entrou no cardápio de um caçador que já domina a paisagem vertical da cidade.

Disputa por cavidades, nidificação e tensão com nativas

Essa pressão acontece em um espaço onde a competição por cavidades e locais de nidificação vira assunto recorrente.

Periquitos-de-colar usam buracos em árvores e estruturas para se reproduzir, exatamente o tipo de recurso disputado por aves nativas que dependem de ocos e cavidades, e também por outros animais que utilizam esses abrigos.

Veículos de imprensa e organizações de monitoramento citam preocupações sobre deslocamento de espécies menores em certas áreas, além do potencial de conflito com atividades humanas em jardins e parques.

Em paralelo, a presença de peregrinos e outros raptors urbanos cria um componente adicional de risco para qualquer ave que se concentre em bandos e faça uso previsível de rotas e poleiros.

Como a caça funciona no ambiente urbano

Falcões-peregrinos retornam às cidades do Reino Unido e passam a predar periquitos invasores, revelando impactos na fauna urbana e na disputa por ninhos.
Falcões-peregrinos retornam às cidades do Reino Unido e passam a predar periquitos invasores, revelando impactos na fauna urbana e na disputa por ninhos.

A caça do falcão-peregrino não é um espetáculo casual; ela responde à ecologia de uma cidade que oferece abundância de presas e pontos estratégicos de ataque.

A espécie é conhecida por voos rápidos e mergulhos de alta velocidade, e se beneficia de “corredores” urbanos que canalizam aves em movimento.

Quando periquitos se agrupam em árvores de parques, com deslocamentos diários entre áreas de descanso e alimentação, acabam também se tornando alvos possíveis, sobretudo em zonas onde falcões já mantêm territórios estabelecidos.

Monitoramento científico e debate público

O aspecto que chama atenção de pesquisadores é a utilidade do monitoramento para entender padrões que, de outra forma, ficariam invisíveis.

Câmeras em ninhos e transmissões acompanhadas por voluntários permitem registrar, com alta frequência, quais espécies são capturadas e em que momentos, criando séries comparáveis entre cidades.

Não se trata apenas de observar um predador “fazendo seu trabalho”, mas de transformar um comportamento natural em evidência organizada sobre mudanças no ambiente urbano, incluindo a presença de espécies não nativas em áreas cada vez mais amplas.

Esse tipo de acompanhamento também ajuda a refinar o debate público, que muitas vezes alterna entre romantizar o periquito como “um toque tropical” e demonizá-lo como “praga”.

Ao mostrar que a invasora já ocupa o lugar de presa em redes alimentares urbanas, o registro desloca o olhar para uma realidade mais concreta: espécies introduzidas não ficam isoladas; elas competem, se adaptam, encontram predadores e mudam rotinas de outras espécies, inclusive quando parecem apenas um elemento colorido na paisagem.

Cidade, conservação e espécies não nativas no mesmo cenário

Para gestores de parques e órgãos ambientais, a história do falcão-peregrino urbano traz um lembrete prático sobre como a cidade pode favorecer tanto a recuperação de predadores quanto a expansão de não nativas.

A verticalização oferece locais de nidificação para falcões; áreas verdes e alimentação humana sustentam densidades altas de pombos e outras aves; e jardins com comedouros e árvores antigas criam oportunidades para periquitos se fixarem e se espalharem.

Quando esses fatores se cruzam, o predador recuperado passa a interagir com a invasora que cresceu justamente no ambiente moldado por pessoas.

Ao mesmo tempo, a presença do falcão não é uma “solução automática” para o periquito, porque o objetivo do predador é sobreviver e reproduzir, não controlar populações.

O que a cidade revela, com mais clareza, é que o retorno de uma espécie topo de cadeia em escala local muda o equilíbrio de risco: aves muito abundantes e confiantes podem se tornar presas mais frequentes, e isso se reflete no que chega aos ninhos monitorados por câmeras e voluntários.

Se o cardápio dos falcões urbanos virou um indicador involuntário da expansão do periquito-de-colar, até que ponto predadores recuperados em cidades podem ajudar a reorganizar a convivência entre espécies nativas e não nativas sem intervenção direta humana?

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Ely
Ely
01/02/2026 22:53

Y que pasara cuando se aburran de los balcones????

Ely
Ely
01/02/2026 22:51

Que triste y horrible lo que hacen, todo esa maldad es del único invasor es el humano. Cuando es una novedad y por puro capricho llevan animales exoticos., y cuando se aburren se deshacen como cual quier cosa. El único **** que es invasor es el Humano!!!

Antonio
Antonio
31/01/2026 13:08

Barulhentos o seu traseiro seu ****
Você vom certeza não foi gerado

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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