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Exploradores encontraram uma montanha submarina colossal escondida no Pacífico, mais alta que o Monte Olimpo e quase quatro vezes o Burj Khalifa, e o que surgiu ao redor dela parecia saído de ficção científica, com lulas raras, polvos fantasma e os chamados “monstros de espaguete voadores”

Escrito por Ana Alice
Publicado em 12/04/2026 às 22:58
Atualizado em 12/04/2026 às 23:02
Assista o vídeoExpedição no Pacífico Sul revela monte submarino gigante, espécies raras e áreas do fundo do mar ainda pouco mapeadas. (Imagem: Ilustrativa)
Expedição no Pacífico Sul revela monte submarino gigante, espécies raras e áreas do fundo do mar ainda pouco mapeadas. (Imagem: Ilustrativa)
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Uma expedição no Pacífico Sul cruzou relevo extremo, fauna rara e áreas ainda pouco conhecidas do fundo do mar, em uma sequência de registros que amplia o interesse científico sobre uma das regiões mais isoladas do oceano.

Uma expedição científica no Pacífico Sul identificou um monte submarino de 3.109 metros de altura na Dorsal de Nazca, em águas internacionais a oeste do Chile, e registrou na mesma região algumas das criaturas mais raras já observadas naquele trecho do oceano profundo.

A missão, liderada pelo Schmidt Ocean Institute a bordo do navio Falkor (too), também documentou jardins de corais e esponjas, localizou cerca de 20 espécies suspeitas de serem novas para a ciência e reforçou um dado recorrente na oceanografia: apenas uma parcela do fundo do mar foi mapeada com o nível de detalhe empregado nesse tipo de levantamento.

Monte submarino na Dorsal de Nazca

A formação foi localizada durante uma campanha de 28 dias dedicada à exploração da Dorsal de Nazca, cadeia de montanhas submersas conhecida por abrigar habitats de grande profundidade.

Segundo o Schmidt Ocean Institute, o monte recém-mapeado ocupa cerca de 70 quilômetros quadrados.

O topo está a 994 metros da superfície, enquanto a base fica a 4.103 metros, o que dimensiona a escala da estrutura em relação ao relevo do entorno.

De acordo com os pesquisadores, o monte supera em cerca de 200 metros o Monte Olimpo, na Grécia, quando considerado o critério de proeminência adotado na expedição.

Imagem feita pelo Veículo Operado Remotamente (ROV) SuBastian - Divulgação/ROV SuBastian/Schmidt Ocean Institute
Imagem feita pelo Veículo Operado Remotamente (ROV) SuBastian – Divulgação/ROV SuBastian/Schmidt Ocean Institute

A equipe localizou a formação com um ecobatímetro multifeixe instalado no casco do navio, equipamento que utiliza pulsos sonoros para medir a profundidade e reconstruir digitalmente a topografia do leito marinho.

A partir desse sistema, os cientistas transformaram uma área ainda pouco detalhada em um mapa com encostas, cristas e desníveis que serviram de base para as etapas seguintes da investigação.

O mapeamento foi a primeira etapa de um trabalho voltado não apenas à descrição do relevo, mas também à identificação dos organismos associados a ele.

Fauna rara em mar profundo

Depois da detecção do monte, os pesquisadores enviaram o robô subaquático SuBastian para examinar uma das cristas da estrutura.

As imagens revelaram jardins de esponjas e corais antigos, formações que funcionam como abrigo para diferentes organismos do fundo do mar.

Em outro ponto da mesma cadeia submarina, a missão registrou um jardim de corais de profundidade com aproximadamente 800 metros quadrados, área equivalente, segundo a equipe, a três quadras de tênis.

Foi nesse ambiente que surgiram alguns dos registros mais relevantes da viagem.

Um deles foi o primeiro vídeo já obtido de uma lula do gênero Promachoteuthis viva.

Até então, esse grupo era conhecido a partir de poucos exemplares recolhidos mortos em redes de coleta, alguns deles desde o fim do século 19.

O registro em vídeo, segundo os pesquisadores, amplia a possibilidade de observação desse animal em seu habitat natural e fornece novas informações sobre sua aparência e ocorrência em profundidade.

A expedição também encontrou o chamado polvo Casper no Pacífico Sul, em um registro apontado pelo instituto como o primeiro confirmado nessa porção do oceano.

Além disso, a equipe filmou dois sifonóforos raros do gênero Bathyphysa, conhecidos informalmente como “flying spaghetti monsters” por causa da aparência alongada e dos tentáculos finos.

O apelido já circulava entre observadores e pesquisadores, mas o registro ganhou destaque por ter ocorrido em uma área ainda pouco estudada e por reunir, em uma mesma campanha, animais raramente documentados.

Espécie de polvo inédita, informalmente chamada de polvo Casper, descoberta no Pacífico Sul. (Schmidt Ocean Institute/Reprodução)
Espécie de polvo inédita, informalmente chamada de polvo Casper, descoberta no Pacífico Sul. (Schmidt Ocean Institute/Reprodução)

Expedições nas dorsais de Nazca e Salas y Gómez

A descoberta do monte submarino fez parte da terceira expedição realizada pelo instituto, em 2024, nas dorsais de Nazca e Salas y Gómez.

Nas duas campanhas anteriores, em janeiro e fevereiro daquele ano, os levantamentos já haviam documentado mais de 150 espécies até então desconhecidas para a ciência, além de ampliações da área de ocorrência de animais que não eram conhecidos naquela porção do Pacífico.

Antes desse conjunto de viagens, pouco mais de mil espécies estavam registradas na região.

Depois das três expedições, o número passou de 1.300, segundo o Schmidt Ocean Institute.

A etapa mais recente acrescentou outro dado relevante: 20 espécies suspeitas de serem inéditas foram coletadas e encaminhadas para análise no âmbito do Ocean Census, iniciativa internacional voltada à identificação e catalogação da vida marinha.

Os cientistas tratam o material reunido como parte de um esforço mais amplo para entender a biodiversidade de águas profundas e a conectividade entre montes submarinos.

Nesse tipo de ambiente, a distância entre uma formação e outra pode influenciar a dispersão de organismos, a composição das comunidades biológicas e a dinâmica dos habitats.

Biodiversidade e conservação em montes submarinos

Montes submarinos concentram interesse científico porque podem alterar correntes, oferecer substrato duro para a fixação de corais e esponjas e criar áreas de abrigo em profundidade.

Na prática, essas formações são tratadas por pesquisadores como pontos de concentração de biodiversidade em regiões remotas do oceano.

Ao mesmo tempo, especialistas em conservação marinha apontam que esses ambientes podem ser vulneráveis a impactos humanos, sobretudo em áreas ainda pouco estudadas.

A Dorsal de Nazca e a Dorsal de Salas y Gómez, por exemplo, aparecem em discussões internacionais sobre proteção marinha em alto-mar, justamente pela diversidade registrada e pelo volume ainda limitado de informações disponíveis.

Nesse contexto, o diretor científico do Ocean Census, Alex David Rogers, afirmou que “os montes submarinos do Pacífico Sudeste abrigam uma diversidade biológica notável”.

Já o copesquisador-chefe Tomer Ketter declarou que os resultados evidenciam tanto a riqueza desses ecossistemas quanto as lacunas existentes sobre a conexão entre eles.

As duas falas ajudam a situar o alcance da expedição.

Para os pesquisadores envolvidos, o avanço no mapeamento e na documentação da fauna pode subsidiar estudos futuros e discussões sobre medidas de conservação em áreas oceânicas fora da jurisdição nacional.

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Mapeamento do fundo do mar em alta resolução

A descoberta também chama atenção pelo contexto em que foi feita.

Embora o fundo do mar ocupe a maior parte da superfície do planeta, apenas uma fração dele foi mapeada com padrões modernos de alta resolução.

Em 2024, iniciativas internacionais de batimetria apontavam cobertura em torno de 26,1% do leito oceânico global nesse nível de qualidade.

Esse dado ajuda a explicar por que estruturas de grandes dimensões ainda podem permanecer fora dos mapas detalhados por longos períodos.

Também mostra por que cada nova área cartografada tem peso científico: além de revelar o relevo, ela permite localizar habitats, orientar mergulhos com veículos remotos e ampliar a base de dados usada em estudos sobre biodiversidade e conservação.

No caso da Dorsal de Nazca, a combinação entre mapeamento e observação direta permitiu reunir, em uma mesma missão, informações sobre geologia, distribuição de organismos e características do ambiente profundo.

O resultado foi a identificação de uma grande formação submarina e o registro de espécies raras em uma região que continua a ser investigada por instituições científicas internacionais.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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