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O homem que encontrou o lendário “navio de ouro” SS Central America passa quase 10 anos preso nos EUA por um segredo milionário e sai da prisão sem revelar onde estão as misteriosas moedas desaparecidas

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 12/03/2026 às 02:16
Explorador marítimo analisa imagens de naufrágio e moedas de ouro ligadas ao SS Central America em sala de monitoramento subaquático.
Pesquisador examina imagens do naufrágio do SS Central America enquanto analisa moedas e lingotes de ouro recuperados do histórico “Navio de Ouro”.
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Libertação do cientista e explorador marítimo Tommy Thompson encerra um dos casos judiciais mais incomuns ligados a um dos maiores tesouros submarinos já recuperados

O cientista e explorador marítimo Tommy Thompson, de 73 anos, deixou a prisão após quase dez anos detido nos Estados Unidos por desacato à Justiça. Além disso, a libertação ocorreu em 4 de março, conforme registros analisados pela Associated Press junto ao Departamento Federal de Prisões dos Estados Unidos.

Durante anos, Thompson se recusou a revelar o paradeiro de centenas de moedas de ouro ligadas ao naufrágio do SS Central America, embarcação histórica conhecida como “Navio de Ouro”. Ao mesmo tempo, a história do navio está diretamente ligada à Corrida do Ouro da Califórnia, um dos períodos mais marcantes da história econômica norte-americana.

Naufrágio histórico marcou a economia dos Estados Unidos

O SS Central America afundou em setembro de 1857, após um forte furacão atingir o navio no Oceano Atlântico, próximo à costa da Carolina do Sul. A embarcação transportava cerca de 30 mil libras de ouro provenientes da Casa da Moeda de São Francisco, segundo registros históricos citados pela Associated Press.

Além disso, o navio levava passageiros e cargas valiosas rumo à costa leste dos Estados Unidos. Como consequência, o desastre marítimo provocou a morte de 425 pessoas, tornando-se um dos naufrágios mais dramáticos da história do país.

Ao mesmo tempo, o episódio ajudou a desencadear um pânico econômico nos Estados Unidos, que já enfrentavam instabilidade financeira naquele período.

Décadas depois, em 1988, Thompson liderou a expedição que encontrou os destroços do navio a mais de 2.100 metros de profundidade. Posteriormente, equipes de exploração recuperaram parte do tesouro e venderam diversos artefatos por milhões de dólares em leilões internacionais.

Disputa judicial envolvendo investidores da expedição

Apesar da descoberta histórica, o caso entrou em uma longa disputa judicial. Investidores que financiaram a expedição abriram um processo em 2005, alegando que não receberam parte dos lucros obtidos com a venda do ouro recuperado.

Segundo documentos judiciais citados pela imprensa norte-americana, o valor do tesouro recuperado chegou a cerca de US$ 50 milhões, incluindo barras e milhares de moedas de ouro.

Posteriormente, Thompson desapareceu e passou anos foragido das autoridades. Em seguida, em 2012, um juiz federal do estado de Ohio emitiu um mandado de prisão após o explorador faltar a uma audiência judicial.

Somente três anos depois, em 2015, autoridades localizaram Thompson vivendo sob identidade falsa em um hotel na Flórida, conforme registros analisados pela Associated Press.

Prisão por desacato ao tribunal

Após a prisão, a Justiça condenou Thompson por desacato ao tribunal. A decisão ocorreu porque ele se recusou a revelar o paradeiro de cerca de 500 moedas de ouro avaliadas em aproximadamente US$ 2,5 milhões.

Segundo o explorador, ele colocou as moedas em um fundo fiduciário em Belize, porém afirmou que não sabia onde as peças estavam.

Durante uma audiência por videoconferência realizada em 2020, o juiz federal Algenon Marbley voltou a questioná-lo sobre o destino das moedas.

Na ocasião, Thompson respondeu que não sabia onde estavam os itens e afirmou sentir que “não tinha as chaves da própria liberdade”.

Decisão judicial encerra prisão considerada incomum

A legislação federal dos Estados Unidos normalmente limita a prisão por desacato civil a cerca de 18 meses. Entretanto, em 2019, um tribunal de apelações decidiu que essa regra não se aplicava ao caso específico de Thompson.

Mesmo assim, há pouco mais de um ano, o juiz federal Algenon Marbley decidiu encerrar a punição por desacato, pois concluiu que manter Thompson preso não ajudaria a descobrir o paradeiro das moedas desaparecidas.

Depois disso, Thompson passou a cumprir uma pena de dois anos por não ter comparecido à audiência judicial de 2012.

Agora, com o cumprimento dessa pena concluído, ele deixou a prisão.

Especialistas consideram o caso extremamente raro. De acordo com Ryan Scott, professor de direito da Universidade da Flórida, manter alguém preso por quase uma década por desacato civil é algo muito incomum no sistema jurídico norte-americano.

Tesouro do SS Central America continua alcançando valores milionários

Enquanto isso, artefatos recuperados do SS Central America continuam alcançando valores milionários em leilões internacionais.

Alguns exemplos mostram a relevância histórica e financeira do tesouro: em 2001, um lingote de 36 quilos de ouro foi vendido por aproximadamente US$ 8 milhões.

Posteriormente, em 2019, itens do naufrágio renderam mais de US$ 11 milhões em vendas.

Além disso, em 2022, um lingote de 866,19 onças foi arrematado por cerca de US$ 2,16 milhões.

Mesmo após mais de um século e meio do naufrágio, o tesouro do SS Central America continua entre os achados marítimos mais valiosos da história.

Diante de um caso tão incomum envolvendo exploração científica, disputa judicial e tesouros históricos, surge uma reflexão inevitável.

Se você estivesse diante de um tesouro desse porte, revelaria imediatamente sua localização ou tentaria manter o segredo por mais tempo?

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Caio Aviz

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