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Exército do Brasil não está pronto para guerra: país precisa de 66 caças Gripen, mas tem previsão de apenas 36 a 40; cortes no KC-390 e falhas em reabastecimento aéreo ampliam risco à defesa nacional.

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 23/03/2026 às 22:15
Brasil enfrenta lacunas na defesa aérea com poucos caças Gripen, cortes no KC-390 e falhas no reabastecimento em voo.
Brasil enfrenta lacunas na defesa aérea com poucos caças Gripen, cortes no KC-390 e falhas no reabastecimento em voo.
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Capacidade militar abaixo do necessário expõe lacunas em caças, transporte estratégico e reabastecimento aéreo, enquanto decisões orçamentárias e estruturais moldam o ritmo da defesa brasileira e ampliam debate sobre prontidão e dissuasão.

A avaliação de que o Brasil opera hoje abaixo do patamar considerado necessário para uma dissuasão aérea robusta voltou ao centro do debate após declarações do tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da Aeronáutica, ao jornal O Estado de S. Paulo.

Na entrevista, ele afirmou que o país precisaria de ao menos 66 caças F-39 Gripen, além de aeronaves de patrulha marítima e de reabastecimento em voo, para sustentar uma capacidade militar compatível com a dimensão territorial e marítima brasileira.

O alerta parte de um diagnóstico mais amplo.

Segundo o ex-chefe da FAB, as Forças Armadas não reúnem hoje os meios operacionais considerados adequados para garantir a soberania nacional, ao mesmo tempo em que parte da sociedade e do próprio meio militar subestima a possibilidade de uma agressão ao país.

A crítica não se limita ao volume de recursos e alcança também a forma como o sistema de defesa é organizado.

Quantidade de Gripen e lacuna na defesa aérea

O ponto mais sensível da entrevista está na conta da aviação de caça.

O contrato assinado pelo Brasil em outubro de 2014 com a Saab prevê 36 aeronaves Gripen NG, sendo 28 monopostos e 8 bipostos, com pacote de suporte, treinamento, armamentos e cooperação industrial.

Esse é, até aqui, o número oficial consolidado do programa, embora em 2022 a Aeronáutica tenha anunciado a intenção de incluir mais quatro unidades no lote.

A ampliação para 40 aparelhos chegou a ser divulgada pela própria FAB e pela Saab em 2022.

Ainda assim, fontes públicas posteriores não consolidaram esse total como nova quantidade definitiva contratada, o que mantém o dado de 36 caças como referência factual mais segura.

Enquanto isso, a incorporação ocorre de forma gradual.

Os dois primeiros F-39 Gripen foram integrados ao 1º Grupo de Defesa Aérea em 19 de dezembro de 2022, marco que inaugurou a fase operacional do modelo na FAB.

Já em fevereiro de 2026, a própria Força informou que o 1º GDA contava com dez aeronaves em operação, empregadas em missões de defesa aérea e policiamento do espaço aéreo.

Esse avanço, porém, não elimina a distância entre a frota disponível e o quantitativo apontado como mínimo desejável.

Se a conta apresentada for tomada como parâmetro, o país ainda está longe do efetivo considerado necessário para garantir presença contínua, treinamento, manutenção e cobertura territorial.

Redução do KC-390 e impacto na capacidade logística

A discussão sobre prontidão não envolve apenas caças.

No segmento de transporte e reabastecimento tático, o programa KC-390 Millennium foi reduzido de 28 para 19 aeronaves após negociações entre a Aeronáutica e a Embraer.

A redução se tornou um dos episódios mais delicados da relação entre a Força e a fabricante.

Em novembro de 2021, foi anunciada a intenção de diminuir o pedido para 15 jatos, movimento que depois resultou em acordo intermediário.

Na prática, o enxugamento diminui a margem de emprego simultâneo em missões de transporte, evacuação, apoio logístico e reabastecimento em voo.

O modelo segue central para a aviação de transporte brasileira.

Em novembro de 2025, o KC-390 foi empregado em missões de reabastecimento em voo durante a COP30, apoiando caças F-5M na defesa aérea da região do evento.

O dado confirma a relevância operacional da aeronave, mas também reforça que o tamanho da frota pesa diretamente sobre a capacidade de sustentar operações prolongadas.

KC-30 e a limitação no reabastecimento em voo

Outra fragilidade aparece nos KC-30, que ainda não operam plenamente o reabastecimento em voo.

Os Airbus A330-200 foram incorporados em 2022 como reforço para transporte estratégico, apoio logístico e ações humanitárias.

No entanto, a conversão completa para a função de avião-tanque não foi concluída.

A lacuna é relevante porque o Brasil perdeu, com a desativação dos KC-137, uma capacidade orgânica de reabastecimento estratégico de grande porte.

Sem essa modernização, a FAB mantém um ativo importante para longas distâncias, mas não recompõe integralmente uma função considerada crucial em cenários de guerra.

Estrutura de comando e decisões de defesa

Na entrevista, Baptista Júnior também defendeu o fortalecimento do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.

Ele sustenta que o emprego operacional deveria ficar concentrado em comandos conjuntos permanentes.

Enquanto isso, Marinha, Exército e Aeronáutica se dedicariam a organizar, treinar e equipar seus efetivos.

A mesma lógica aparece na crítica à Secretaria de Produtos de Defesa, que, segundo ele, não ganhou força suficiente para centralizar decisões estratégicas.

Pelas atribuições atuais, o órgão atua no fomento e na promoção da indústria de defesa.

No entanto, o poder decisório sobre grandes programas continua distribuído entre as Forças.

Esse contexto ajuda a explicar por que programas estratégicos avançam em ritmo desigual.

A incorporação do Gripen, a redução do KC-390 e a indefinição sobre os KC-30 mostram que a prontidão militar depende diretamente de orçamento, planejamento e continuidade de políticas públicas.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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