Após 45 anos em grandes empresas, Peter Estermann trocou o mercado financeiro pela conservação da Mata Atlântica em Lumiar, onde já monitora 230 espécies
Peter Estermann trocou, no fim de 2025, a rotina de 45 anos no comando de grandes empresas por um projeto de conservação em Lumiar, distrito de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, onde restaura a Mata Atlântica e monitora 230 espécies.
Da presidência ao refúgio em Lumiar
Após uma carreira em grandes empresas e no mercado financeiro, Peter Estermann decidiu mudar de vida.
O ex-executivo passou a dedicar seus dias à observação de aves e à preservação da Mata Atlântica em Lumiar, distrito de Nova Friburgo.
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O local fica na região serrana do Rio de Janeiro, a pouco mais de 260 km da capital. Ali, o antigo escritório deu lugar à paisagem das montanhas, ao movimento dos beija-flores e ao canto metálico da araponga.
Peter afirmou que a mudança representa uma nova guinada. Segundo ele, abrir a janela e olhar para coisas que trazem prazer, felicidade e realização passou a fazer mais sentido nesta etapa da vida.

Mudança começou antes da aposentadoria
A transição para o birdwatching e para a conservação começou a ser desenhada quatro anos antes da aposentadoria oficial, que ocorreu no final de 2025.
A decisão, segundo Peter, dialoga com vivências da infância e com a continuidade desse vínculo.
Natural do norte do Mato Grosso e formado em agronomia, ele iniciou a trajetória no agronegócio. Depois, atuou na indústria de transformação de polímeros, madeira, saúde e varejo, encerrando o ciclo como executivo da área financeira.
Nas manhãs de reflexão, contou Peter, surgiu a ideia de entrar na atividade de birdwatching. Ele disse que o ambiente em Lumiar era muito positivo para isso.
Projeto reúne restauração na mata atlântica e fauna monitorada
O refúgio em Lumiar não é apenas contemplativo. Em uma área equivalente a um estacionamento de 2.500 carros, Peter já plantou mais de 1.500 árvores nativas frutíferas para atrair a fauna e fortalecer a Mata Atlântica.
As câmeras de monitoramento registraram a circulação de gato-maracajá, tatu-peba, quati e gambá-de-orelha-preta pela propriedade.
Entre as aves, ele destaca o beija-flor-de-papo-branco, a saí-andorinha e a rara araponga-do-horto.
O beija-flor-de-papo-branco pode bater as asas até 40 vezes por segundo. Já a saí-andorinha, com seu azul vibrante, foi comparada ao uniforme da seleção brasileira. A araponga-do-horto foi descrita como um enigma das matas.
Cuidado diário e nova ideia de ganho
Peter também adota cuidados específicos no manejo dos animais. Ele usa bebedouros de vidro para evitar fungos e bactérias, além de bases especiais que impedem o acesso de formigas e abelhas. A água é trocada todos os dias.
Hoje, a antiga lógica da rentabilidade foi substituída por outra medida. Peter transformou a paixão em uma pequena pousada voltada ao acolhimento e à conexão com a natureza. Para ele, o maior ganho acontece quando esses visitantes aparecem.
Ao defender a preservação e a recuperação de áreas degradadas, Peter resume o novo sentido da rotina. Na Mata Atlântica, o crescimento de uma árvore se tornou mais valioso do que qualquer oscilação de mercado, e o coro das aves virou seu patrimônio imporante.
Com informações de G1.

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