Discussões entre Estados Unidos e Israel avaliam a possibilidade de enviar forças especiais para garantir o controle do arsenal nuclear do Irã, que inclui cerca de 450 quilos de urânio enriquecido a 60%, material que poderia atingir nível militar em poucas semanas e gerar até 11 bombas nucleares caso alcance pureza de 90%.
Os Estados Unidos e Israel discutem enviar forças especiais para garantir o controle do arsenal nuclear do Irã, incluindo cerca de 450 quilos de urânio enriquecido a 60%, caso a guerra evolua para um estágio em que operações terrestres possam ser executadas com segurança.
A possibilidade de mobilizar forças especiais para lidar com o arsenal nuclear do Irã surgiu em discussões entre autoridades dos Estados Unidos e de Israel, segundo quatro fontes com conhecimento direto das conversas. A medida seria considerada apenas em uma etapa posterior do conflito.
Impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear é um dos objetivos de guerra declarados pelo presidente Donald Trump. Nesse contexto, o estoque de 450 quilos de urânio enriquecido a 60% é considerado um elemento central.
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Segundo autoridades, esse material poderia ser convertido em urânio com grau militar em poucas semanas. Caso todo o estoque fosse enriquecido a 90% de pureza, haveria quantidade suficiente para produzir até 11 bombas nucleares.
Discussões sobre o envio de forças especiais
Qualquer operação para garantir o controle do arsenal nuclear do Irã provavelmente exigiria a presença de forças especiais americanas ou israelenses em território iraniano. A missão envolveria o acesso a instalações subterrâneas fortemente fortificadas em meio a um cenário de guerra.
Ainda não está definido se a eventual operação seria conduzida exclusivamente pelos Estados Unidos, por Israel ou de forma conjunta. A decisão dependeria da avaliação sobre o nível de ameaça representado pelas forças armadas iranianas naquele momento.
Fontes afirmam que o envio de forças especiais só seria considerado quando ambos os países estivessem convencidos de que as forças militares do Irã não representam mais uma ameaça significativa às tropas envolvidas na operação.
Opções avaliadas para lidar com o arsenal nuclear do Irã
Durante uma reunião informativa no Congresso, o secretário de Estado Marco Rubio foi questionado sobre a segurança do material nuclear iraniano. Ao responder, afirmou que alguém teria de recuperar o urânio enriquecido, sem especificar quem realizaria essa tarefa.
Um oficial de defesa israelense declarou que Trump e sua equipe analisam seriamente a possibilidade de enviar unidades de operações especiais para missões específicas relacionadas ao arsenal nuclear do Irã. Essas missões fariam parte de um conjunto de alternativas discutidas antes do início da guerra.
De acordo com um funcionário americano, duas opções principais foram consideradas. A primeira seria retirar completamente o material do território iraniano, enquanto a segunda envolveria enviar especialistas nucleares para diluir o urânio no próprio local.
Essa operação poderia envolver operadores de forças especiais trabalhando junto a cientistas nucleares. Entre os especialistas considerados para participar estariam profissionais ligados à Agência Internacional de Energia Atômica.
Desafios operacionais da missão
Garantir a segurança do arsenal nuclear do Irã representa um desafio logístico e operacional complexo. Um oficial americano descreveu que a primeira dificuldade é determinar exatamente onde o urânio está localizado.
A segunda etapa seria definir como chegar até esse material e assumir o controle físico dele. Somente após essa fase seria tomada a decisão sobre transportá-lo para fora do país ou diluí-lo nas próprias instalações nucleares.
A NBC News informou que Trump discutiu a possibilidade de enviar um pequeno contingente de tropas americanas ao Irã para objetivos estratégicos específicos. O portal Semafor também relatou que incursões de operações especiais contra instalações nucleares estão entre as opções analisadas.
Declarações de Trump e da Casa Branca
Durante conversa com jornalistas a bordo do Air Force One, Trump afirmou que a presença de tropas terrestres é possível, mas apenas se houver uma justificativa considerada muito forte. Ele indicou que a decisão dependeria das circunstâncias do conflito.
Questionado sobre a possibilidade de tropas entrarem no Irã para proteger o material nuclear, o presidente não descartou essa hipótese. Segundo ele, a medida poderia ser considerada em algum momento futuro, embora não esteja sendo buscada no momento atual.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que Trump mantém todas as opções abertas em relação ao conflito. De acordo com ela, nenhuma possibilidade está descartada no planejamento estratégico.
Localização do estoque nuclear iraniano
Autoridades americanas e israelenses afirmam que ataques conjuntos realizados em junho passado contra instalações nucleares iranianas soterraram o estoque de urânio sob escombros. Segundo essas autoridades, os próprios iranianos não conseguiram acessar o material desde então.
Os ataques também destruíram quase todas as centrífugas utilizadas pelo Irã no processo de enriquecimento. Até agora, não há evidências de que o país tenha retomado as atividades de enriquecimento de urânio.
Grande parte do estoque estaria localizada em túneis subterrâneos da instalação nuclear em Isfahan. O restante do material estaria dividido entre as instalações nucleares de Fordow e Natanz.
Nos primeiros dias da guerra, os Estados Unidos e Israel realizaram ataques contra Natanz e Isfahan que aparentavam ter como objetivo selar as entradas dessas instalações. A estratégia poderia ter buscado impedir qualquer tentativa de movimentação do material nuclear.
Outras possibilidades estratégicas discutidas
Além da questão relacionada ao arsenal nuclear do Irã, autoridades americanas também discutiram outras possibilidades estratégicas. Entre elas está a eventual tomada da Ilha de Kharg.
Esse local é considerado um terminal estratégico responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã. A discussão sobre essa hipótese ocorreu paralelamente às avaliações sobre o controle do material nuclear.
Autoridades americanas destacam que as operações discutidas envolvem incursões limitadas de forças especiais. Segundo uma fonte, o conceito analisado não corresponde ao envio de grandes contingentes militares.
Outro funcionário explicou que as propostas analisadas não se aproximam de operações militares de grande escala. De acordo com ele, o foco estaria em missões específicas conduzidas por pequenos grupos especializados.

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