Com usinas próximas às lavouras, o etanol de milho fortalece o mercado interno e reduz exportações de milho, aponta análise do Rabobank.
O avanço do etanol de milho está redesenhando o destino da produção brasileira e limitando as exportações de milho, segundo avaliação do Rabobank.
A análise foi apresentada pela especialista em grãos Marcela Marini, que aponta mudanças estruturais no setor nos últimos anos, especialmente no Brasil.
O movimento ocorre em meio à expansão das usinas, maior capacidade de armazenagem e vantagens logísticas, o que fortalece o mercado interno e altera a dinâmica tradicional dos embarques para o exterior.
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De acordo com a analista, o crescimento das plantas industriais próximas às áreas produtoras reduz custos e torna as usinas mais competitivas na disputa pelo grão.
Além disso, a antecipação na comercialização e a armazenagem própria ampliam o poder de compra dessas indústrias.
Como consequência, o fluxo de milho para exportação perde força.
Etanol de milho ganha força e impacta exportações de milho
A expansão do etanol de milho tem provocado uma transformação silenciosa, porém profunda, na cadeia produtiva.
Com unidades instaladas próximas às lavouras, o custo com transporte diminui drasticamente.
“Essas plantas de etanol estão muito próximas da produção de milho, o que reduz significativamente a exposição ao frete.
Uma exportadora no Mato Grosso, por exemplo, precisa transportar esse milho por cerca de 2.000 quilômetros até o porto”, afirmou ao Money Times.
Essa diferença logística cria uma vantagem competitiva clara.
Enquanto exportadores enfrentam longas distâncias até os portos, as usinas compram diretamente na origem, oferecendo preços mais atrativos ao produtor.
Assim, as exportações de milho passam a enfrentar um ambiente mais desafiador, especialmente em momentos de concorrência acirrada com grandes players globais.
Recorde em 2023 e nova dinâmica no mercado
Depois de atingir um recorde histórico em 2023, os embarques brasileiros começaram a perder ritmo. Segundo a especialista do Rabobank, a mudança não é pontual, mas estrutural.
“As exportações atingiram um recorde significativo em 2023 e, desde então, vimos uma redução significativa desse volume”, afirma e detalha:
“No mercado de exportação, trabalhamos com janelas oportunas. Fica muito difícil competir com EUA e Argentina nesse mercado. Se adicionarmos toda essa mudança na dinâmica do mercado brasileiro, isso tende a limitar cada vez mais os embarques do Brasil”.
Ou seja, o Brasil continua relevante no comércio global, mas enfrenta maior concorrência e, agora, uma demanda doméstica mais robusta.
O fortalecimento do mercado interno torna o setor menos dependente de fatores externos.
Mercado interno fortalece o milho frente à soja
Historicamente tratado como cultura secundária, o milho ganhou protagonismo na renda do produtor rural.
Atualmente, o grão responde por cerca de 48% da receita, enquanto a soja representa 52%.
Esse equilíbrio mostra uma mudança significativa em comparação ao passado. “Em 2013, falávamos de um milho a R$ 12 por saca.
Hoje, o contrato para março de 2026 na B3 gira em torno de R$ 70,95.
O milho era praticamente marginalizado pelo produtor.
Agora, com a expansão do mercado interno, tornou-se uma commodity cada vez mais relevante na composição da receita”, avalia Marini.
O avanço do etanol de milho contribui diretamente para essa valorização.
Além de ampliar a demanda, o biocombustível também torna o setor menos vulnerável a crises geopolíticas, diferentemente da soja, que depende mais do comércio internacional.
Volatilidade de preços exige cautela do produtor
Apesar do cenário positivo para o mercado interno, o momento é marcado por forte volatilidade de preços.
Diversos fatores externos influenciam as cotações e aumentam a incerteza.
Entre eles, estão a definição da área plantada nos Estados Unidos a partir de março, o ritmo do plantio norte-americano em abril, as condições climáticas na Argentina e o desempenho da safra de verão no Brasil.
Esse conjunto de variáveis cria oscilações frequentes nos contratos futuros.
Para o produtor, isso significa risco maior na tomada de decisão.
Diante desse contexto, a recomendação é clara: avançar na comercialização e utilizar mecanismos de proteção, como contratos futuros e travas de preço, para reduzir a exposição às oscilações.
Novo desenho para o milho brasileiro
O crescimento do etanol de milho está, portanto, promovendo um novo desenho para o setor.
As exportações de milho continuam relevantes, mas passam a dividir espaço com um mercado interno mais estruturado e competitivo.
Ao mesmo tempo, a maior demanda doméstica traz estabilidade relativa, ainda que a volatilidade de preços permaneça como fator de atenção.
Para o produtor rural, o cenário é de oportunidades, mas também de estratégia.
Com um mercado mais complexo e dinâmico, planejamento e gestão de risco se tornam tão importantes quanto a produtividade no campo.
Veja mais em: Boom do etanol aponta para novo desenho nos embarques do milho, vê Rabobank

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