Estudantes da Etec Taubaté criaram o DRAST, drone subaquático de PEAD reciclável com câmera, sensores e garra magnética, e ainda desenvolveram o MEAR, material ecológico de alta resistência para possíveis aplicações na construção civil.
Segundo a FEBRACE, Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, em publicação de 19 de março de 2025, o DRAST, Dispositivo Remoto Aquático Simplificado Tecnológico, é um drone subaquático de baixo custo feito com polietileno de alta densidade reciclável, desenvolvido por uma equipe ligada à Etec Taubaté e à Idesa Taubaté, em Taubaté, São Paulo. O equipamento foi projetado para coleta de dados ambientais, como temperatura e luminosidade, além de captura de imagens e recolhimento de resíduos metálicos por meio de uma garra magnética, com aplicação em pesquisas científicas e monitoramento de ambientes aquáticos.
Durante o desenvolvimento do DRAST, os estudantes enfrentaram um desafio técnico central: encontrar um material resistente, leve, barato e reciclável para a estrutura do drone. A solução levou ao surgimento de um segundo projeto, o MEAR, Material Ecológico de Alta Resistência, descrito pela mostra virtual da FEBRACE como uma placa de PEAD reciclável reforçada com malha de aço, com proposta de unir resistência mecânica, baixo custo e versatilidade para possíveis aplicações em áreas como a construção civil.
DRAST: drone subaquático de PEAD reciclável criado por estudantes da Etec Taubaté
O PEAD, polietileno de alta densidade, é um dos plásticos mais descartados pela indústria brasileira. Garrafas de água sanitária, embalagens de detergente, canos de esgoto e recipientes industriais são feitos desse material, que após o uso costuma ir para aterros ou para reciclagem de baixo valor agregado.
-
China não encontrou caminhão elétrico adequado para mineração, encomendou um do zero, lançou veículo de 140 toneladas com bateria de 770 kWh trocável em 4 minutos e já opera 290 unidades na maior mina de zinco de Xinjiang
-
Meta prepara o Arena, novo aplicativo de previsões que pode usar pontos, aproveitar 3,56 bilhões de usuários e entrar na disputa direta com Polymarket e Kalshi
-
Cientista desafia uma das teorias mais famosas sobre a evolução humana e afirma que o Homo sapiens não passou por uma revolução repentina, mas por milhares de anos de mudanças graduais
-
Aos 15 anos, uma americana construiu um gerador oceânico com cano de PVC e hélice de impressora 3D por R$ 61, ganhou um prêmio nacional, apresentou o projeto na Casa Branca e entrou na lista Forbes 30 Under 30
Os estudantes da Etec Taubaté escolheram o PEAD como material principal do drone subaquático DRAST por três razões: impermeabilidade, resistência estrutural e reciclabilidade. Essa escolha também alinha o projeto à lógica de economia circular, ao transformar plástico descartado em tecnologia ambiental.
O DRAST 6, sexta versão do protótipo, apresentou excelente manobrabilidade e resistência nos testes finais, segundo a documentação apresentada na FEBRACE. O equipamento opera por controle remoto, navega em ambientes subaquáticos, registra imagens do fundo e mede temperatura e luminosidade da água.
Drone subaquático com garra magnética coleta resíduos metálicos em rios e lagos
A garra magnética acoplada ao DRAST permite coletar resíduos metálicos do fundo de rios e lagos, como parafusos, tampas, fragmentos de equipamentos e outros detritos acumulados em ambientes aquáticos urbanos. Essa função amplia o uso do protótipo para ações de monitoramento ambiental e limpeza pontual.
Para projetos de pesquisa, o DRAST representa uma alternativa de baixo custo em relação aos ROVs comerciais, veículos subaquáticos operados remotamente que podem custar dezenas de milhares de reais. Esse preço torna muitos equipamentos profissionais inacessíveis para escolas públicas, pequenos laboratórios e iniciativas comunitárias.
A força do projeto está justamente nessa combinação: baixo custo, material reciclável, câmera subaquática, sensores ambientais e garra magnética. O DRAST mostra como estudantes do ensino técnico podem criar soluções práticas para problemas ambientais reais.
MEAR: material ecológico de alta resistência nasceu durante o desenvolvimento do drone
Enquanto desenvolviam o DRAST, os estudantes perceberam que precisavam de uma placa estrutural capaz de combinar resistência mecânica, baixo custo e sustentabilidade. Nenhum material disponível no mercado atendia simultaneamente a esses critérios dentro do orçamento de uma escola técnica.
A solução foi criar o próprio material. O MEAR, Material Ecológico de Alta Resistência, é produzido pela fusão do PEAD reciclado em temperatura controlada, combinado com malha de aço incorporada durante o processo para aumentar a resistência estrutural.
O resultado é uma placa que une impermeabilidade e leveza do plástico com a resistência mecânica do aço. Segundo a documentação da FEBRACE, o material suportou cargas significativas nos testes, abrindo caminho para possíveis aplicações na construção civil.
PEAD reciclado com malha de aço pode abrir caminho para aplicações na construção civil
Um dos desafios técnicos mais importantes do MEAR foi definir a temperatura ideal de fusão do PEAD reciclado. Esse ponto é essencial porque variações no processo afetam diretamente a homogeneidade, a resistência e a uniformidade da placa final.
Os testes documentados na FEBRACE validaram a hipótese dos estudantes de que a combinação entre PEAD reciclado e malha de aço poderia produzir um material resistente, acessível e sustentável. A proposta aproveita um resíduo plástico comum e o transforma em uma placa com maior valor agregado.
A descoberta torna o projeto mais amplo do que o drone subaquático original. O DRAST gerou uma solução ambiental, e o MEAR surgiu como um subproduto técnico com potencial para outro setor: a construção civil.
FEBRACE 2025 colocou DRAST e MEAR entre os projetos científicos de destaque no Brasil
A FEBRACE, organizada pela Universidade de São Paulo, é considerada o maior evento de ciência e engenharia para estudantes do ensino básico e técnico do Brasil. Em 2025, reuniu 300 projetos finalistas desenvolvidos por 671 estudantes de todo o país.
Chegar à FEBRACE já representa reconhecimento nacional, pois os projetos são selecionados entre milhares de trabalhos inscritos em feiras regionais e estaduais. Para os finalistas com melhor desempenho, o evento também abre caminho para a Regeneron ISEF, nos Estados Unidos.
A Regeneron ISEF reúne mais de 1.800 jovens cientistas de 49 países e é considerada a maior feira científica internacional do ensino básico e técnico. DRAST e MEAR chegaram a esse nível partindo de uma escola técnica estadual, sem depender de laboratório especializado.
Drone aquático da Etec Santana de Parnaíba reforça inovação ambiental nas escolas técnicas
O DRAST da Etec Taubaté não é o único drone aquático desenvolvido por estudantes de escola técnica estadual paulista com finalidade ambiental. Em Santana de Parnaíba, alunos da Etec local criaram um drone aquático de superfície para monitoramento do Rio Tietê, um dos rios mais poluídos do Brasil.
O projeto foi selecionado entre os 89 finalistas da terceira edição da Olimpíada Brasileira de Restauração de Ecossistemas, a Restaura Natureza, promovida pelo WWF-Brasil em parceria com a associação Quero na Escola. Também já havia sido premiado na FEBRACE e no Fórum Brasil de Gestão Ambiental.
A estudante Rute Gomes, do Ensino Médio Integrado ao Técnico em Marketing, resumiu o impacto da experiência: “Participar do projeto foi um divisor de águas para mim. Cresci como estudante, como cidadã e como alguém que entende que pequenas ações podem gerar grandes mudanças.”
PEAD reciclado, garra magnética e ensino técnico mostram outro caminho para inovação no Brasil
A narrativa mais comum sobre inovação tecnológica costuma apontar para laboratórios universitários de ponta, startups financiadas por venture capital ou centros de pesquisa corporativos. O DRAST e o MEAR surgem fora dessa lógica.
Os projetos foram desenvolvidos por estudantes do ensino técnico em uma escola estadual de Taubaté, com materiais acessíveis, como PEAD reciclado de embalagens descartadas e malha de aço de uso geral. O problema que motivou o projeto era prático: monitorar ambientes aquáticos com baixo custo.
A inovação mais relevante não é apenas o drone. É o processo: ao tentar construir um equipamento subaquático sustentável, os estudantes criaram também um novo material com potencial para outro mercado. Esse encadeamento entre problema, solução e aplicação inesperada é uma das formas mais fortes de inovação de baixo custo.


Parabéns pelo sucesso desses alunos, acredito muito no potencial dos Brasileiros que mesmo com tantas dificuldades de investimento de nossos governantes em mais escolas técnicas públicas e sem parcerias com escolas privadas , e mesmo diante dessas adversidades todas alguns alunos se sobressaem.
Meus Parabéns com P maiusculo, vocês merecem o Sucesso!🙌