Estudante de 12 anos foi uma das 12 escolhidas entre mais de mil candidatos para programa com mentoria de engenheiros ligados ao ITA.
Entre mais de mil candidatos de diferentes partes do Brasil, apenas 12 conseguiram uma vaga no programa Sócios Mirins 2025. Uma delas foi Júlia Temponi Bretas, estudante de 12 anos de Governador Valadares, no Leste de Minas Gerais, que se tornou a única representante mineira da edição e terá um ano de acompanhamento com engenheiros ligados ao ITA, além de uma visita ao instituto em São José dos Campos, no interior paulista.
A seleção aproxima Júlia justamente da instituição onde ela pretende estudar no futuro. Seu objetivo é ingressar no Instituto Tecnológico de Aeronáutica e seguir carreira na engenharia, embora ainda não tenha escolhido qual área deseja cursar. As informações sobre a trajetória da jovem foram divulgadas pelo g1 em agosto de 2025.
Programa coloca estudante em contato direto com engenheiros do ITA
O Sócios Mirins é promovido pela Associação de Engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (AEITA) e procura identificar crianças e adolescentes com desempenho e interesse destacados em ciência e tecnologia.
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Para Júlia, a participação significa acesso a uma experiência que não se limita a atividades escolares. Durante 12 meses, ela poderá conversar e aprender com profissionais formados pelo ITA, além de conhecer presencialmente o ambiente acadêmico que já aparece em seus planos de longo prazo.
A iniciativa trabalha com uma meta projetada para décadas à frente: incentivar participantes que possam futuramente figurar entre cientistas brasileiros de grande influência até 2050.
Ao g1, Júlia contou que acompanhou o resultado com ansiedade e que a confirmação provocou comemoração em casa. O fato de ser a única selecionada de Minas Gerais tornou a conquista ainda mais significativa para ela.

Asteroides, astronomia e pesquisa já fazem parte da rotina
A escolha para o programa não foi a primeira experiência científica da estudante. Júlia acumulava atividades que iam muito além do currículo regular antes mesmo de conquistar a mentoria.
Sua trajetória já inclui diferentes frentes:
- participação no Programa de Iniciação Científica da OBMEP;
- conclusão do curso Disk Detective, relacionado à busca por discos protoplanetários;
- identificação de dois candidatos preliminares a asteroides no projeto Caça Asteroides;
- apresentação de uma pesquisa acadêmica sobre memória e território em Dom Casmurro;
- aprovação de resumo no XXIII Simpósio de Pesquisa da Univale.
O conjunto mostra que o interesse da jovem não ficou restrito a uma única disciplina. Literatura, astronomia, matemática e física aparecem em momentos diferentes de uma formação que ainda está nos primeiros anos.
Interesse pelas exatas surgiu depois de uma identificação inicial com humanas
Júlia nem sempre se enxergou seguindo matemática ou engenharia. Durante parte da infância, dizia ser uma “menina de humanas”, classificação que começou a mudar conforme passou a participar de olimpíadas científicas.
O contato com desafios matemáticos abriu caminho para física e, posteriormente, astronomia. A própria estudante relatou ao g1 que foi descobrindo novas áreas e aumentando gradualmente o tempo dedicado às disciplinas de exatas.
Agora, o ITA aparece como destino desejado. O instituto oferece diferentes formações em engenharia, e Júlia espera utilizar a futura visita a São José dos Campos também para conhecer melhor as possibilidades antes de decidir por uma especialidade.
Desempenho escolar levou Júlia a avançar um ano
Na educação regular, Júlia apresenta aproveitamento de 99% e já avançou uma série. Ela também integra Mensa e Intertel, organizações voltadas a pessoas com elevados resultados em testes de inteligência, após obter QI de 147.
A rotina de estudos foi organizada pela própria jovem. Em sala de aula, procura concentrar a atenção nas explicações e utiliza anotações visuais para separar informações por importância. Depois, retoma o material e acrescenta períodos de estudo destinados principalmente aos assuntos que deseja aprofundar.
O desempenho não fica restrito às notas. Professores ouvidos pelo g1 destacaram também a maneira como Júlia compartilha conhecimento. Ela participa de grupos de estudo e auxilia colegas quando encontra conteúdos que já domina.

Livros e jogos acompanharam formação desde a infância
Poliana Temponi e Ivan Bretas, pais da jovem, relatam que sempre procuraram disponibilizar estímulos variados em casa. Livros, quebra-cabeças, jogos educativos e materiais de papelaria fizeram parte desse ambiente.
O interesse por leitura apareceu cedo. Aos quatro anos, Júlia já demonstrava grande curiosidade pelos livros e, por volta dos cinco, havia alcançado fluência na leitura. Mais tarde, essa disposição para aprender passou a se manifestar de maneira mais intensa nas atividades científicas.
A mãe associa a evolução da filha principalmente à curiosidade e ao foco, enquanto o pai destaca a importância de meninas encontrarem espaço em campos tradicionalmente associados à matemática, à ciência e à engenharia.
Vida acadêmica divide espaço com natação, canto e bicicleta
Mesmo com uma agenda preenchida por olimpíadas, pesquisa e estudos, a rotina de Júlia não é formada apenas por compromissos acadêmicos. A estudante pratica natação e canto, gosta de andar de bicicleta e reserva momentos para frequentar o clube com os pais.
Essa combinação também aparece na forma como professores descrevem sua convivência na escola. Além do desempenho elevado, eles destacam características como colaboração, humildade e disposição para dividir aquilo que aprende.
Aos 12 anos, a participação no Sócios Mirins acrescenta uma nova experiência a uma trajetória que já inclui pesquisa, astronomia e olimpíadas científicas. Para Júlia, porém, o programa tem um significado adicional: aproxima a estudante do ITA, instituição que hoje ocupa o centro de seu projeto profissional e que, pela primeira vez, ela poderá conhecer de perto.

