1. Início
  2. Curiosidades
  3. Após 34 anos vivendo em laboratórios e passar a adolescência preso em uma pequena gaiola metálica, chimpanzé Alex enfrenta 12 horas de viagem e finalmente chega a um santuário de 95 hectares cercado por floresta na Geórgia
Faça um comentário 7 min de leitura

Após 34 anos vivendo em laboratórios e passar a adolescência preso em uma pequena gaiola metálica, chimpanzé Alex enfrenta 12 horas de viagem e finalmente chega a um santuário de 95 hectares cercado por floresta na Geórgia

Imagem de perfil do autor Valdemar Medeiros
Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 20/08/2026 às 11:18 Atualizado em 20/08/2026 às 11:19
Assista o vídeoApós 34 anos em laboratórios, chimpanzé Alex que passou adolescência em pequena gaiola metálica percorre 12 horas e chega a santuário de 95 hectares com floresta na Geórgia
chimpanzé Alex que passou adolescência em pequena gaiola metálica – Project Chimps
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Alex passou 34 anos ligado a laboratórios de pesquisa nos Estados Unidos e, aos 34, percorreu 12 horas até um santuário de 95 hectares na Geórgia, com acesso a uma floresta de 2,4 hectares e convivência com outros chimpanzés.

Alex tinha acabado de completar 34 anos quando deixou o New Iberia Research Center, na Louisiana, em novembro de 2018, para uma viagem rodoviária de aproximadamente 12 horas até as montanhas Blue Ridge, na Geórgia.

O destino era radicalmente diferente dos ambientes que marcaram sua vida: um santuário instalado em cerca de 236 acres, equivalentes a 95,5 hectares, com áreas arborizadas, estruturas sociais e uma floresta de seis acres, aproximadamente 2,4 hectares, disponível aos chimpanzés.

Segundo o Project Chimps, Alex passou a adolescência confinado em uma pequena gaiola metálica e acumulou 34 anos em diferentes laboratórios de pesquisa médica. Seu histórico conhecido inclui passagem pelo Laboratory for Experimental Medicine and Surgery in Primates, o LEMSIP, em Nova York, e posteriormente pelo New Iberia Research Center. Seu uso em pesquisas terminou em 2015, mas a transferência definitiva para o santuário só aconteceria três anos depois.

Alex nasceu em 1984 e teve a adolescência marcada por laboratórios

Alex nasceu em 6 de novembro de 1984. Embora o Project Chimps ressalte que nem todos os detalhes de suas primeiras décadas estão documentados publicamente, registros disponíveis mostram que boa parte de sua adolescência foi passada no LEMSIP, laboratório de primatas localizado no estado de Nova York.

A instituição chegou a manter mais de 300 chimpanzés e quase 300 macacos, segundo o histórico compilado pelo santuário. Os animais eram utilizados em diferentes linhas de pesquisa biomédica.

No caso específico de Alex, existe ao menos uma evidência documental particularmente forte. O número serial tatuado no chimpanzé aparece associado a um estudo sobre hepatite C realizado quando ele tinha apenas 12 anos, segundo o levantamento publicado pelo Project Chimps.

Pequena gaiola metálica fez parte dos primeiros anos do chimpanzé

O santuário descreve a adolescência de Alex de maneira direta: ele passou essa fase de sua vida em uma pequena gaiola de metal, sem espaço para se deslocar livremente.

Após 34 anos em laboratórios, chimpanzé Alex que passou adolescência em pequena gaiola metálica percorre 12 horas e chega a santuário de 95 hectares com floresta na Geórgia
Foto: Project Chimps

No destino final, a proposta era oferecer oportunidades que não existiam da mesma maneira durante o período de pesquisa, como escolher permanecer dentro das instalações ou sair, interagir com outros chimpanzés e acessar áreas externas arborizadas.

Laboratório de Nova York anunciou fechamento quando Alex tinha 11 anos

Um dos grandes pontos de virada ocorreu em 1995. Naquele ano, o LEMSIP anunciou que encerraria suas atividades. Alex tinha apenas 11 anos. Mesmo assim, sua saída daquele laboratório não significaria aposentadoria das pesquisas.

Segundo o Project Chimps, Alex permaneceria ligado ao sistema de pesquisa durante mais 23 anos depois daquele anúncio.

O histórico do animal atravessou, portanto, diferentes instalações e um período em que a própria política dos Estados Unidos sobre utilização de chimpanzés em pesquisa biomédica passaria por uma transformação profunda.

Uso de Alex em pesquisa só terminou em 2015

A participação de Alex em pesquisas médicas terminou no New Iberia Research Center, em 2015. O ano é significativo. Em junho daquele mesmo período, o U.S. Fish and Wildlife Service decidiu classificar todos os chimpanzés, inclusive aqueles mantidos em cativeiro, como ameaçados de extinção sob o Endangered Species Act. A regra entrou em vigor em 14 de setembro de 2015.

Em novembro, os National Institutes of Health anunciaram que deixariam de apoiar pesquisas biomédicas com chimpanzés e iniciariam um plano de aposentadoria dos animais pertencentes ou financiados pela agência.

Alex estava no New Iberia Research Center, uma instituição diferente do santuário federal usado pelo NIH. Mesmo assim, sua aposentadoria ocorreu no contexto de uma transformação muito maior sobre o futuro dos chimpanzés utilizados em pesquisa nos Estados Unidos.

Três anos separaram o fim das pesquisas da mudança definitiva

Parar de ser utilizado em estudos não significava que Alex poderia ser transferido imediatamente.

Seu trabalho em pesquisa terminou em 2015, mas ele continuou no New Iberia Research Center enquanto era estruturado o processo para levar grupos de chimpanzés ao Project Chimps.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

O santuário havia sido criado em 2014 e posteriormente firmou um acordo de cooperação com o centro da Universidade da Louisiana em New Iberia para transferir gradualmente sua população de chimpanzés.

Isso exigia dinheiro, instalações adequadas, grupos sociais planejados e capacidade para transportar os animais sem desmontar relações consideradas importantes para seu bem-estar.

Aos 34 anos, Alex entrou em um trailer especial para viagem de 12 horas

Em 6 de novembro de 2018, Alex completou 34 anos e estava sendo preparado para a mudança. No dia seguinte, ele e outros nove chimpanzés partiram de New Iberia, na Louisiana, em direção a Morganton, no norte da Geórgia. A viagem durou aproximadamente 12 horas e foi realizada em um trailer especialmente preparado para transportar os animais.

Alex não viajou sozinho.

O grupo incluía as fêmeas Chloe, Betty, Harriett, Lucky e Panielle, além dos machos Collin, Jermaine, Kareem e Ronald. As idades variavam bastante, de 14 a 34 anos.

A transferência fazia parte de uma operação muito maior que pretendia levar centenas de chimpanzés aposentados da pesquisa para o santuário.

Santuário ocupa cerca de 95 hectares nas montanhas da Geórgia

O contraste de escala aparece quando se observa o destino. Na época da transferência, o Project Chimps informava ocupar uma propriedade florestada de 236 acres, aproximadamente 95,5 hectares, nas montanhas Blue Ridge, no norte da Geórgia. Atualmente, a instituição se refere à área como superior a 230 acres.

A propriedade havia sido concebida anteriormente como um santuário para gorilas e já possuía parte da infraestrutura necessária quando foi adquirida e adaptada para receber chimpanzés.

A primeira grande área externa criada foi o Peachtree Habitat, uma floresta cercada de seis acres, ou cerca de 2,4 hectares, ligada a cinco instalações residenciais para grupos de chimpanzés.

Alex ganhou acesso à floresta, mas preferia ficar dentro da residência

Seria fácil imaginar que um chimpanzé que passou décadas em ambientes de laboratório correria imediatamente para as árvores assim que recebesse essa possibilidade.

Com Alex, não foi exatamente assim.

Após 34 anos em laboratórios, chimpanzé Alex que passou adolescência em pequena gaiola metálica percorre 12 horas e chega a santuário de 95 hectares com floresta na Geórgia
chimpanzé Alex que passou adolescência em pequena gaiola metálica – Project Chimps

O próprio Project Chimps registrou posteriormente que ele preferia fortemente permanecer dentro de sua villa em vez de sair para as áreas externas. A equipe adaptava atividades de enriquecimento para que ele continuasse recebendo estímulos mesmo quando escolhia ficar no interior.

O objetivo do santuário não era obrigar Alex a viver na floresta, mas oferecer possibilidades que antes não estavam disponíveis.

Outros chimpanzés mostraram medo e curiosidade ao encontrar áreas abertas

O comportamento observado com outros moradores reforça como essa adaptação pode ser complexa. Em janeiro de 2018, antes mesmo da chegada de Alex, o Project Chimps liberou grupos de antigos chimpanzés de laboratório no Peachtree Habitat. Alguns demonstraram inicialmente sinais de alarme, curiosidade e hesitação antes de explorar o terreno.

A instituição relatou que alguns se abraçavam, exploravam o solo e procuravam alimentos, enquanto outros demoravam mais para abandonar túneis ou espaços familiares.

Hoje, o próprio santuário reconhece que, devido ao histórico anterior, alguns chimpanzés permanecem hesitantes em utilizar grandes áreas externas e preferem observar a partir das varandas.

Alex acabou sendo um exemplo claro dessa diversidade comportamental.

Socialização passou a ser outro elemento da nova rotina

A mudança também alterou a organização social disponível para o chimpanzé. No santuário, Alex passou a integrar um grupo de 14 animais. Entre eles estavam Kareem, Jermaine, Ronald, Collin, Babs, LB, Sky, Almasi, Noel, Amy, Loretta, Sarah e Harley.

Os cuidadores registraram que Alex mantinha uma relação particularmente próxima com Kareem e também era visto brincando com fêmeas mais jovens do grupo.

Pequenos objetos também passaram a fazer parte de sua rotina. O santuário relata que ele gostava de carregar brinquedos e frequentemente mantinha algum deles consigo. Entre os alimentos de enriquecimento preferidos estavam milho quebrado crocante e cubos de gelo preparados com água aromatizada e passas.

Alex viveu pouco mais de dois anos no santuário

A nova fase, infelizmente, seria relativamente curta. Alex chegou ao Project Chimps em 7 de novembro de 2018 e morreu em 26 de janeiro de 2021, aos 36 anos.

Segundo o santuário, ele havia sido submetido a anestesia e estava em recuperação, aparentemente dormindo tranquilamente, quando seu coração parou. A equipe iniciou manobras de reanimação imediatamente, mas não conseguiu restabelecer os batimentos.

Na publicação feita após a morte, o Project Chimps informou que seria realizada uma necropsia para investigar a causa.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x