Fernanda Rodrigues transformou uma propriedade abandonada em Paty do Alferes, no interior do Rio, em projeto de café especial com base agroflorestal. Ao lado do marido e de outros sócios, recuperou áreas, preservou nascentes, plantou mais de 120 mil árvores e manteve 40 hectares destinados ao cultivo sustentável de café.
Fernanda Rodrigues encontrou no interior do Rio de Janeiro uma propriedade que estava abandonada e, ao lado do marido, Raoni Carneiro, e de outros sócios, passou a reconstruir sua vocação agrícola. O projeto desenvolvido em Avelar, distrito de Paty do Alferes, no Vale do Café, envolveu recuperação do solo, proteção de nascentes, plantio de árvores e mudança na forma de conduzir o cafezal. Em vez de manter apenas uma lógica de monocultura, o grupo adotou um modelo agroflorestal no qual café, árvores nativas e espécies frutíferas dividem o mesmo espaço.
O trabalho começou em outubro de 2020 e ganhou dimensão muito maior do que a ideia inicial de ter a fazenda como lugar de lazer. Mais de 120 mil árvores foram plantadas, enquanto cerca de 40 hectares passaram a concentrar a produção de café dentro de uma proposta sem uso de agrotóxicos. A primeira colheita ocorreu em 2021, e o projeto passou a combinar produção de café especial, recuperação ambiental e preservação de recursos naturais em uma propriedade que havia chegado às mãos do grupo precisando de manutenção.
Fernanda Rodrigues encontrou uma propriedade que estava abandonada

Quando Fernanda Rodrigues, Raoni Carneiro e os demais sócios chegaram à propriedade, o local precisava de intervenções para voltar a produzir de maneira estruturada. O cafezal existente e a sede demandavam cuidados, enquanto parte do desafio envolvia recuperar condições do solo e reorganizar o uso das áreas agrícolas. O grupo decidiu aproveitar o potencial daquela terra no Vale do Café em vez de simplesmente utilizá-la como refúgio rural.
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A transformação começou pela tentativa de devolver produtividade a uma área que já possuía ligação com a cafeicultura. O projeto recebeu o nome de Fazenda Nosso Vilarejo e passou a incorporar práticas regenerativas voltadas ao solo, às águas e à biodiversidade, criando uma combinação entre atividade agrícola e recuperação ambiental.
Projeto começou em 2020 com recuperação do solo e das nascentes
O trabalho estruturado na propriedade começou em outubro de 2020. Entre as prioridades estavam melhorar as condições do solo, proteger recursos hídricos e ampliar a presença de vegetação, criando um ambiente mais diverso ao redor das áreas utilizadas para o café.
A recuperação das nascentes passou a integrar essa estratégia, juntamente com o plantio de espécies capazes de aumentar a biodiversidade. Em vez de tratar o cafezal isoladamente, o projeto passou a considerar solo, água, árvores e produção agrícola como partes do mesmo sistema, conceito que orientou a transformação da área nos anos seguintes.
Mais de 120 mil árvores foram plantadas na fazenda
Uma das dimensões mais expressivas da transformação foi o plantio de árvores. Fernanda Rodrigues relatou que, depois de aproximadamente dois anos desenvolvendo o modelo agroflorestal, o projeto já havia ultrapassado a marca de 120 mil árvores plantadas.
As espécies não foram utilizadas apenas como elemento paisagístico. Árvores nativas e frutíferas passaram a ocupar o mesmo ambiente do café, ajudando a construir áreas com diferentes estratos de vegetação. Entre as espécies cultivadas no sistema aparecem frutas como abacate, manga e banana, além das árvores destinadas à recuperação ambiental.
Cerca de 40 hectares ficaram destinados ao cultivo de café

Embora a propriedade seja muito maior, a área efetivamente utilizada para o cultivo de café ocupa aproximadamente 40 hectares. Essa decisão permitiu que outras partes fossem destinadas à preservação, recuperação ambiental e manutenção das nascentes e da vegetação.
Os 40 hectares passaram a funcionar como um cafezal integrado a uma estrutura agroflorestal, em vez de uma área baseada exclusivamente na presença dos cafeeiros. Dessa maneira, o espaço produtivo passou a dividir terreno com outras espécies vegetais, formando um ambiente mais próximo da lógica natural de uma floresta.
Cafezal deixou a lógica de monocultura e ganhou árvores ao redor
Parte importante da mudança ocorreu na forma de organizar as plantas. O cultivo encontrado na propriedade seguia uma estrutura mais próxima da monocultura, mas o novo projeto passou a introduzir diferentes espécies entre e ao redor dos pés de café.
A ideia foi criar pequenos conjuntos de vegetação planejada, com árvores nativas, espécies frutíferas e cafeeiros compartilhando o terreno. Fernanda Rodrigues e os sócios passaram a apostar em um sistema no qual a produção agrícola convive com a recuperação da biodiversidade, diminuindo a separação tradicional entre área produtiva e vegetação.
Café é cultivado sem uso de agrotóxicos

Outro ponto destacado por Fernanda Rodrigues é a ausência de agrotóxicos no café produzido na propriedade. A opção faz parte da proposta de conduzir o cultivo dentro de princípios agroflorestais e regenerativos, combinando produção com cuidado ambiental.
Essa característica passou a ser um dos elementos centrais do projeto agrícola. O objetivo não ficou restrito a colher grãos, mas a produzir café enquanto o solo, a vegetação e a água recebem atenção dentro do mesmo manejo, estratégia que ajudou a definir a identidade da Fazenda Nosso Vilarejo.
Variedades diferentes passaram a ocupar o cafezal
O cultivo inclui diferentes variedades de café, entre elas Catucaí Vermelho Azulão, Acauã e Catuaí. Parte das mudas utilizadas na propriedade já tinha origem local e estava associada à produção agrícola existente antes da chegada do novo grupo.
Em vez de descartar completamente o cultivo anterior, os responsáveis passaram a reorganizar esse patrimônio vegetal dentro de uma proposta diferente. O cafezal existente foi incorporado ao processo de transformação da propriedade, enquanto novas árvores e espécies foram acrescentadas para ampliar a diversidade do ambiente.
Primeira colheita chegou em 2021
Depois do início dos trabalhos em outubro de 2020, a fazenda conseguiu realizar sua primeira colheita em 2021. A produção marcou uma etapa importante porque mostrou que a recuperação do espaço poderia caminhar junto com uma atividade econômica ligada à tradição cafeeira da região.
A partir dali, o café deixou de ser apenas uma possibilidade observada pelos proprietários e passou a ocupar posição central no projeto. Fernanda Rodrigues e os demais sócios começaram a investir de maneira mais consistente na produção, transformando o interesse inicial pela propriedade em uma atividade agrícola estruturada.
Produção passou a buscar café especial
O objetivo do grupo não é produzir apenas volume. O projeto foi direcionado ao segmento de café especial, categoria associada a critérios de qualidade que avaliam características sensoriais e o cuidado aplicado ao grão em diferentes etapas.
A produção envolve atenção desde a colheita até a seleção dos grãos. O café produzido na fazenda alcançou pontuação superior a 80 pontos, parâmetro mencionado na apresentação do produto e compatível com a proposta de trabalhar com cafés especiais em vez de uma produção convencional orientada somente à quantidade.
Agricultura sintrópica orienta parte do modelo adotado
A condução da propriedade também incorpora princípios associados à agricultura sintrópica, abordagem que procura organizar a produção agrícola observando relações presentes nos ecossistemas naturais. Nesse tipo de estrutura, diferentes espécies podem desempenhar funções complementares dentro da mesma área.
Na Fazenda Nosso Vilarejo, essa lógica aparece na combinação entre cafeeiros, árvores nativas e frutíferas. O modelo procura criar condições em que a atividade produtiva ocorra ao mesmo tempo em que o ambiente recupera cobertura vegetal, solo e diversidade, evitando separar completamente agricultura e floresta.
Sombra das árvores passou a fazer parte do cultivo
A presença das árvores também interfere diretamente nas condições em que os cafeeiros se desenvolvem. Dentro do sistema agroflorestal, parte das plantas cresce protegida da incidência constante de sol direto, criando diferentes níveis de sombra ao longo do cafezal.
Essa configuração é deliberada. A proposta busca reproduzir características de ambientes florestais nos quais o café pode crescer acompanhado de outras espécies, transformando as árvores em parte funcional do sistema agrícola e não apenas em elementos de preservação mantidos longe da área produtiva.
Fazenda também virou projeto familiar
A propriedade ultrapassou o papel de empreendimento agrícola e passou a ocupar espaço importante na rotina familiar de Fernanda Rodrigues. A atriz já descreveu o local como ambiente de convivência, aprendizado e contato direto das crianças com o desenvolvimento das plantas e com os ciclos da produção.
Foi justamente durante essa experiência que o projeto ganhou força. O que começou com uma relação de lazer com a fazenda evoluiu para investimento no cafezal, recuperação ambiental e produção de café, envolvendo Fernanda, o marido e os demais sócios em diferentes etapas da transformação.
De área abandonada a cafezal agroflorestal
A trajetória da Fazenda Nosso Vilarejo reúne números que ajudam a dimensionar a mudança: mais de 120 mil árvores plantadas, aproximadamente 40 hectares destinados ao café, recuperação de áreas e nascentes e uma produção conduzida sem agrotóxicos em Paty do Alferes.
Fernanda Rodrigues transformou uma propriedade encontrada em estado de abandono em um projeto que combina café especial, agrofloresta e recuperação ambiental, mantendo a produção agrícola dentro de uma paisagem novamente ocupada por árvores. Para você, o que mais chama atenção nessa transformação: o plantio de mais de 120 mil árvores, a recuperação das nascentes ou a decisão de produzir café sem agrotóxicos? Conte nos comentários.
