A região da Estremadura, na Espanha, deu um passo decisivo para se tornar um polo de mineração de terras raras. Em agosto de 2024, o Governo Regional concedeu uma licença para explorar uma área de 49.500 hectares, distribuídos entre 20 municípios das regiões de Los Ibores e Campo de Arañuelo, em Cáceres. Esse avanço coloca a Espanha na corrida global pelos minerais críticos, essenciais para a indústria de alta tecnologia.
As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos indispensáveis para a fabricação de eletrônicos, baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares. Com a crescente demanda por tecnologia e energia limpa, esses minerais se tornaram altamente estratégicos para diversas economias.
Atualmente, a China domina a extração e o processamento de terras raras, controlando grande parte da cadeia global de suprimentos. Isso levou potências como os Estados Unidos e a União Europeia a buscarem novas fontes para reduzir sua dependência. A Espanha pode desempenhar um papel crucial nesse contexto, fortalecendo sua soberania industrial.
A licença para explorar terras raras na Estremadura

A licença concedida pelo governo da Estremadura autoriza a exploração de terras raras em uma vasta área de 49.500 hectares. Os depósitos confirmados estão espalhados por 20 municípios das regiões de Los Ibores e Campo de Arañuelo, em Cáceres, além de indícios na área de Badajoz. Estudos preliminares indicam que a geologia da região é favorável para abrigar reservas significativas desses elementos.
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Pesquisas anteriores já haviam identificado indícios da presença de terras raras na Estremadura. O estudo “Recursos Mineiros da Estremadura, Rochas e Minerais Industriais”, encomendado pelo Ministério da Transição Ecológica, mapeou jazidas em localidades como Barcerrota e Burguillos del Cerro, em Badajoz, além de Alía, em Cáceres. Essa confirmação fortalece o potencial da região como um novo polo europeu de extração mineral.
A Espanha e seu potencial mineral além da Estremadura
A presença de terras raras na Espanha não se limita à Estremadura. Diversos outros locais, como Galiza, Gran Canaria, Almería e Ciudad Real, também possuem reservas desses minerais. Entretanto, a complexidade da extração e os desafios ambientais tornam o processo de exploração uma tarefa delicada.
Uma das soluções encontradas na Espanha para reduzir a dependência de importação de terras raras é a reciclagem. Através de um processo de fusão de alta temperatura em usinas especializadas, é possível recuperar elementos valiosos a partir de resíduos eletrônicos. Essa estratégia pode ser um diferencial para garantir o suprimento sustentável desses minerais críticos.
Desafios da mineração de terras raras na Europa
Conforme Xataka, a extração de terras raras levanta preocupações ambientais, devido à complexidade do processo e ao risco de contaminação de solos e águas subterrâneas. A legislação espanhola impõe controles rigorosos para garantir que qualquer projeto de mineração atenda às normas ambientais e minimize impactos negativos.
Casos como o desastre ambiental de Aznalcóllar, na Andaluzia, servem de alerta para a necessidade de regulamentação eficiente. O governo espanhol tem adotado precauções para evitar problemas semelhantes, exigindo avaliações ambientais rigorosas antes da concessão de qualquer nova licença de mineração.
O futuro da Espanha na corrida pelos minerais estratégicos
Com a exploração das terras raras na Estremadura, a Espanha pode se tornar um parceiro estratégico para a União Europeia na busca por fontes seguras e sustentáveis desses minerais. Essa iniciativa representa uma grande oportunidade para fortalecer a autonomia industrial do continente.
Além das terras raras, a Espanha se destaca na produção de minerais essenciais como cobre, tungstênio, grafite, vanádio e cobalto. A possível abertura de uma grande mina de lítio na Estremadura reforça ainda mais o papel do país como um fornecedor chave de recursos minerais para a Europa.

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