Pesquisadores da Empa e da empresa Eniwa AG testaram na Suíça um sistema de carregamento indutivo que alcançou 90% de eficiência, avaliando em Dübendorf como a tecnologia funciona em uso diário e por que isso importa para a transição energética
O projeto INLADE, desenvolvido pela Empa com apoio do Departamento Federal de Energia da Suíça e dos cantões de Zurique e Aargau, realizou testes práticos de carregamento indutivo sem fio usando veículos adaptados para operação diária, conforme descrito pelos pesquisadores envolvidos.
O experimento avaliou como o sistema reage em uso cotidiano, mostrando que a tecnologia já usada em celulares pode ser aplicada a carros, permitindo carregamento ao estacionar sobre uma plataforma instalada no solo sem cabos ou conexoes fisicas.
Segundo os pesquisadores, a energia é transferida de uma bobina transmissora para outra receptora no veículo por meio de um campo magnético, enquanto um visor interno auxilia o motorista a alinhar o carro de forma precisa sobre a base.
-
Carro elétrico mais barato do Brasil tem vendas suspensas antes das primeiras entregas: E-Motors interrompeu a comercialização do Emova Easy, que custaria R$ 69.990, após o aumento do imposto de importação e a alta no custo do frete
-
Adeus Qashqai, Nissan engaveta um de seus SUVs mais importantes, revê plano da fábrica em meio a cortes de custos, pressão chinesa e revisão da linha de produtos
-
BYD revoluciona e patenteia sistema que olha embaixo do carro para detectar animais, usando visão computacional antes da partida para evitar tragédias em veículos parados
-
Estudo expõe por que fabricar e comprar carro no Brasil sai muito mais caro que no México, com impostos, logística e custos industriais pesando no bolso do motorista comum e distanciando o país de concorrentes
Antes de iniciar a operação, o sistema realiza verificações automáticas para identificar objetos ou seres vivos entre as bobinas, garantindo segurança e evitando interferências, detalhe que os cientistas consideram central no processo de homologação.
Essa automação possibilita que o carregamento comece assim que o carro se posiciona corretamente, dispensando etapas manuais e reduzindo falhas humanas, o que, segundo Mathias Huber, representa ganho direto para o uso diário.
Adaptação dos veículos e segurança EMC
A AMAG e outros parceiros integraram bobinas receptoras em veículos elétricos comerciais, conectando os componentes aos sistemas de alta tensão e verificando a compatibilidade eletromagnética em múltiplas condições operacionais exigidas pelo projeto.
Huber destacou que o objetivo da integração era assegurar que o campo magnético não interferisse em dispositivos internos nem representasse risco a pessoas, etapa considerada crítica antes da liberação para circulação pública.
Após os testes EMC e todas as verificações de segurança, os veículos receberam autorização para rodar nas vias da Suíça, tornandose alguns dos primeiros do país e do mundo a operar diariamente utilizando carregamento indutivo integrado.
Resultados medidos em Dübendorf
As avaliações ocorreram no demonstrador de mobilidade move, em Dübendorf, onde os pesquisadores testaram o sistema sob neve, chuva e baixas temperaturas, além de inclírem pequenos desalinhamentos de estacionamento para medir a tolerância técnica.
Os resultados mostraram eficiência próxima de 90%, equivalente aos sistemas plugin convencionais, e indicaram que a operação é confiável mesmo em condições adversas, informação confirmada por Huber em comunicado oficial.
Além disso, a equipe ressaltou que veículos passam cerca de 23 horas por dia estacionados, o que permite uma conexão automática e contínua à rede elétrica, abrindo caminho para uso como unidades móveis de armazenamento de energia.
Os pesquisadores afirmaram que o carregamento sem contato contribui para modelos de carregamento bidirecional, oferecendo potencial para estabilizar o sistema elétrico à medida que a frota eletrificada cresce.
O estudo reforça que conectar veículos à rede com maior frequência, sem intervenção ativa, favorece a transição energética, ao mesmo tempo em que simplifica a rotina dos usuários, embora alguns detalhes de escrita do comunicado contenham pequenas inconsistencias como o trecho com a letra v isolada.
Para os cientistas, a validação prática do sistema representa o passo inicial para futuras aplicações em larga escala, encerrando o projeto com dados completos sobre desempenho, segurança e viabilidade operacional em ambientes reais.
