Hanwha Ocean, Estaleiro sul-coreano, quer construir o primeiro navio de gás natural nos EUA após nova regra que exige fabricação nacional e limita embarcações feitas na China.
Um estaleiro sul-coreano planeja construir o primeiro navio de transporte de gás natural liquefeito (GNL) nos Estados Unidos. A decisão foi impulsionada por uma proposta recente do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que pretende taxar embarcações construídas na China e exigir que os navios que exportam gás natural americano sejam fabricados e registrados em território norte-americano.
A medida visa fortalecer a presença dos EUA no setor, hoje dominado por países asiáticos como Coreia do Sul, Japão e China.
Navio de GNL “Made in USA”
A Hanwha Ocean, braço marítimo da gigante sul-coreana Hanwha, anunciou a expansão de suas operações ao adquirir o Philly Shipyard, localizado nos Estados Unidos, em junho de 2024.
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Essa aquisição estratégica permitirá a construção do primeiro navio de transporte de gás natural no solo americano, marcando um avanço significativo na autonomia industrial do país.
A iniciativa surge em meio a pressões regulatórias do USTR, que propõe um prazo de seis meses antes da implementação de tarifas para navios chineses operando em portos norte-americanos.
Além disso, a proposta estabelece que as embarcações de GNL destinadas à exportação devem obrigatoriamente ser registradas e construídas nos EUA.
Capacidade de construção de navios ainda é desafio nos EUA
Apesar do entusiasmo, a proposta enfrenta obstáculos técnicos e logísticos. Atualmente, menos de 1% dos navios de transporte de gás natural do mundo são registrados nos Estados Unidos, e o país não possui infraestrutura adequada para a construção de navios dessa complexidade.
A maioria das embarcações de GNL é fabricada em estaleiros na Coreia do Sul e no Japão, com participação relevante da China.
Segundo Ryan Lynch, vice-presidente de transporte comercial da Hanwha, seriam necessários entre cinco e sete navios até o final da década para atender à nova exigência americana.
No entanto, ele reconhece que os desafios são enormes e que a capacidade de produção atual nos EUA não é suficiente para suprir essa demanda no curto prazo.
Reações do setor e riscos à liderança americana
As novas regras propostas pelo governo dos Estados Unidos causaram forte reação no setor de energia.
O Centro de GNL, organização que representa empresas americanas da indústria, alertou que a medida pode aumentar os custos de exportação, prejudicar contratos de longo prazo e colocar em risco a liderança dos EUA como maior exportador global de gás natural.
“As restrições marítimas propostas — particularmente a exigência de transporte GNL dos EUA em navios construídos e registrados nos EUA — são simplesmente inviáveis”, declarou Charlie Riedl, diretor-executivo do Centro de GNL. “Não existem tais navios atualmente, e construí-los levaria décadas, tornando o cumprimento impossível para a indústria.”
A disputa geopolítica por trás dos estaleiros
A iniciativa dos EUA também reflete a crescente disputa geopolítica com a China em setores estratégicos. Ao tributar navios chineses e incentivar a produção doméstica, Washington busca reduzir a dependência industrial da Ásia e impulsionar empregos e inovação nos estaleiros americanos.
Com a entrada da Hanwha Ocean no mercado americano de construção naval, o país pode estar dando os primeiros passos rumo à reindustrialização de um setor crucial para a segurança energética e econômica dos Estados Unidos.

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