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Produtores de milho do Arco Norte ganham em Itacoatiara (AM) o Super Porto Verde, píer flutuante de 240 metros e R$ 250 milhões com três guindastes elétricos Sennebogen de 2,1 mil toneladas por hora

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 21/10/2026 às 03:45 Atualizado em 21/10/2026 às 03:50
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O Super Porto Verde, terminal flutuante de R$ 250 milhões da Super Terminais em Itacoatiara (AM), começou a operar com 27 mil toneladas de milho para o Marrocos e abre mais uma saída pelo Arco Norte para a produção que desce o rio rumo ao mercado externo.

O primeiro carregamento foi informado pela empresa e noticiado pelo Portal BE News e pela CNN Brasil na segunda-feira (19). O terminal fica a cerca de 175 quilômetros de Manaus.

A estrutura foi desenhada para transbordo de granéis, ou seja, para tirar a carga das barcaças que chegam pelo rio e colocá-la direto em navios de longo curso.

O píer flutuante tem 240 metros de comprimento

Segundo a Super Terminais, o terminal ocupa uma área portuária de 300 mil metros quadrados. A estrutura flutuante mede 240 metros de comprimento por 18 metros de largura.

Além disso, a empresa apresenta o empreendimento como o maior sistema flutuante de transbordo de granéis das Américas. O dado é da própria companhia.

O investimento de R$ 250 milhões foi feito para ampliar a capacidade de escoamento da produção agrícola brasileira pelo Arco Norte e conectar cargas nacionais aos mercados internacionais.

Vista aérea do Super Porto Verde com navio graneleiro atracado e guindastes sobre o píer flutuante no rio Amazonas
Navio atracado no Super Porto Verde, em Itacoatiara. Foto: reprodução/Revista O Empreiteiro

Três guindastes elétricos movem até 2,1 mil toneladas por hora

O terminal conta com três guindastes elétricos Sennebogen 895E. A empresa diz que eles são os maiores do mundo na categoria e os primeiros desse tipo em operação no Hemisfério Sul.

Os equipamentos têm capacidade operacional de até 2,1 mil toneladas por hora. O número foi informado pela própria Super Terminais.

Um Panamax e seis barcaças cabem ao mesmo tempo

Segundo a empresa, a estrutura foi projetada para receber, de uma só vez, um navio Panamax com capacidade de até 50 mil toneladas e seis barcaças.

A previsão da empresa é fazer operações de carregamento ou descarregamento em até 36 horas.

Píer flutuante do Super Porto Verde com três guindastes verdes e barcaças atracadas no rio Amazonas
Os três guindastes elétricos Sennebogen 895E sobre o píer. Foto: Super Terminais/Divulgação via Portos e Navios

A estreia levou 27 mil toneladas de milho ao Marrocos

A primeira operação foi o embarque de 27 mil toneladas de milho em grãos com destino ao Marrocos. A empresa não informou o nome do navio nem a origem exata do cereal.

A CNN Brasil, em reportagem de Daniel Rittner, registrou a mesma estreia com o mesmo volume de carga e o mesmo destino.

O volume da estreia é pouco mais da metade da capacidade de um Panamax como o que o terminal foi desenhado para atender.

Para quem planta milho e depende do frete até o porto, o terminal acrescenta mais uma saída pelo rio no Amazonas.

O Arco Norte já responde por quase metade do milho exportado

A entrada em operação reforça a infraestrutura logística do Amazonas para commodities agrícolas destinadas ao mercado externo, segundo a Super Terminais.

Por outro lado, o corredor já tem peso grande nesse comércio. Em setembro, o portal mostrou que os portos do Arco Norte já escoam 46,12% do milho exportado pelo Brasil, enquanto os embarques do cereal crescem 10,53% em 2026.

A integração entre embarcações de portes diferentes permite transferir cargas das barcaças para navios de longo curso, conectando o transporte hidroviário regional às rotas internacionais.

Além disso, a CNN Brasil lembrou que o transporte hidroviário é uma das alternativas logísticas de menor emissão de gases de efeito estufa para grandes volumes de carga em longas distâncias.

Navio graneleiro e barcaças atracados ao terminal flutuante Super Porto Verde no rio Amazonas
Navio e barcaças atracados ao mesmo tempo no terminal. Foto: reprodução/Revista O Empreiteiro

Em 2024, a empresa já usou Itacoatiara para driblar a seca

Itacoatiara não é novidade para a empresa. Em setembro de 2024, a Super Terminais lançou ali a chamada Operação Itacoatiara, com investimento de R$ 45 milhões, segundo o portal Mundo Logística.

Naquele ano, a seca no rio Amazonas dificultava a chegada de navios a Manaus. O primeiro a atracar foi o MSC Manya, com cerca de 1,1 mil contêineres a bordo.

A área de 300 mil metros quadrados usada naquela operação fica na margem esquerda do rio, a 1,4 km do porto público local. Na época, a viagem até Manaus levava 18 horas na ida e 12 na volta.

Conforme a mesma reportagem, o píer flutuante daquela operação media 240 metros por 24 de largura e tinha três guindastes Konecranes ESP10, alimentados por quatro geradores de 500 kVA e um gerador reserva.

Agora, a Super Terminais informa uma estrutura de 18 metros de largura e guindastes elétricos de outra fabricante.

“Essa operação reflete nossa preocupação em manter o abastecimento de insumos e o escoamento da produção local”, disse Di Gregorio em 2024.

Dois anos depois, o foco mudou dos contêineres para os grãos, com guindastes elétricos e um píer mais estreito.

A empresa fala em competitividade e sustentabilidade

O diretor-geral da Super Terminais, Marcello Di Gregorio, tratou a estreia como um passo para a região. “O Super Porto Verde representa um passo importante para fortalecer a competitividade logística do Brasil”, afirmou.

Segundo ele, o terminal ajuda a “consolidar a região amazônica como parte estratégica da conexão entre a produção nacional e os mercados internacionais, mantendo a sustentabilidade como parte fundamental desse desenvolvimento”.

A empresa já tinha presença em Itacoatiara antes do novo píer: em 2024, o portal registrou um serviço de cabotagem da Norcoast com a empresa.

A capacidade de atender vários barcos ao mesmo tempo é o trunfo

Dessa forma, para a companhia, a capacidade de movimentação e a possibilidade de atender ao mesmo tempo embarcações diferentes são as características que pesam em operações de grande volume.

Esse desenho, com navio e barcaças atracados juntos, é o que a empresa apresenta como diferencial do Super Porto Verde.

Os dados técnicos do terminal estão na reportagem do Portal BE News, que trouxe o anúncio da primeira operação.

Dá pra entender por que o rio pesa tanto na conta de quem exporta milho pelo Norte do país.

Você que produz ou transporta milho mandaria a próxima safra pelo terminal flutuante de Itacoatiara?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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