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Quem depende do Porto de Santana (AP) espera R$ 150,2 milhões em 25 anos para correias, carregador de navios e píeres no terminal de grãos MCP01, que foi arrematado em fevereiro e só teve o contrato assinado nesta sexta (23)

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 24/10/2026 às 23:05 Atualizado em 24/10/2026 às 23:21
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O terminal de grãos MCP01, no Porto de Santana, no Amapá, ganhou nesta sexta-feira (23) o contrato que faltava: a CS Infra vai aplicar R$ 150,2 milhões em 25 anos em correias, carregador de navios e píeres, oito meses depois de arrematar a área em leilão.

O contrato de arrendamento do terminal MCP01 foi assinado na sexta-feira, 23 de outubro, durante a visita do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, às instalações do Porto de Santana.

A área vai movimentar e armazenar granéis sólidos vegetais, principalmente soja e milho. O investimento previsto é de R$ 150,2 milhões ao longo de 25 anos, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos.

Para quem depende do porto, de exportadores a trabalhadores do cais, a assinatura é o passo formal que faltava para o terminal sair do papel e entrar na fase de implantação.

CS Infra venceu o leilão em fevereiro e só agora assina

A área foi arrematada pela CS Infra S.A. em leilão realizado em fevereiro deste ano, conforme informou o ministério ao portal Portos e Navios.

Entre o martelo e a assinatura passaram cerca de oito meses. A formalização define as condições de exploração da área e abre a etapa de implantação do projeto.

A cerimônia teve ainda o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, além de autoridades locais e representantes da empresa, segundo o Diário do Amapá.

Ministro Tomé Franca e comitiva caminham no cais do Porto de Santana durante a visita de 23 de outubro
Comitiva do Ministério de Portos e Aeroportos no cais do Porto de Santana, no Amapá. Foto: Eduardo Oliveira/MPor

Dinheiro vai para correias, carregador de navios e píeres

O contrato prevê a instalação de correias transportadoras e de um novo carregador de navios, além de melhorias nos píeres e na infraestrutura terrestre do terminal.

São os equipamentos que definem a velocidade do embarque. A correia leva o grão do armazém até o costado, e o carregador despeja a carga nos porões do navio.

Segundo o ministério, o objetivo é aumentar a eficiência operacional e reduzir os custos logísticos de quem escoa a produção pelo Arco Norte, a rota que leva grãos do Centro-Oeste aos portos da Amazônia.

Ministro fala em R$ 152 milhões e em mais eficiência para escoar soja

Na cerimônia, Tomé Franca arredondou o número para cima. “São R$ 152 milhões de reais, um contrato assinado hoje para um terminal de graneleiros vegetais, movimentação de soja e de milho”, disse, segundo o Diário do Amapá.

O valor que consta na divulgação oficial do ministério é de R$ 150,2 milhões. A diferença ficou só na fala: o próprio Diário do Amapá registra, no texto da reportagem, os mesmos R$ 150,2 milhões do contrato.

O ministro afirmou que o terminal dará ao Amapá “maior capacidade e mais eficiência para o escoamento da produção”, conectando a soja do Centro-Oeste aos mercados internacionais e gerando emprego e renda na região.

Porto movimentou 3,6 milhões de toneladas em 2025, 13,54% a mais

Localizado às margens do rio Amazonas, o Porto de Santana movimentou aproximadamente 3,6 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 13,54% em relação a 2024, segundo o ministério.

Entre os principais produtos estão soja, madeira, milho, resíduos de óleo de soja e manganês. É uma pauta que mistura agronegócio, floresta e mineração num mesmo cais.

Nos dois primeiros meses de 2026, a movimentação chegou a 403 mil toneladas, alta de 6,52% sobre o mesmo período do ano anterior. O ritmo de crescimento diminuiu, mas não parou.

O MCP01 é a aposta para ampliar a fatia de grãos nesse volume. Até agora, porém, o ministério não informou quantas toneladas por ano o terminal poderá embarcar depois das obras.

Dois terminais somam R$ 239,1 milhões em investimentos previstos

O MCP01 não está sozinho. Entre 2023 e 2026, os projetos de arrendamento dos terminais MCP01 e MCP03 somam R$ 239,1 milhões em investimentos previstos no porto, de acordo com o ministério.

Também está planejada a revitalização das vias de acesso terrestre, com investimento estimado em R$ 11,6 milhões. O projeto prevê recuperar cerca de 1,2 quilômetro de vias com pavimento de concreto armado.

É um ponto sensível para quem chega ao porto por terra. Correia e carregador novos ajudam pouco se o caminhão demora para alcançar o portão do terminal.

Prefeito e senador falam em novo ciclo para Santana

O ministro Waldez Góes chamou Santana de “capital de logística do Amapá”. Para ele, estruturar a infraestrutura portuária e aeroportuária é “decisivo” diante do crescimento das cadeias produtivas do estado.

O prefeito Bala Rocha disse que o contrato qualifica o porto “para continuar cumprindo o seu papel de motor da economia do Amapá, da Amazônia e também do Brasil”, segundo o jornal local.

O senador Randolfe Rodrigues afirmou que o investimento “trará uma nova dinâmica” ao porto e lembrou que o município também ganhou o Porto do Povo em janeiro.

Autoridades e representantes da CS Infra seguram o contrato do terminal MCP01 em Santana
Autoridades exibem o contrato de arrendamento do terminal MCP01 após a assinatura em Santana. Foto: Diário do Amapá

Porto do Povo recebeu R$ 37,2 milhões e abriu em janeiro

A comitiva também visitou o IP4 de Santana, conhecido como Porto do Povo. O terminal foi inaugurado em janeiro de 2026 e recebeu R$ 37,2 milhões em investimentos federais, segundo o Diário do Amapá.

A instalação atende a mobilidade fluvial de passageiros e a integração regional, um papel diferente do MCP01, que é voltado à carga de exportação.

Depois de Santana, os ministros seguiram para o Aeroporto Internacional de Macapá, onde avaliaram a infraestrutura e as condições de operação do terminal.

Arco Norte ganha mais um ponto de embarque de grãos

A assinatura em Santana acontece dias depois de outro reforço na região: produtores de milho ganharam em Itacoatiara o Super Porto Verde, píer flutuante de 240 metros no rio Amazonas.

Olhando assim, o corredor norte vai somando cais, mas cada terminal ainda depende de obra concluída para mudar a conta do frete de quem planta no Centro-Oeste.

No caso do MCP01, o contrato tem 25 anos. Os prazos das obras e o início da operação com os novos equipamentos não foram detalhados nas divulgações desta sexta-feira.

Você acha que Santana pode virar uma saída forte para a soja do Centro-Oeste com R$ 150,2 milhões em 25 anos?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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