Parceria anunciada entre Estados Unidos e Cazaquistão prevê, a partir de 2026, cooperação em energia nuclear civil com foco em pequenos reatores modulares, criação de centro regional de treinamento, instalação de simulador educacional em Almaty e estudos técnicos para integração dos SMRs à rede elétrica cazaque, ampliando uma relação estratégica iniciada em 1991
Os Estados Unidos e o Cazaquistão anunciaram um acordo para aprofundar a parceria nuclear civil nos primeiros meses de 2026, com foco em pequenos reatores modulares, formação de mão de obra e estudos técnicos, consolidando uma relação estratégica construída desde 1991 e ampliando a cooperação energética entre os dois países.
A iniciativa reforça um relacionamento bilateral que se fortalece ao longo de décadas e marca um novo estágio da cooperação nuclear, agora voltada à energia civil e ao desenvolvimento institucional.
O acordo destaca os pequenos reatores modulares, conhecidos como SMRs, tecnologias de fissão nuclear em escala reduzida.
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Origem da relação bilateral entre Estados Unidos e Cazaquistão
Apesar da distância geográfica entre a América do Norte e a Eurásia, Estados Unidos e Cazaquistão mantêm vínculos formais desde o início da década de 1990.
O primeiro marco ocorreu em 1991, quando os EUA foram o primeiro país a reconhecer a independência cazaque após o colapso da União Soviética.
Durante a Guerra Fria, o Cazaquistão esteve sob regime comunista, e o reconhecimento americano representou um passo central no processo de afirmação internacional do país. Em seguida, as duas nações estabeleceram relações diplomáticas formais, estruturadas sobre objetivos de segurança e cooperação econômica.
No campo nuclear, a colaboração começou ainda no século XX, quando os Estados Unidos auxiliaram o Cazaquistão a eliminar seu arsenal nuclear herdado do período soviético. Em 2018, o relacionamento evoluiu para uma parceria estratégica ampliada, que agora sustenta a cooperação nuclear civil aprofundada.
Anúncio do programa First e metas para 2026
Em dezembro de 2025, autoridades dos dois países detalharam iniciativas vinculadas ao programa Infraestrutura Fundamental para o Uso Responsável da Tecnologia de Pequenos Reatores Modulares, conhecido como First, do Departamento de Estado dos EUA. O programa já estava em operação, mas o Cazaquistão tornou-se o primeiro país da Ásia Central a integrá-lo.
O anúncio indicou que 2026 será um ano de avanços relevantes na parceria nuclear civil, com foco em capacitação técnica, planejamento regulatório e avaliação de tecnologias. A participação cazaque no First é apresentada como um marco regional no uso responsável de SMRs.
Simulador de SMR e capacitação da força de trabalho local
Entre as ações concretas do acordo está a instalação de um simulador de pequeno reator modular para uso educacional. O equipamento foi desenvolvido pelas empresas americanas Holtec International e WSC Inc. e será instalado no Instituto de Física Nuclear do Cazaquistão, localizado em Almaty.
O objetivo central do simulador é apoiar o desenvolvimento da força de trabalho nuclear local. Ele foi projetado para oferecer treinamento prático em operação de reatores, resposta a emergências e sistemas de segurança, permitindo que futuros profissionais adquiram experiência aplicada em ambiente controlado.
O projeto recebeu reconhecimento pelo nível de detalhamento técnico, com atenção específica aos procedimentos operacionais e aos protocolos de segurança. A iniciativa busca preparar o país para uma eventual expansão do uso de energia nuclear, alinhada a padrões internacionais.
Retomada da energia nuclear e posição estratégica do Cazaquistão
Após mais de 20 anos sem geração de eletricidade nuclear, o Cazaquistão decidiu retomar a produção de energia atômica. A decisão gerou reações diversas, mas a maioria dos votos sustentou a construção de usinas nucleares pelo governo, sinalizando apoio institucional à estratégia energética.
A escolha se insere em um contexto particular: o país responde por 40% da produção mundial de urânio extraído de minas, o que o posiciona simultaneamente como fornecedor de combustível nuclear e futuro usuário da tecnologia. Essa dupla condição coloca o Cazaquistão em situação singular no setor global.
A retomada da energia nuclear ocorre paralelamente à parceria com os Estados Unidos, ampliando a relevância do acordo para o planejamento energético nacional e para a integração do país em cadeias tecnológicas internacionais.
Estudos de viabilidade e padrões de segurança
Estados Unidos e Cazaquistão iniciaram um estudo de viabilidade destinado a identificar qual projeto de SMR desenvolvido nos EUA é mais adequado, tanto do ponto de vista econômico quanto técnico, para a rede elétrica cazaque e suas condições operacionais gerais.
Além disso, a parceria resultou na criação de um centro regional de treinamento voltado ao apoio de atividades nucleares na Ásia Central. O programa First também busca fortalecer a preparação regulatória, implementar medidas de segurança e garantir que os SMRs sejam compatíveis com padrões internacionais de não proliferação e segurança, incluindo referências aplicadas pela China.
O conjunto de iniciativas consolida uma cooperação que combina histórico diplomático, interesses energéticos e capacitação técnica, estabelecendo as bases para a adoção estruturada de pequenos reatores modulares no Cazaquistão ao longo de 2026, mesmo diante de desafios tecnicos e regulatórios.

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