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Estados Unidos danificam sítio arqueológico milenar com explosivos para construir o muro na fronteira

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 08/04/2026 às 18:57
Atualizado em 08/04/2026 às 20:00
Explosões na fronteira danificam sítio arqueológico sagrado dos Kumiai na Baja California durante obras do muro entre EUA e México.
Explosões na fronteira danificam sítio arqueológico sagrado dos Kumiai na Baja California durante obras do muro entre EUA e México.
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Explosões usadas na construção do muro na fronteira entre Estados Unidos e México atingiram Cuchumá Hill, na Baja California, e danificaram um monólito de 35 metros em um sítio arqueológico sagrado para o povo Kumiai, reacendendo protestos e tensão em uma área de valor histórico e religioso reconhecido oficialmente

Explosões usadas por agentes dos Estados Unidos durante a construção do muro na fronteira com o México atingiram um sítio arqueológico em Cuchumá Hill, na Baja California, e danificaram um monólito de 35 metros considerado sagrado por povos indígenas da região. O tamanho exato do dano ainda não era conhecido no momento da publicação.

Moradores da Baja California relataram à imprensa mexicana terem ouvido as explosões no último fim de semana. As detonações fizeram parte das obras do muro na fronteira e ocorreram em uma área compartilhada historicamente pelos dois países.

Miguel Olmos Aguilera, doutor em etnologia, etnografia e antropologia social e professor-pesquisador do Colegio de la Frontera Norte, afirmou que a colina tem grande importância religiosa para o povo Kumiai. Ele disse ter recebido relatos da própria comunidade sobre a obstrução da passagem e a destruição do local cerimonial.

O pesquisador também informou que não sabia qual era a gravidade dos danos provocados no monólito. A estrutura esculpida é tratada como sagrada pelos indígenas que vivem naquela região de fronteira.

Sítio arqueológico de valor religioso e ancestral

A montanha de Cuchumá é definida como zona arqueológica e local cerimonial dos povos yumanos, grupo que reúne tribos indígenas como Cucapah, Halyiikwamai, Alakwisa, Kamai, Yuma e Mojave, entre outras. A área se estende até o cume, situado a cerca de 3.500 metros acima do nível do mar.

No século 19, o amplo topo da montanha foi dividido pela fronteira. Essa linha separou também o povo Kumiai, que habitava a região e passou a ficar espalhado entre o sul da Califórnia, nos Estados Unidos, e as cidades mexicanas de Ensenada e Tecate.

Olmos Aguilera afirmou que, embora a colina seja cortada pela fronteira, os Kumiai conseguiam atravessar de um lado para o outro. Agora, na avaliação dele, isso já não parece mais possível.

Povo Kumiai enfrenta restrições na fronteira

Os Kumiai são considerados uma cultura binacional, presente dos dois lados da divisa. A administração Trump, porém, é descrita como resistente à permissão de travessias, o que aumentou a insatisfação da comunidade.

A reação do grupo tem incluído manifestações constantes na fronteira. O pesquisador relatou que a situação provocou revolta entre os Kumiai diante das limitações impostas ao deslocamento em uma área que faz parte da história e da vida religiosa desse povo.

A língua Kumiai pertence à família Hokana, que inclui também Seri e Yumano-Cochimí, entre outras. Uma publicação de 2018 do Colegio de la Frontera apontava cerca de 200 falantes, embora Olmos ressalte que a vitalidade do povo é maior do que esse número isoladamente pode sugerir.

Ele afirmou que o grupo é pequeno em número de falantes, mas forte em presença e continuidade. Também ressaltou que a perda da língua não é o único critério para medir quantas pessoas pertencem a essa linhagem.

Reconhecimento oficial e novas explosões na fronteira

Em outubro de 1992, a montanha foi oficialmente reconhecida como local histórico e sagrado no Registro Nacional de Lugares Históricos dos Estados Unidos. Na base de dados, o sítio arqueológico aparece com o nome de Kuchamaa, localizado em Tecate Peak.

O registro informa que a montanha fica majoritariamente em território dos Estados Unidos, entre as comunidades de Dulzura e Potrero, enquanto Tecate, no México, se espalha por vários quilômetros ao longo da base sudeste do pico. Em território mexicano, a área é considerada Patrimônio Cultural Imaterial.

A fronteira da Baja California não foi a única a registrar explosões nos primeiros dias de abril de 2026. A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos publicou nas redes sociais um vídeo mostrando detonações no Novo México, em Mount Cristo Rey, entre El Paso e Ciudad Juárez, e classificou a intervenção como um “procedimento cosmético”.

A construção do muro em áreas binacionais de alto valor histórico e cultural, promessa original da campanha de Trump, continua em seu segundo mandato.

O caso de Cuchumá Hill reacendeu a tensão em torno de um sítio arqueológico sagrado, hoje afetado por obras e restrições que atingem diretamente a comunidade Kumiai

Com informações de El Pais.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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